domingo, 29 de abril de 2018

O garoto que levou meu celular


Fevereiro de 2018. Eu fui para um bar na Praça da Paz com um rapaz que tinha conhecido pelo Grindr. Fazia tempo que estávamos conversando, mas não tínhamos nos encontrado ainda. Na época, eu tinha acabado de voltar a morar em João Pessoa, ia trabalhar em uma escola durante a noite e estudar Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba. As coisas estavam dando certo na minha vida.

Sentamos em uma mesa no centro do bar. Pedimos caipirinhas e caldinhos diversos para regar a nossa conversa. Minha companhia mostrou-se uma boa pessoa para sair, tinha um bom papo, senso de humor e um sorriso bonito.

Entre as bebidas e conversas, fomos nos empolgando quando chegou um garoto que devia, pela aparência, ter entre 11 e 13 anos de idade. Nos ofereceu doces. Recusamos. Ele ficou insistindo para que comprássemos. Eu, todo metido a militante, disse que ele não poderia aquela hora da noite está em um bar, que ele devia estudar e não trabalhar, etc. O garoto disse que estudava e estava vendendo pra ajudar no sustento de casa. Eu ia dizer mais o quê?

Meu celular estava em cima da mesa, perto do copo com bebida. O garoto estava bem próximo de mim. Ele conseguiu captar toda nossa atenção. Não percebemos que, enquanto isso, ele pegava o celular e saia da nossa mesa, fazendo uma aposta: ele iria nas outras mesas do bar oferecer os doces, caso não vendesse nenhum iria voltar e teríamos que comprar os produtos. Obviamente, eu recusei qualquer aposta.

Ele foi oferecendo os doces em outras mesas e, mesmo já longe, falando conosco sorrindo, dizendo que ia voltar. Mas uma vez falei que ele fosse embora e tal. Voltei a conversar com J. (primeira letra do nome do rapaz que me acompanhava) e beber. O garoto foi embora que nem percebemos. De repente, fui pegar o celular para conferir a hora. Surpresa! Cadê o celular? Foi aí que demos conta que o garoto usou toda uma estratégia para prender nossa atenção e pegar o celular sem que percebêssemos.

J. ficou revoltado, mais sentido que eu diante da situação. Fomos reclamar com a direção do bar. Mas eu fiquei aparvalhado com aquele menino e sua capacidade de captar a atenção das pessoas para cometer um ato infracional.

Eu estava há uns nove meses com aquele celular. Mudei rapidamente as senhas do twitter, instragram e gmail. Pedi o bloqueio do número. Fiquei pensando nas fotos que estavam armazenadas e contatos que eu tinha perdidos. Contudo, depois disso tudo comecei a rir de tudo aquilo, sobretudo, do nosso abestalhamento, especialmente o meu, diante do garoto.

Saímos do bar. Fomos até uma conveniência. Compramos vinho barato e pipocas. Pegamos um uber e viemos ao meu apartamento. A noite não foi de toda ruim...


PS: dois meses depois, quando eu esperava o ônibus para ir trabalhar, dois rapazes numa moto, levaram o celular que eu tinha comprado substituto do anterior que havia sido levado pelo garoto no bar.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O outro lado

Eu estava passando perto de uma loja de bolsas naquele dia. Não sei o motivo, mas do nada mudei minha rota. Nunca passo ali perto. Não tenho nenhum problema, contudo, felizmente ou infelizmente, sou meio metódico em meu percurso. Devia ser diferente. Eu que sou tão afeito a quebrar regras, a ousar, a tentar o novo, tenho ilhas de conservadorismo dentro de mim.

Uma senhora, por volta do seus 50 anos, me aborda na rua. Pensei que era para entregar alguma propaganda de plano dental ou algum folheto de proselitismo religioso. Ela, calma, me perguntou o que eu estava achando do dia. Era por volta de 16:30, estava saindo do trabalho e queria, mais que tudo nesse mundo, pegar o ônibus, que nesse horário é sempre lotado, e ir para minha casa.

Respondi que estava cansado, um pouco estressado, suado e queria logo chegar em casa, preparar algo para comer e depois ir para a academia. A todo tempo eu ficava olhando para o início da avenida com a expectativa do coletivo chegar.

