quinta-feira, 29 de abril de 2010

O dia que me senti útil...


...Ontem!

Já me perguntei várias vezes o motivo da minha existência. Aliás, acredito que todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já se perguntou a mesma coisa. Por que estou no mundo? Ou qual é a minha missão no mundo?

Não acredito que os seres humanos existem por acaso. Isso não tem nada a ver com idéia de Deus ou com o pensamento criacionista. Mesmo excluindo a visão teológica e colocando o que a ciência concebe como sendo o início de tudo, mesmo assim, continuo crendo que todo homem ou mulher tem um papel nessa imensa teia social.

E por trás de toda essa concepção de uma vida que não é por acaso, ou seja, de uma vida quem um propósito, uma missão, um objetivo, e somente quando descobrindo qual é, nossa existência fica com mais sentido, torna-se mais prazerosa, está à questão da utilidade. O que eu faço, o que eu quero, o que eu desejo é útil? Serve para tornar o mundo melhor ou pior? Faz alguma diferença na vida das pessoas?

Sempre questiono isso. Por isso, tenho vislumbrado uma profissão que me faça enxergar os resultados de uma forma concreta. Com isso, não digo que algumas profissões sejam menos importantes na sociedade. É que como sou muito ansioso, e quem ler esse blog ou conversa comigo, já sabe disso, eu quero ver resultados imediatos. Nem todas as ocupações profissionais possibilitam uma instantaneidade como a carreira médica ou jurídica, por exemplo. Ainda não faço algo que seja assim. Mas, já fiz coisas, e isso me deixa muito feliz, que senti um reconhecimento ou que vi resultado imediatamente. Ontem foi um dia bem especial, por isso.

No ano passado, já na metade do ano, um companheiro da faculdade decidiu implantar, na sua cidade, um vestibular solidário. Topei imediatamente. Mesmo sabendo que eu não iria ganhar nada e que ainda por cima teria que pagar minha passagem, vislumbrei uma oportunidade para conhecer mais pessoas e para colocar em prática alguns conhecimentos do curso de História.

Não fiquei até o fim. O governo do estado abriu um cursinho e muitas pessoas saíram do nosso. Depois confessaram arrependimento, mas eu já tinha saído e ocupado o tempo que era para o cursinho com outra coisa.

Quando saiu o resultado, soube que algumas pessoas tinham passado. Fiquei, obviamente, muito feliz. Mas, ontem recebi, pelo Orkut, um recado que me deixou mais feliz ainda. Uma menina me dizia que sabia que eu não lembrava mais dela [verdade], mas que tinha me visto em um encontro ocorrido no sítio que ela mora e que estive presente [também verdade]. No recado ela dizia ainda que tinha sido aprovado no vestibular de Letras (UEPB). E o que me deixou mais contente ainda, ela me disse que agradecia pelas aulas que eu tinha dado, porque isso ajudou muito na sua aprovação. Minha tarde não poderia ter sido melhor.

À noite fui a Guarabira. Tinha conversado, também pelo Orkut, com um amigo muito especial, mas que tava passando por uns problemas. Eu não sabia o que fazer. A única forma de ajudá-lo seria conversar pessoalmente com ele. Eu estava com duas provas para estudar, uma de Sociologia e outra Antropologia. Mas ir conversar com ele estava em primeiro plano na noite anterior. Ele começou a desabafar. Depois tentei ser um psicanalista (risos). Em seguida eu desabafei um monte de coisa que estava entalada na minha garganta, que perturbava a minha paz, que me fez escrever a postagem anterior. No fim chegamos a algumas conclusões. Tentei apresentar minha solução para um caso semelhante. Só sei que ele saiu muito melhor. Seu semblante já era outro. E ele também me agradeceu. Mais uma vez: missão cumprida (risos).

Por isso, ontem, quarta-feira 28 de Abril de 2010, foi um dia que me senti útil. Foi um dos melhores dias de minha vida, posso dizer. Ter ajudado essa menina a passar no vestibular; ter socorrido esse companheiro, apesar de eu ter me beneficiado também quando me desabafei, e ter visto um resultado imediato; tudo isso me deixou com aquela sensação que minha vida tem um sentido, uma razão de ser, que não é somente em busca de interesses próprios, mas me realizo com o outro, com a alteridade, em ver que posso, ainda que bem limitado, minimizar a dor alheia.

