sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A primeira vez dele



Parece que foi ontem...

Ele sente isso. Não entende, contudo, o motivo da lembrança ter voltado agora. Faz tanto tempo. Ultimamente, volta e meia, acontecimentos antigos voltam com força em seus pensamentos.

Estava trabalhando em um evento da universidade que estuda. Era monitor. Andava de um lado a outro dos corredores observando os grupos de trabalhos, as apresentações, verificando se andavam precisando de alguma coisa. De repente os olhares se cruzam. Sentiu um choque. Uma novidade para ele. Nunca havia sentido isso.

Na sala da coordenação estavam servindo lanches para os monitores. Ao vê-lo tomando um copo de refrigerante, a outra aproveita a oportunidade e pede um pouco.

Depois do evento encontram-se pelo Orkut. Naquele tempo, a rede social não era tão banalizada como é hoje. Mas os contatos são poucos.

Um ano depois tudo seria diferente...

Final de 2006. Mais uma vez um evento na faculdade. Era de outro curso. Mas ele sempre foi curioso por todo tipo de conhecimento ligado às humanidades. Até hoje é.

Dessa vez se conhecem de fato. Surge uma intimidade entre ambos. Voltam a se encontrar pelo Orkut, já que a outra tinha excluído o perfil. As conversas se intensificam. No MSN a conversa passa da política para uma disposição de vivenciar algo novo, diferente, ousado.

Mais uma vez se encontram na faculdade. Era durante a tarde. Uma tarde bonita, diga-se de passagem. Depois de irem a uma lanchonete, ele fala sobre um açude que existe em um sítio bem depois da faculdade. O convite é logo compreendido. Juntamente com duas colegas, vão para esse local.

Sentam-se na grama ao chegar. Ficam olhando a paisagem à frente, o açude médio, crianças que tomam banho. A vegetação verde ao redor. Era tempo de cajus. A outra nunca tinha chupado um. Prova pela primeira vez, já que ele gostava muito da fruta.

Ambos saem para ver o que tem ao redor. Sobem uma pequena serra. Sentam-se embaixo de uma mangueira. O coração dele palpita diante da possibilidade do que vai acontecer. Ele, à época, era tímido pra caramba. Nem sabia beijar direito. Mas só se aprende fazendo.

O beijo acontece. Ele sente uma paz envolver seu ser. Sente a maciez dos lábios dela. Que beijo gostoso, lembra saudoso.

Ficam um tempo entre conversas e troca de carícias. Perdem a hora. As colegas vão à busca, já que tanto ele quanto ela moravam em cidades diferentes e corriam o risco de perder seus transportes.

Voltam de mãos dadas. Volta e meia rola um beijinho. Despedem-se. Ele volta pra casa radiante, feliz, sentindo algo que nunca havia sentido em toda a sua vida. Pela primeira vez, nasce dentro dele um sentimento que não acreditava existir. A partir de então, passou não só a acreditar como a defender o amor em todas as suas cores.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Voltar ao passado



De Volta para o Futuro era uma série animada que eu adorava quando criança. A possibilidade de voltar ao passado me encantava ao mesmo tempo em que me assustava. Cada viagem que Marty McFly e o Doutor Brown e companhia faziam enchia meus olhos e minha mente infantil de fantasias e possibilidades de que essa faculdade me fosse possível um dia.


Recentemente ao ler Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban vejo uma cena em que a possibilidade de voltar ao passado não é só real como é possível também interferir em algo para conseguir um objetivo. E dar certo o plano de Harry e Hermione para conseguir com que Sírius fuja de Hogwarts antes de ser, injustamente, condenado.

 
Eu queria voltar ao passado! Na minha última postagem, minha dileta amiga Greice disse, ao comentá-la, que "O passado é um fio, você puxa e ele vem à tona...". Concordo! Uma música, um aroma, uma paisagem é capaz de me fazer retornar, através da memória, há um tempo consumado. Isso acontece amiúde comigo. Existe um tipo de sabonete que toda vez que uso é impossível impedir lembranças bastante vivas, mesmo que de anos atrás, retornar a minha mente.

Mas não é esse tipo de retorno ao tempo consumado que desejo. Queria voltar do mesmo modo que Marty McFly e Doutor Brown em De Volta para o Futuro. Melhor ainda. Queria voltar como voltou Harry e Hermione que fizeram à experiência para interferir no tempo pretérito, conscientes, bem planejada e que no final deu certo.