Ela me disse que perguntou o que eu estava achando do dia e não de como eu estava. Meio que não entendi direito. Ela apontou o céu. Estava perto do ocaso. Lindo. Eu falei que mal tinha reparado no espaço ao meu redor. Acordei cedo. Peguei um transporte hiper lotado pela manhã, tinha dado aula pela manhã, almoçado em um restaurante popular, dado aula a tarde e que minhas observações daquele dia estavam apenas relacionadas ao trabalho e meu desejo de chegar em casa. Logo em seguida ela foi embora. Nem deu tempo direito para eu dizer até logo.

Nunca a tinha visto. Acho que dificilmente tornarei a vê-la novamente. Aquela pergunta dela ficou martelando em minha cabeça. Parei e fiquei olhando o céu, a praça perto do mercado, as plantas naquele ambiente, vendedores nas lojas, pessoas indo e vindo em todas as direções. De repente, aquilo que muito me exasperava começou a ter sentido para mim. Meu acordar cedo, minhas aulas ministradas, meu almoço simples, tudo aquilo começou a fazer parte de uma sinfonia tocada na orquestra da vida. Cada peça encaixa perfeitamente no quebra cabeça do universo.

Vez em quando, nos instantes que o cotidiano parece querer me sufocar eu paro e olho ao meu redor. Não para ver quem sofre mais do que eu. Tem gente que se sente agradecido por não ser tão pobre ou miserável quanto o outro. Olho ao meu redor para sentir o movimento da vida. Olho para sentir a minha dependência das outras pessoas. Somos parte de um todo. Preciso do gari que varre a rua tanto quanto do médico que me atende e trata de algum problema de saúde meu.

Agradeço muito aquela mulher que durante mais ou menos dois minutos me fez ver o outro lado da coisa. Sempre tem o outro lado. Uma vez um amigo me disse que um fio positivo e o negativo juntos geram a energia que move a vida de hoje. Nada é totalmente bom ou totalmente ruim. Cara e coroa constituem a mesma moeda. 

sábado, 24 de dezembro de 2016

Acendendo velas

Senti que algo não estava bem assim que acordei. Eu tinha bebido na noite anterior e tinha esquecido a forma como havia chegado em casa. Essa foi a segunda vez que o álcool me fez esquecer detalhes importantes de fatos vivenciados durante momentos de farra.

Eu prometi que ia beber sem tocar no nome interdito. Cumpri a palavra. Meus amigos já estão cansados de ouvir meus desabafos e choros durante nossos instantes juntos. É sempre a mesma história. Começamos a ingerir cerveja ou qualquer outra bebida e daqui a pouco começo meu rosário de lamentos.

Mas naquela noite não rezei a ladainha das decepções. Até paquerei naquele bar. Conversei muito. Ri bastante. E cada vez fui bebendo e achando pouco o teor de álcool naquelas bebidas. Pedi para aumentar. Foi aí que me dei mal.

Pouco antes de sairmos eu já estava naquele estado bem ébrio. Lembro vagamente de um amigo ter pedido um uber e me colocado nele. Lembro que saltei em frente a meu apartamento. Só.

Não sei como fui deitar. Não sei como tirei a roupa. Não sei como fiz para vomitar e depois dormir. A sensação de doença e de algo errado perturbava minha mente assim que vi a luz do sol invadir meu quarto. Mas eu não conseguia saber o motivo.

Me levantei com uma baita dor de cabeça. Fui procurar um comprimido. Encontrei com um pouco de dificuldade diante da bagunça do meu quarto. Tomei com água e, em seguida, fui ao banheiro. Quase vomitei novamente diante do chão seco com o vômito da noite anterior.

Aos poucos fui tentando reconstruir a noite passada. Conversei pelo whatsapp com os amigos que tinha saído comigo. Aos poucos eles foram contando os fatos que vivenciei e a memória, com muito vagar, foi chegando.

Fiquei mal. Eu sabia que tinha algo errado. Eu tinha agendado um compromisso para pouco depois da hora que saí daquele bar. Ia ter um encontro. Tinha criado expectativas boas em relação a ele. Mas quando tinha chegado ao bar, devido minha promessa de não ficar contando casos do passado e bebendo, acabei esquecendo também do presente que se abria para mim.