Posso até parecer exibido ao colocar isso no blog. Mas quem ler esse diário sabe que coloco todos os acontecimentos e experiências relevantes de minha vida aqui. E esses dois fatos ocorridos ontem deixaram marcas preciosas dentro de mim.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Meu estado

Acordei. Como sempre corro para escovar os dentes e tomar banho. Assim que entro no banheiro, não sei o que deu em mim, termino soltando a minha escova de dente e ela cai no vaso sanitário. Esse acontecimento não foi inusitado pelo que ocorreu com minha escova, mas porque ele é emblemático de meu estado psicológico dos últimos dias.

Pode até aparecer leseira, mas o meu descuido com a escova de dente representa o nível de preocupação, estresse e ansiedade que tem me perturbado desde mais ou menos três semanas. Estou a ponto de explodir. Mas me seguro muito. Ser controlado, às vezes, pode parecer um defeito pelo excesso de cuidado que isso pode acarretar, mas nesse sentido tem sido positivo meu controle emocional.

Hoje pela manhã tive prova na faculdade. Como terminei cedo fiquei conversando um pouco com colegas, mas sem razão aparente eu tava começando a me estressar. Vim pra casa. Comecei a ler um livro, deu sono. Fui deitar. Quando acordei minha mente tava com toda. Comecei a pensar em algumas coisas que tem ocorrido na minha vida. A partir disso, comecei a não me sentir bem.

Mandei uma mensagem de texto para um amigo falando sobre como eu tava. Depois fiz uma oração. Cheguei ao trabalho, dei uma boa-tarde meio seco a minha companheira da tarde. Depois chegou um amigo comum. Começamos a conversar. Ele já tinha me alertado para esse excesso de ansiedade que tenho, mas nada mudou desde nossa última conversa no domingo de páscoa. Pelo contrário, talvez, o que tínhamos conversado me deixou mais preocupado ainda, porque ele discorreu sobre as patologias que são conseqüências da ansiedade e do estresse.

Sabe, tenho me perguntado como Pitty, será que devo enlouquecer ou devo apenas sorrir? Sorrir, até tenho feito isso, sorrir pra não chorar. Quanto à primeira alternativa, sei lá, acho que já sou louco por vida. Só não quero perder a consciência do meu eu. Mas acho isso pouco provável. Muita gente passa e já passou por isso que tou enfrentando e nem por isso o mundo acabou.

Penso que tudo isso está relacionado ao meu desejo de independência ainda não realizado. Terminar a faculdade (terminei a de história, mas ainda não consegui um emprego fixo, e comecei o curso de Direito), conseguir um emprego, comprar uma casa (ou um apartamento, já que quero residir em uma cidade grande), morar, sei lá, só ou com a pessoa que amo (se ela quiser, claro!). Isso são anseios que tenho projetado no meu futuro. Por isso, tenho vivido, em alguns instantes (ou mesmo na maioria dos instantes de minha vida) no futuro que nunca chega.

Tenho que parar. Mas como? Estive pensando em me danar pra algum lugar bem carente ou trabalhar em algum serviço voluntário pra ver se deixo de sofrer esse sofrimento desnecessário, mas que tem me tirado a serenidade. Por enquanto tenho controlado minhas emoções, espero não chegar ao ponto de descarregar em alguém. Vou voltar a caminhar. Pronto. Achei a solução. Retomar meu contato com a natureza e sentir a tranqüilidade, a paz e o alívio que no meio de muita gente é difícil de ter.

domingo, 18 de abril de 2010

Te amo...

Eu te amo!


Não me canso de te falar, não me canso de dizer quando alguns me perguntam.


Odeio Roupa Nova. Odeio mesmo. Essa aversão toda não é devido às musicas. Pelo contrário, as letras das canções são belíssimas. Minha rejeição toda é do tempo que eu era evangélico, bastante conservador (eu era assim mesmo, você que me conhece do ano passado pra cá, acredite!), quando minhas irmãs colocavam os CDs da banda bem alto no som de casa. Ah, que raiva me dava! Eu doido para escutar as músicas da Igreja e minhas manas com Roupa Nova. Que pecado, eu pensava! (risos)


Mas tem uma música da banda que, mesmo sem querer querendo, eu gosto! Um trecho dela me veio à mente neste fim de tarde de domingo.