Quando dei pela mancada que eu tinha cometido, corri e fui tentar falar com a outra pessoa. Eu já tinha sido bloqueado, contudo havia uma frase emblemática no aplicativo de mensagens: “Criei expectativas diante de tudo tínhamos conversado nesses últimos dias. Você foi igual aos outros. Mexeu comigo e do nada sumiu. Adeus.”

A mensagem foi como uma facada dentro de mim. Sangrei. Chorei. Mas não tinha mais nada para fazer. Aceitei a realidade que eu tinha um passarinho quase em minha mão, entretanto, eu, sem querer, espantei.

O dia continuou mal. Esqueci que tinha coisas para resolver na escola. Não me lembrei do prazo para encaminhar alguns documentos. Fiquei tão fora da realidade que peguei o ônibus e fui para o interior. Quando cheguei à casa de minha mãe me dei conta que tinha saído de João Pessoa sem qualquer planejamento.


No dia seguinte retornei para a capital. Mas o sentimento de culpa pesava muito em mim. Fiquei dias remoendo aquela mensagem recebida. Apaguei do celular, mas continuava colada na minha mente. O que poderia ter acontecido comigo se eu não tivesse exagerado nas bebidas naquela noite? 

Enquanto escrevo sentado no meu quarto, na sala tem dois casais de amigos trocando afetos e carinhos. Vou acabar isso e voltar lá. Minha vocação para acender velas é incontestável.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Fósseis

Eu a vi a fotos dos dois no instagram. Fiquei morrendo de ciúmes. Não tenho motivos para nutrir esse sentimento. Ora, eu que não quis continuar com algo que eu julgava – talvez erroneamente – não vingar. Meu velho defeito de viver tudo intensamente por uns momentos e depois descartar com a mesma intensidade.

Pago por erros. Desacertos são vários. Escolhas precipitadas marcam minha vida. O pior de tudo é que me arrependo pouco tempo depois. Hoje estive em um shopping e meu maior medo era encontrar ele lá. Sabe aquele olhar de vigilância a todo tempo? Pois estive desse jeito. Só sosseguei quando saí do local e retornei para minha cidade.

O ano que está quase no fim foi marcante para mim. Faltam poucos dias para o ocaso de 2016. Fechei ciclos. Tive dores. Perdas. Fiz tentativas várias de acertos em algumas áreas de minha vida; errei em muitas. Mas afetivamente, como diz a sabedoria do bar, me lasquei.

Uma vez comentei com um amigo que vou tentar virar uma versão de Dilma. Pelo menos a versão que pintam dela. Mulher dura. Bem sucedida profissionalmente, apesar de ter feito um péssimo governo. E viver sem amores. Focar na minha vida profissional, buscar alcançar minhas metas e curtir discretamente a existência.


Escrevo isso escutando pagode. Segundo Ana Carolina, a personalidade do amor é deste estilo musical. Penso no que perdi por ser instável em meus relacionamentos. No fundo Alexandre Pires canta: “preciso de um tempo aqui pra esquecer o que passou”. Talvez só na próxima existência eu consiga destruir esses fósseis - são vários - que carrego na alma.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A velha repetição

Comprei umas cervejas. Assei uns pedaços de peito de frango. Acessei o youtube. Um prato pronto para que minha memória afetiva pudesse ser acionada instantaneamente. Fazia tempo que ela estava adormecida, guardada, a meu ver, sepultada. Mas não. Ledo engano. A memória é viva, muito viva.

De acordo com as cervejas que eu estava tomando, vez ou outra petiscando, e com as músicas que estava ouvindo, sentimentos foram renascendo. Comecei a avaliar os últimos acontecimentos de minha vida. O ano de 2016 não foi um ano fácil. Carrego marcas na minha alma. Carrego feridas em meus sentimentos. Uma parte de mim foi embora (escrevo sobre isso depois).

Às vezes me pergunto se existem tantas pessoas que vivem amarradas pela linha tênue da memória. Converso com alguns amigos e amigas. Todos e todas parecem lidar muito bem com ela. Eu não consigo. Sabe aquela parada que o tempo faz esquecer? Comigo não funciona. O tempo, pelo contrário, amadurece as experiências, torna-as mais intensas.