Tou um pouco solitário, sabe? Você não está aqui perto de mim. A gente conversou até não sei que horas da madrugada de hoje, pelo MSN, mas isso é muito pouco. A gente se viu essa semana, mais isso é pouco. Sabe, agora me lembrei da conversa que tivemos. Você me disse que queria que eu morasse do teu lado, para acabar com o frio que tava fazendo na madruga. Eu te disse que não quero morar do teu lado, mas quero morar sob o mesmo teto, dormir na mesma cama, sob o mesmo cobertor, acordar todo dia bem juntinho a ti. É isso que quero! Todos os meus planos, todos sem exceção, eu incluo você.


A música que eu falava é “Volta pra mim”. Obviamente, a letra não se parece conosco. E eu peço a Deus todos os dias para que nunca eu chegue a cantá-la toda pensando em você. Nós não brigamos. Nós não estamos ruins na relação. Pelo contrário. A cada dia meu amor por você aumenta mais e mais. E você me diz a mesma coisa, né amor? Veio a mente o sms que você me mandou recentemente: “eu te amo mais do que ontem e menos que amanhã”. Que lindo achei!


Somente o refrão de “Volta pra mim” me interessa. Apenas o refrão eu canto pensando em você, pensando no teu sorriso, nos teus lábios, no teu rosto, no teu corpo, nas palavras que você me diz, nos nossos planos... Nossa, amor, eu quando estou perto de você emudeço! Só te olhar me basta! Só está sentado juntinho a você é suficiente para me fazer o cara mais feliz do mundo! Você me completa!


Por isso, queria poder ir à imprensa do mundo todo, divulgar em todos os portais, blogs e redes socais da internet, queria anunciar nas praças, escolas, igrejas (sobretudo nas igrejas, porque o nosso amor contém algo de sagrado, concorda?)... que:

Eu te amo e vou gritar


Prá todo mundo ouvir


Ter você é meu


Desejo de viver


Sou menino e teu amor


É que me faz crescer


E me entrego, corpo e alma


Prá você...


Já me disseram que nosso amor é muito adolescente. Que seja mesmo. O amor adulto é tão careta, tão sem novidades, tão formal. Sou menino, o teu menino, e é o teu amor, o nosso amor que me faz crescer, que me faz sonhar mais e mais com dias melhores, com um futuro mais cheio de realizações para mim, para você, para nossa família, para nossos amigos (as), para o mundo inteiro!

Eu te amo! Nunca se esqueça disso! Te amo mais do que ontem e menos que amanhã!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Coisa boa e outras coisas...

Leram meu blog... 

Pela primeiva vez na vida, um leitor do meu blog, disse que tava na hora para eu atualizar as postagens. Isso é um bom sinal, ou seja, significa que alguém ler as leseiras, as coisas do meu coração, o estado emocional, o meu cotidiano, nesse diário virtual.
E pra falar em diário em diário virtual, sábado passado, após o encontro da RCC na minha paróquia, me encontrei com um amigo na praça da Matriz. Ele já tinha falado sobre meu blog e tal. Criticou novamente. Disse que eu não deveria colocar minha vida nesse blog, porque tinha coisas mais interessantes para se falar na internet. Eu respondi dizendo que meu blog não é de fofocas políticas ou coisa do tipo, mas faço dele realmente um diário virtual, ou melhor, um caderno íntimo, onde exponho meus pensamentos, minhas angústias, meus afetos de modo geral. Se alguém vai ler ou não isso pouco me importa.
Mas, hoje, ao receber a resposta de um e-mail de um amigo da facul, vi a cobrança dele. Fiquei feliz! Uma alma viva ler o que coloco aqui.

Enquanto isso na Argentina...

Um juiz argentino anulou o casamento de um casal de homossexuais que ocorreu em dezembro no sul do país e que foi o primeiro casamento gay do país. Ele  amparou em artigo do Código Civil da Argentina, que não contempla o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. Declarou inexistente  o casamento entre Alex Freyre e José María di Bello na província de Terra do Fogo por um decreto da governadora dessa região, Fabiana Ríos.
Coisa triste isso!
O Estado deve reconhecer um direito para uma situação que existe de fato, a saber, a união de pessoas homoafetivas que vivem juntas, que constituem família.
O Brasil está muito atrasado a esse respeito.
Já no Uruguai a união civil entre casais homossexuais é legalizada. Foi a primeira lei nacional deste tipo aprovada em um país da América Latina.

E as pulseiras do sexo?