Acho que preciso, aliás, acho não, tenho certeza que preciso faz algum tipo de tratamento psicológico. Ou psicanalítico. Muitas coisas em minha vida ficam presas a acontecimentos pretéritos. Isso, em vários momentos, já atrapalhou várias coisas, sabe? Até relacionamentos já perdi por continuar apegado a algo que já morreu, mas insiste em interferir na minha vida.

Penso em acender um cigarro, mas reflito que é melhor não. Nas últimas  vezes que fumei tive crise alérgica. Não posso mais contar com o cigarro, que era meu companheiro de sofrimento.  Ainda bem que o álcool não me prejudica, por enquanto.


Um amigo acabou de me chamar para ir a uma boate. Não tenho clima, respondo a ele. Talvez eu devesse ir. Mas prefiro ficar no meu apartamento, com a cerveja que resta, comendo os últimos pedaços de peito de frango, ouvindo mais músicas que são piores que flechas, porque elas atingem a minha alma.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Repete-se


Hoje ele confessou o que há um tempo tenho desconfiado. Mas eu merecia isso. Eu fiz isso antes. Fiz quando a gente tava ficando, quando a gente não considerava um namoro, quando a gente nem sabia o que a gente queria direito.

Aquela conversa, na pizzaria, no começo de abril, foi tensa. Resquício de quem vive apegado a um passado morto que insiste em ressuscitar sem querer sair do túmulo. Uma morte não finda. Uma vida sem vida.

Aquele fim de semana tinha sido tenso para mim. De repente eu soube que o outro, o ídolo, estaria nas redondezas. Tremi nas bases. Deixei de ir para lugares que eu achava que podia me esbarrar com ele. Tudo vão.

Saí na tarde de sábado para tentar espairecer. Foi pior. Deixei-me seduzir pelo álcool. Fui a lugares que nunca deveria ter conhecido. Fiz coisas que, sem dúvidas, se tivesse sóbrio jamais teria feito.

Encontrei duas ex - paixões. Tá vendo como esses mortos sempre me procuram? Fugi de um que estava distante, apareceram dois que estavam perto. Por que tem que ser assim? Talvez não tenha. Talvez eu goste desse sadomasoquismo amoroso.

Não aguentei muito naquele espaço. Minha vibe era outra. De repente todo mundo junto, acompanhado e eu naquela solidão provocada. Não aguentei e mandei um áudio no whatsapp para ele. Ele que tava numa história até legal comigo, apesar de complicada.

Eu queria está junto. Eu queria ter alguém para mim. Eu tinha alguém que era meu e não meu ao mesmo tempo. Desejo de posse. Ser proprietário. Algo tão egoísta, tão machista, tão andocentrico. Meus pecados. Confesso-os. Apesar de saber que não terei absolvição.

Na pizzaria o silêncio falava tão alto que explodia dentro de mim, dentro de nós dois. Revi os áudios enviados na noite anterior. Percebi que tinha extrapolado os limites. Rompemos ali. Um rompimento implícito.

A saudade explodiu dias depois. Não aguentei. Postei uma foto no instagram de uma frase escrita por ele e que tava colada no meu guarda-roupa. Teve o efeito que eu queria. O contato foi reatado.

Saímos várias vezes até eu conseguir aquilo que desejava. Algo oficial. O dia foi o dia dos namorados. Pobre de mim, sempre querendo posse, sempre pensando em comemorar esse dia com um garoto, sempre desejando satisfazer meus interesses egocêntricos.

Depois de enrolações eu consigo meu intento. Pensei que ia construir algo definitivo com ele. Mas depois daquele dia, que inclusive eu havia dado um presente sem receber nada em troca, só nos encontramos uma vez. Estranho, né?

O tinder, ah o tinder! Através desse aplicativo nos conhecemos. Eu sempre desconfiei de quem namora e usa ele. Quando um amigo virtual me mostrou uma combinação, eu estranhei e o ciúme começou a me corroer.

E nossas conversas rareavam no whatsapp. Às vezes eu ligava, mas ele tava jogando. Afinal, jogar é melhor do que falar com o namorado, né? Que saudade daqueles outros tempos que não vivi, quem eram ruins, mas que me deixam jogar a culpa dos meus fracassos nesses avanços tecnológicos tão distantes de minha adolescência numa cidade do interior paraibano.