Só se fala nisso agora. Todo mundo quer proibir as pulseiras do sexo. Coisa absurda, dizem os moralista. Acho tudo isso uma leseira. O que o governo, a escola, a família e a sociedade deveria fazer é falar abertamente da sexualidade com os adolescentes.
O principal assunto numa roda de colegas entre 10 (ou até menos) até 17 (quando ocorre o término da educação básica) de idade é o sexo. Sexo em todas as suas nuances.
Nada mais excita tanto garotos e garotas do que esse conteúdo. Também, até eu, com 23 anos, fico assim, imagina um cara ou uma mina na puberdade...

domingo, 4 de abril de 2010

23 anos



Domingo passado foi meu níver.


23 anos.

Lembro-me de muitas coisas da minha infância. Tenho saudades dos dias que passava no sítio de meu avô. Tenho saudades das brincadeiras na ladeira da rua que eu morei por muito tempo, nos becos, nos quintais, nos pés de fruta. Tempo que se foi, mas que ficou guardado em minha lembrança. Amigos de infância que nunca mais vi; os que vejo a gente ou não se fala mais ou mal se fala.

Mas não quero falar da minha infância. Já escrevi algo aqui no dia das crianças de 2008 (ou foi 2007, nem lembro mais) sobre aquele período tão singelo e maravilhoso de minha vida. Outro dia volto a falar sobre meus dias de pirralho.

Como disse logo acima, domingo passado comecei um novo ano em minha existência. De início pensei, junto com minha irmã (do meio) e umas amigas dela, em ir para o show de Victor e Léo em Jampa, depois iríamos à praia e tal. Deu errado.

No começo da semana, uma amiga me falou sobre a possibilidade de bebermos. Eu disse que era domingo de ramos e não iria fazer isso. Na verdade usei como desculpa a semana santa. Não queria comemorar meu níver. O quer queria era ir para um lugar distante, um pouco vazio e solitário, para (re) pensar, (re) avaliar minha vida. Fazer um retiro sozinho comigo, com Deus e com a natureza (que nada mais é, a meu ver, do que a melhor expressão divina na terra). Isso eu desejava muito. Mas também deu errado.

Na madrugada de domingo eu conversava com algumas pessoas pelo MSN. Uma delas era um amigo dileto e muito especial que conheci no Twitter que mora em Campinas - SP. Temos várias coisas em comum. Uma delas é o desejo de isolamento durante o aniversário.

Sei lá, acho que o dia que completamos um novo ano de vida é o melhor dia para uma auto-análise (tem hífen essa palavra?), para uma... (faltou a palavra).

De toda forma, o que eu queria era sair, era ir para um lugar que não conhecesse ninguém ou se conhecesse fosse pouca gente, para fazer essa reflexão.

O dia todo foi muito agitado. Pela manhã o EJC (que faço parte) ficou responsável pela missa. Em minha casa tinha muitas pessoas (o que eu adoro!) e isso impossibilitou eu tirar um tempinho para fazer uma, ainda que pequena, análise sobre a minha vida. A tarde teve a procissão e a missa em seguida. À noite, para completar, falou energia e ficou sem sinal da OI, rsrs.

Contudo o dia não foi tão, digamos, apagado. A tarde choveu. Fazia tempo que eu não tomava banho de chuva (ultimamente têm caído tantos raios por aqui que qualquer trovão me deixa morrendo de medo) e aproveitei para sair pela rua, pulando, correndo, abrindo os braços e deixando a água vinda do céu escorrer sobre todo o meu corpo... Me senti tão bem. Esse banho de chuva fez do domingo passado um dia mais especial ainda para mim. Eu não pude fazer meu retiro solitário, mas as águas vieram me consolar, semelhante a uma mãe que consola seu filho quando ele pede algo que ela não tem no momento e começa a chorar, e ela vem fazer carinhos na sua criança. Assim foi a chuva para mim naquele domingo, 28 de Março de 2010.


quinta-feira, 25 de março de 2010

A morte de Rodrigo

A vida...


Ah vida! Não compreendo bem as tuas nuances. Confesso que te amo, mesmo que as dores que você traz muitas vezes sejam impossíveis de explicar, não consigo não te amar. Mas hoje...


Hoje você foi muito cruel. Foi covardia, chego a pensar. Por que você fez isso? Não vida, não encontro palavras que possam descrever meu estado de espírito, a dor que inflama a minha alma, a tristeza que inunda o meu ser.