Hoje não aguentei. Eu tava desconfiado de algo estranho. Puxei papo. Pouco a pouco ele se abre. Ainda receoso. Confessa o que perturbava meus pensamentos. Dia 12 oficializamos o namoro. Entre o dia dos namorados e ontem, 29 de junho, ele ficou com alguém.

Joga a culpa em mim. Diz que já fiz. E já fiz mesmo. E confessei antes que ele desconfiasse de algo. Mas naquele tempo nossa história tava truncada. Não quero me justificar, caramba! Mas, porra, podia ter ficado antes do dia 12, quando a gente tava retomando, nera?

Um baque. O mundo caiu. Meu egoísmo insiste em não compreender as justificativas. Ah, egoísmo, machismo, patriarcalismo, qualquer outro nome que venha tentar compreender o sentimento de posse roubada do outro, pode me descrever nesse momento.


Não sou santo. Nunca fui. Queria ser, mas não consigo. Mas macular um ninho que estava em formação é muito para meu sentimento. Escrever isso é exorcizar o mal que me habita.

29/06/2015

sábado, 10 de maio de 2014

O orgulho dentro de mim

Sou orgulhoso. Acho que todo mundo é. Mas algumas pessoas iluminadas conseguem esconder ou controlar o orgulho. Outros não.

Tem aquele orgulho bom, né? Quando a gente faz um trabalho que gera um resultado bom, por exemplo. Quanto orgulho, quanta satisfação! Algumas vezes, eu fico impressionado comigo mesmo.

Mas não quero falar desse orgulho enquanto sentimento de satisfação ou de reconhecimento. Falo daquele que está ligado a sentimentos menos nobres, ligados ao ego ferido, relacionado a incapacidade das pessoas reconhecer seus erros e voltar atrás. Ah, confesso que tenho isso.

Tive alguns relacionamentos (dois ou três ao longo de meus vinte e sete anos de vida!) que o orgulho falou mais forte do que o afeto que eu nutria. Eu sabia que poderia existir a possibilidade de reatar a relação, mas não quis. Por quê? Puro orgulho.

Voltar atrás não é muito meu forte.

Decisões importantes eu tomei. Algumas me arrependi amargamente. Noites seguidas rolei na cama, lágrimas caíram, mas jamais fui capaz de reconhecer que eu seria capaz de rever alguma decisão tomada, mesmo sabendo que isso evitaria sofrimentos inúteis no futuro.


Mas a gente aprende com o tempo. Gosto daquele lugar comum que diz que a melhor aprendizagem ocorre na escola da vida. Então, tentei rever algo que fiz dias atrás com a cabeça quente. Não sei se vai dá certo. Mas um efeito positivo já gerou em mim: resisti a esse orgulho mesquinho que habita em meu interior, reconheci um erro e voltei atrás. E hoje já sou outra pessoa. Menos orgulhosa. Isso faz toda a diferença. 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Pai comprou bolachas recheadas

Pai comprou bolachas recheadas. Fazia tempos que, nas compras do mês no supermercado, ele não comprava. Fiquei surpreso quando mãe disse que ele tinha feito isso. Um milagre.

Amo bolachas recheadas. Ou biscoitos recheados como diz na embalagem. Tanto faz. Desde pequeno que sou doido por esse tipo de comida que faz tanto mal a saúde, mas é tão bom pro paladar.

Dias atrás, durante a noite, bateu a vontade de comer biscoitos recheados. Eram nove horas da noite. Peguei a bicicleta. Fui até o outro lado da cidade. Lá tem uma padaria que fica, ou ficava, aberta até tarde. Fui todo animado. Até chuva peguei no meio do caminho. Mas chegando lá, para a tristeza geral da nação, a padaria estava fechada. Que raiva!

Essa vontade repentina que bateu, parecendo até desejo de mulher grávida, se deu em virtude de há alguns meses não ter comprado mais meus biscoitos recheados. Desde que pai cortara, há uns anos, a compra deles, eu é que tinha que desembolsar a aquisição de minhas biscoitos diletos.  Mas na busca para perder alguns quilos, acabei traindo essa relação de amor antiga.

No dia seguinte, fui no supermercado perto de casa e comprei três biscoitos de chocolates. Matei a vontade.

Quando criança eu ansiava pelas compras mensais porque sabia que, além dos gêneros alimentícios e outros produtos essenciais na vida doméstica, viria os biscoitos.

Hoje, depois de anos, quando cheguei na cozinha, mãe disse: teu pai comprou biscoitos recheados.

São 22:49. Acabo de comer uma bolacha recheada de morango. Voltei, por uns instantes, a ser o menino de 15 anos atrás. E torcendo para que próximo mês a boa nova se repita.

domingo, 29 de setembro de 2013

Voltando

Nossa, como fazia tempo que eu não postava nada aqui! O facebook tem reinado soberanamente em minha vida. Passo a maior parte do meu tempo lá. Os grupos de debates, as páginas, comunidades, atualizações dos milhares de amigos virtuais que tenho, tudo isso tem ocupado minha navegação no mundo virtual.

Confesso que esse blog perdeu um pouco de sentido para mim. Muitos textos escritos eram desabafos de um coração amante. Outros tempos. Tempos bons aqueles. Tempos das paixões inebriantes e dos sofrimentos também. Mudei. Todo mundo muda o tempo todo. Cresci. Larguei aquelas ilusões afetivas. Não que eu não possa vir, em um futuro, a ter algum sentimento arrebatador por outra pessoa no futuro, mas não vislumbro isso para mim.

Dias atrás, eu lembrava de quando eu gostava de Luan Santana (risos). Hoje acho hilário lembrar que já fui fã desse cara. Não apenas gostava dele, mas Luan marcou um período importante na minha história sentimental. Ainda hoje, passado tanto tempo, toda vez que escuto, por exemplo, "meteoro da paixão", o passado volta como se eu tivesse acessado um link de um algum site. Imediatamente vem os sorrisos, os cheiros, os medos, os anseios, os desejos...

Cheguei hoje a esse blog devido uma nostalgia que me abateu de repente. Meu computador, há meses, estava sem funcionar. Um amigo veio agora a tarde formatá-lo e ajeitá-lo. Voltou a funcionar normalmente. Quando comecei a mexer nele, fuçando os vários arquivos e pastas, me deparo com as centenas de fotos que tenho. Comecei a ri, deu vontade de chorar, bateu saudade. 

Depois desse momento contemplativo de fotos, fui bater no orkut (risos). Pois é, os meus dois perfis ainda estão na ativa. Parece que o domingo serviu para eu voltar a um tempo que não volta mais, mas que vive na lembrança bem guardado e sempre pronto para vir à tona.

Vou voltar a escrever nesse blog. Os tempos são outros, mas não rompi completamente com as outras temporalidades que experienciei. 

São 20:39

sexta-feira, 8 de março de 2013

8 de março de 2013

O 8 de março chegou. Temos (eu me incluo também já que não precisa ser de determinado gênero ou grupo pra celebrar vitórias ou lutar por avanços dele) muitas conquistas. Mas muito desafios. 

O direito penal brasileiro tem mecanismos legais para enfrentar a violência contra as mulheres, a Constituição diz que homens e mulheres são iguais, ninguém ousa, abertamente, dizer que mulheres são inferiores aos homens... mas na prática, todo mundo sabe, isso é bem diferente. 

A Lei Maria da Penha, por exemplo, não tem sido aplicada de fato. A igualdade constitucional não se realiza, uma vez que, nas mesmas profissões, homens e mulheres não ganham de forma semelhante. 

Além disso, não dá pra comparar uma mulher de classe média alta com uma mulher que mora numa cidade do interior ou numa favela de uma grande cidade. Não dá pra comparar a mulher branca com a negra. A mesma experiência de preconceito e discriminação da mulher lésbica ou trans não é vivenciada pela mulher hétero. A mulher de religião cristã está, socialmente falando, em um patamar muito superior que a mulher de religião afro. 

Temos prefeitas, vereadoras, deputadas, senadoras, uma governadora de estado, ministras, juízas, desembargadoras, presidenta da república, empresárias... Mas também temos muitas mulheres que nem podem sair de casa, que vivem em um sistema patriarcal que as aprisionam, que as silenciam, que impede qualquer manifestação no sentido de romper com a lógica androcêntrica na sociedade. 

Nesse dia 8 de março não é possível louvar, tão somente, as conquistas, mas, acima de tudo, é preciso discutir os desafios para a construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária, sem esquecer, também, que a opressão de gênero não pode ser dissociada da opressão sexual, econômica, racial e religiosa.

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