O dia de hoje tinha tudo para ser normal. O professor de Sociologia e Antropologia não foi hoje. Mesmo assim, nada de anormal. Eu discuti com muitos colegas de classe defendendo minhas idéias a respeito à sexualidade. Confesso que não gostei muito, mas até aí, nada fora do comum, até porque alguns vieram falar comigo depois falando que foi brincadeira o que disseram. Fui comprar uma estante de ferro para colocar meus livros. Não é sempre que compro coisas móveis para o meu quarto, mas tudo isso era esperado. Assim que como era esperado, no sentido de que não foi algo absurdo, incomum, a falta do professor. Como era esperado que meus colegas de Direito, que são heteronormativos, falasse o que ouvi. Essas coisas eram esperadas. Mas...


Chegar a minha cidade, antes mesmo de descer do carro, e ver uma movimentação de pessoas assustadas, desesperadas, ávidas por informações de algo ainda não claro, não era esperado.


E não era mais esperado ainda o que ouvi das pessoas que estavam desde a parada de táxi até a praça principal de minha cidade, assustadas, falarem o que aconteceu. Não, Deus queira que tudo ocorra bem, que um milagre aconteça, era o que eu e as pessoas esperávamos. Isso era esperado. Mas nem sempre o que a gente espera acontece... Por que vida? Por quê?


Eu tava com um a estante desarmada nos braços, mas ainda assim consegui parar um instante e ouvir informações que todo mundo queria saber, que todo mundo torcia para não ser verdade.


Cheguei na minha casa. Não encontrei minha mãe. Ela estava na praça, junta com uma multidão de pessoas, querendo saber as informações difíceis de aceitar. Até ai, todo mundo esperava um milagre, a intervenção divina para aquele caso já dado como terminado, mas a fé busca um milagre. O esperado milagre não veio. Por quê? Ah, vida... Vida, vida, vida...


Rodrigou morreu. Estava no mercadinho do pai. Subiu para o andar de cima, que está sendo construído, para dizer ao pai que iria cortar o cabelo. O pai não estava mais. Quando ia descer, escorregou e chocou-se num fio de alta tensão. As pessoas que viram o acontecido já comentavam a respeito de sua morte. Mesmo assim, é próprio do ser humano esperar, em casos assim, uma solução impossível aos olhos humanos. A fé pode tudo, não é verdade? Mas...


Rodrigo não era meu amigo. Fui professor de História de Rafael, seu irmão, no 8º ano e um bimestre do 9º ano. Rafael é um cara que estimo muito. Bem agitado na escola, diferente do que me diziam a respeito de Rodrigo. Mas isso não me faz não gostar dele. Tive algumas aulas da crisma com Rodrigo. Mas ele se crismou antes. Observei muitas vezes, nas missas dominicais, ele, Rafael, seu Severino e dona Margarida, sentados no primeiro banco da Igreja. Uma família de fé católica considerável.


Rodrigo sempre me cumprimentava quando me via. Educado. Atencioso. Trabalhava no mercadinho do pai. As compras de minha casa são feitas lá. Meu pai gosta muito de seu Severino. Um empresário atencioso com seus clientes.


Um jovem de 16 anos que tinha tudo para ter um futuro brilhante, mas que teve seus sonhos e desejos interrompidos abruptamente pela vicissitude da vida.


Quem me conhece sabe que toda vez que morre uma pessoa jovem eu fico triste. Penso nos sonhos que ele ou ela teve e das oportunidades de realizar que não teve. Morrer um/uma jovem é uma coisa que não compreendo e que nunca vou compreender. O ser humano existe para viver planamente a existência e morrer quando o corpo físico não se adequar mais as situações terrenas. Por pior que seja o comportamento de um/uma jovem, é difícil aceitar quando ele/ela tem a linha da vida cortada. E quando morre um jovem, como Rodrigo, que todo mundo gostava, que todo mundo sabia que ia ser um cidadão honesto, trabalhador, de fé e que podia contribuir na construção de um mundo melhor, aceitar é quase impossível.


Chorei por Rodrigo. Perguntei-me e continuo a me perguntar: Por quê? Por que Rodrigo? Não encontrei resposta. Deus o chamou? Não acredito. Prefiro acreditar que foi um acidente a pensar que Deus tenha feito isso. Não. Pelo contrário, o projeto divino é de vida plena; Jesus veio para deixar esse projeto mais viável. Deus não interrompe a vida imatura de uma pessoa. Por quê?


Não sei mais o que dizer. Já rezei por Rodrigo. Mas vou rezar mais ainda pelo seu pai, sua mãe e seu irmão. Sei que Deus vai consolar essa dor inconsolável. Mas, ainda assim me pergunto: Por que Rodrigo morreu?

segunda-feira, 22 de março de 2010

Quem sou *

Eu vejo a vida melhor no futuro [...]

Eu vejo a vida mais clara e farta

Repleta de toda satisfação que se tem

Direito do firmamento ao chão. [...]

Eu vejo um novo começo de era, de gente fina

Elegante e sincera

Com habilidade para dizer mais sim do que não, não, não...

[...]

(Tempos Modernos, Lulu Santos)



Quem eu sou? Faz tempo que tento responder essa pergunta, mas não consigo. Crise de identidade? Talvez! Depois que tive contato com as teorias pós-modernas das identidades, nunca mais tive certeza de nada. Sou humano! Mas isso não basta para identificarem a minha pessoa. Sou sonhador, isso sintetiza a minha existência.

Até bem pouco tempo, mais ou menos cinco anos, eu tinha uma certeza concreta de quem eu era. Um jovem evangélico que ia ser missionário em algum lugar do continente africano, para “salvar” as pessoas “perdidas” que lá habitam. Meu objetivo no mundo era esse: ir pelo mundo levando a “salvação” (a salvação cristã).

Sempre tive desejo de ser político. Desde a minha infância sempre fui inclinado para a política. Lembro-me das vezes que assistia aos programas eleitorais e meu pai me pedia para desligar a televisão, uma vez que ele odiava política, partindo da premissa de que “todo político é ladrão”. Mas fui crescendo e o sonho de um dia chegar a um cargo executivo foi aumentando também.

Somente quando rompi com a Igreja Universal do Reino de Deus, em 2002, por motivos políticos, e passei a fazer parte da Igreja do Betel Brasileiro, descobri a aventura das missões. E a partir daí, mudei o desejo de ser político para ser missionário em lugares ermos da terra.

Fiz o vestibular para História, em 2004, com a intenção de conhecer o desenvolvimento da humanidade para poder usar esse conhecimento em meus futuros sermões. Naquele ano de campanha política, participei timidamente de todo o processo, já que minha vocação era outra. Assim eu pensava.

Quando ingressei na faculdade, em fevereiro de 2005, minhas certezas começaram a ser abaladas. Minhas verdades foram questionadas. Minhas identidades fragmentadas. Paulatinamente, a vivência acadêmica e o conhecimento foram respondendo a anseios que a religião protestante não conseguia, com todas as suas verdades, responder.

Livros, amigos, professores foram fundamentais para a minha metamorfose de um jovem evangélico radical, etnocêntrico para um jovem aberto e plural.

As leituras, os estudos abriram a minha mente. Passei a compreender que não existe uma cultura superior a outra, que não existe uma religião melhor ou outra pior, que não existe uma verdade absoluta, que não existe uma heterossexualidade natural e outras sexualidades desviantes e que por acreditarem nessas certezas, homens e mulheres promoveram, ao longo da História, guerras, ódios, preconceitos e discriminações.

Eu tinha que romper com a religião para poder viver de acordo com as idéias e correntes que me fizeram mudar a minha visão de mundo. Somente em 2008, consegui a força necessária para tanto. Tornei-me católico. Apesar de não concordar com muita coisa do que a cúpula da Igreja fala sobre a sexualidade e o corpo, encontrei nela um espaço democrático para expressar e discutir meus pensamentos.

Sou bastante plural. Inspiro-me na esquerda, porque não vejo corrente política mais democrática do que ela. Mas estou aberto a qualquer partido ou ideologia política que queira melhorar o mundo, seja de direita, centro ou de esquerda. Odeio todo tipo de sistema político autoritário e centralizador. Odeio toda forma de preconceito seja por cor, região, classe social e, sobretudo, de orientação sexual.

Sou cristão católico, porque tenho Cristo como salvador e como modelo para minha jornada terrena, mas não considero minha religião melhor do que a hinduísta, do que a umbanda ou qualquer outra existente na terra. Todas as religiões procuram aproximar as pessoas do sagrado, e a necessidade de transcendência é inerente a todos e todas, por isso se uma religião é capaz de alcançar esse objetivo ela, a meu ver, é válida.

Acredito que um outro mundo é possível. Um mundo de uma economia mais justa, mais solidária, de pessoas mais fraternas, de religiões mais tolerantes. Um mundo onde as pessoas sejam julgadas por suas capacidades e não por ser branca ou negra, rica ou pobre, heterossexual ou gay, católica ou muçulmana.

Fiz o vestibular de Direito porque acredito que muitas injustiças que fazem parte da sociedade tem a sua raiz na maneira como a lei é formulada, entendida e aplicada. Acredito que posso contribuir no sentido de fazer justiça e diminuir as desigualdades.

Por tudo isso, a única resposta que tenho, quando sou inquirido quem eu sou, é que eu sou, simplesmente, um sonhador. Mas não fico somente nos sonhos. Tenho buscado pôr em prática tudo aquilo que me move nessa vida.



* Texto elaborado para a disciplina Linguagem e Argumentação Jurídica do curso de Direito - Campus de Guarabira

terça-feira, 16 de março de 2010

Meteoro da paixão, Eu e a Outra Parte

Te dei o sol, te dei o mar
Pra ganhar seu coração
Você é raio de saudade
Meteoro da paixão
Explosão de sentimentos
Que eu não pude acreditar
Ah! Como é bom poder te amar

Ah, o amor! De novo ele vem em minha mente. De novo ele volta a ser assunto para uma postagem nesse blog, que quase ninguém ler, uma, duas ou três pessoas sempre me falam que leram algo que coloquei aqui. Mas escrevo como uma forma de exorcizar o que me perturba por dentro ou de exteriorizar o meu estado físico, religioso, social e, mormente, afetivo. Por isso, volto ao amor.

Meteoro da Paixão de Luan Santana é uma música que bombou. Em todas as rádios, em muitos celulares, nas festas, nos lábios das pessoas, essa música é tocada e cantada. Sua letra é bem interessante. Para quem está apaixonado ou amando ela é ideal para pensar na Outra Parte.

Depois que eu te conheci fui mais feliz / Você é exatamente o que eu sempre quis. Nossa, essa experiência me é familiar, rsrsr. Depois que conheci minha Outra Parte estou muito feliz, mais feliz do que nunca. Ela representa tudo o que desejei numa pessoa para um relacionamento: é bonita, inteligente, carismática, moderna, carinhosa, cheia de fé, tem um sabor delicioso, rsrsrs.

Eu não podia e nem quero desejar algo além dela. Ela me completa! Minha Outra Parte me faz ser mais humano, me faz ser mais Eu. Nada é mais chato quando um relacionamento rouba a identidade da pessoa, despersonaliza o sujeito, criando uma máscara para satisfazer o Outro. Um relacionamento, onde existe afeto de verdade, não é preciso que um deixe de Ser para agradar o Outro. Pelo contrário. Os dois devem se respeitar, aceitando as diferenças, cedendo no que for necessário, mas nunca deixar que sua identidade seja seqüestrada por quem quer que seja. Por isso me sinto feliz! Somos sujeitos de identidades distintas que se completam! Ela se encaixa perfeitamente em mim / O nosso quebra-cabeça teve fim.

Se for sonho não me acorde, é que sempre desejo! Mas não é sonho. Já tirei a prova de que é real essa experiência sublime que vivo. O sonho que tenho, que alimento, que desejo realizar é está ao lado de minha Outra Parte, em breve, viajando pelo mundo sem fronteiras, realizando todas as fantasias e desejos que temos e sermos felizes até que a morte nos separe ou como disse o velho poeta que seja infinito enquanto dure.

sábado, 13 de março de 2010

Ele no fim da tarde de sábado

Ele está angustiado.

Ligou a TV. Colocou Queer as Folk. Fazia tempo que tinha comprado, obviamente que na pirataria, a série, mas não tinha tido tempo de terminar a Quarta Temporada toda. Agora à tarde, depois de começar a ler A Cabana, e assim que o crepúsculo se iniciara, decidiu assiste a série.

Seus pensamentos, contudo, impedem sua concentração nos eventos vivenciados pelos personagens no último capítulo da Quarta Temporada. Cada paisagem, cada encontro, cada comemoração, cada paquera e beijo que são mostrados na tela, ele se imagina experimentando com a sua Outra Parte.
Está deitado no tapete da sala, muda de posição a todo instante, os dois travesseiros que estão sob sua cabeça não são capazes de facilitar a sua atenção no que vê na TV. Só pensa na sua Outra Parte. Ela está distante. Ele está incompleto.

É sábado. Agora a noite ele foi convidado para ir à casa de um amigo, que estuda em outra cidade e que só vê raramente, para comer uma pizza. Vai levar uma Coca-Cola como bebida. Ele prefere vinho, mas não vai ser possível beber hoje. Ainda que tenha esse programinha para esta noite, ele daria tudo para está com a sua Outra Parte.

O que será que Ela está fazendo agora? Pergunta-se. O que Ela fará hoje à noite? Com quem vai sair? Aonde deve ir? Será que vai ficar até tarde na rua ou dormir cedo? Essas interrogações lhe deixa mais angustiado. Sente uma ponta de ciúme. Sua Outra Parte está longe.

Ele pega o celular. Manda um SMS. Faz meia hora que, enquanto assisto uma série, meu pensamento é tomado por você. [...] EU TE AMO CADA VEZ MAIS. Não sei como explicar, mas sou LOUCO por VOCE! Essa é a mensagem que ele envia para o celular de sua Outra Parte.

Vai para o PC. Entra na Net na esperança Dela está on line. Entra primeiro no Orkut. Não está. Abre o MSN. Também não está. Ele fica triste. Mas acredita que, em breve, a vontade que está o consumindo por dentro, será realizada.

Prepara-se para sair de casa e tentar ocupar sua mente com as banalidades do cotidiano medíocre que vive.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Não digo coisa com coisa

São 14:52.
Já tentei escrever três vezes neste blog. Mas as idéias não estão em acordo.
Comecei a falar de amor. Deu errado.
Tentei falar sobre a vida. Deu errado.
Já teve dias que eu começava a escrever algo e em alguns segundos eu tinha um texto pronto, acabado e poético, até, rsrsrs.
Mas, hoje, devido ao clima quente, a tarde lerda, o ambiente sem graça, as conversas ao meu redor, as palavras fogem da minha mente.
Por isso, vou escrever o que vier a minha mente agora. Mas só vem coisas sobre a falta de idéia para escrever uma postagem aqui.
Do meu lado minha compaheira diz que foi numa loja da minha cidade e encontrou uma calça por R$ 200,00. Nooossa! É cara pra caramba! Nunca comprei uma calça com esse valor. Acho um exagero alguém que ganha um salário mínimo comprar uma calça desse valor.
O pior é que a Campanha da Fraternidade desse ano lasca o pau no consumismo exarcebado que é uma característica típica da sociedade hodierna. 
Pronto!, achei uma tema pra falar nessa postagem: a Campanha da Fraternidade Ecumênica. Contudo, não vai ficar legal eu começar a falar sobre a CFE 2010 no meio de um texto, né? Mas eu disse que vou falar sobre o que vier a minha cabeça e no momento tou pensando na Campanha da Fraternidade!
Aqui na minha paróquia quase ou nada tem sido falado sobre a CFE. Nem o hino oficial, até que é bonitinho, falo bonitinho no sentido carinhoso e não no sentido que o povo diz que  siginifica feio três vezes. 
Aliás, o povo fala cada coisa. 
Um dia desses, mais precisamente domingo, durante uma reunião de planejamento da Catequese da minha paróquia, enquanto a gente falava sobre a CFE, de repente surgiu uma discussão sobre ser pobre e tal. O povo tem um dizer que diz que pobre é o diabo ou dxabo, que são ricos pela graça de Deus e tal. Foi quando um camarada disse que era pobre e nem por isso era o demônio. Disse mais que se pobre fosse o demônio Jesus não tinha falado aos pobres, o evangelho não seria boa-nova aos pobres. Isso veio como uma iluminação na minha mente. Da próxima vez que um pobre dizer que pobre é diabo/dxabo, vou perguntar a quem foi que Jesus disse que o evangelho seria boa-nova, se aos diabo/dxabo ou aos pobres.
Oxe, fugi do que eu tava falando. Era sobre a música da CFE. Como eu dizia é bem bonitinha. Não decorei ainda. Nem vou colocar aqui nesta postagem. Até porque o tema desta postagem não é sobre a CFE, mas sobre o que vier na minha cabeça.
Já perdi o meado do texto.
Do meu lado minha companheira fala sobre compras novamente. Diz que algumas lojas caíram.
Ah, vou mudar de assunto. Já que falei acima da Catequese, tou conversando com uma amiga que conheci durante uma reunião diocesana da Catequese. Gosto tanto dela. Falo da minha amiga, mas gosto muito da Catequese também. A propósito,  a Catequese foi essencial para as mudanças que ocorreram na minha vida nos últimos tempos. Até minha vida afetiva foi afetada pelas pessoas que conheci durante os encontros da Catequese... O que vivo hoje está diretamente ligado ao encontro de Catequistas que houve no ano passado em Sante Fé...
Do meu lado minha companheira de trabalho fala sobre a mulher do segurança da prefeita.
Vou encerrar essa postagem tomando um copo com água.

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