 
É um tanto quanto uma heresia de minha parte desejar isso. Como cristão isso contraria meus princípios. São Paulo uma vez disse que se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas antigas passaram, eis que tudo se fez novo. Mas não posso esconder o anseio que sinto quando penso a propósito.

 
Mas o passado não existe. O futuro também não existe. Só o presente é real, é concreto, é possível de mudar, de interferir, de aprumar o que está torto. E é nesse tempo que devo redimir minhas culpas de ontem e construir meu mundo de amanhã. Mesmo que persista a angústia de erros anteriores, tenho que me esforçar para não repeti-los hoje e fazer alguma coisa para sarar as feridas que fiz. Só o hoje existe. Só ele me pertence. Apesar de saber disso eu desejaria, ainda que uma única vez na vida, voltar uns segundos e não tomar uma atitude que hoje, depois de dois anos e alguns meses, me deixa com remorso e profundamente arrependido.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Um amigo, duas reações





E agora, o que eu vou fazer?
Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus?
E as lágrimas não secaram com o sol que fez?

Minha segunda-feira termina vendo um vídeo do Youtube enviado por um amigo muito especial no meu Orkut. Foi um dia abençoado. Cheio. Feliz.

Eu tinha acabado a pouco tempo de teclar, pelo MSN, com esse amigou que enviou o vídeo. Ele é do tipo que me fez bem quando a gente se encontra, quando ligo pro celular dele, quando a gente conversa pela Net. Nesse fim de segunda-feira, ele foi uma peça fundamental para meu estado de espírito.

Eu estava lendo O Aleph, o livro mais recente de Paulo Coelho. Volta e meia, interrompo a leitura para tomar café, água, comer pão, falar ao celular, ir ao banheiro, marcar um encontro com uma pessoa que fazia tempo eu desejava. De onze e pouco da noite, entro no MSN. Eu queria muito conversar com um colega. Desde domingo à noite, todas as vezes que fico on line, é pra tentar teclar com ele. Mas ele nunca está. Nessa noite sinto que ele vai está. Tenho a conversa toda projetada em minha mente. Não é nada demais. Queria só dizer como tenho passado desde sexta-feira. Mas assim que fico disponível não tenho coragem de iniciar uma conversa. Nem ele pretende falar comigo.

Puxo uma conversa com esse amigo já mencionado. Eu emprestei O Alquimista, um livro que já li algumas vezes e que pretendo ler outras. Fiquei com medo dele não gostar da leitura. Domingo à tarde, ele me disse que tava lendo algumas páginas por dia, uma vez que tinha dois livros para ler também. Contudo, agora a noite, ele me disse ter terminado o livro e ter adorado também. Nossa, como isso me deixou feliz.

Começamos a conversar sobre o livro. Minha alegria aumenta. Eu já estava meio sensibilizado com a leitura de O Aleph e com o encontro que tenho marcado para ocorrer esses dias vindouros, mas fico mais radiante ainda. Entrei no MSN para conversar com um colega, esse era meu objetivo, mas não consigo. Converso com esse amigo que eu nem esperava encontrar online e ele termina “substituindo” o desejo não alcançado.

Escrevo tudo isso no meu Twitter. Fico off-line. Saio da rede social mais balada do momento. Quando vou fechar meu Orkut, vejo o vídeo que ele me mandou. É da música "N" de Nando Reis. Desconhecia a canção. Espero o vídeo carregar e volto a ler O Aleph.

Depois começo a ver e ouvir o vídeo. Gosto nos primeiros instantes.

A letra, as imagens, contudo, me faz lembrar do relacionamento há poucos dias terminado. A imagem da minha ex Outra Parte vem à tona em cada estrofe da canção. Penso nela como se eu estivesse nos dias seguintes depois que a gente ficou pela primeira vez.

Confesso que ainda gosto dela. Hoje estamos amigos. Sou feliz com isso. Contudo, essa música abriu uma fenda que eu pensava está fechada. Reacendeu, ainda que em pequena proporção, um sentimento que já não alimentava mais.

Veja como são as coisas. No começo, esse amigou me deixou radiante de felicidade. Depois, mesmo sabendo que o propósito do vídeo é uma forma de demonstrar nossa amizade e a saudade que sentimos mutuamente, já que o refrão diz “espero que o tempo passe, espero que a semana acabe para que possa te ver de novo...”, o efeito produzido em mim foi outro.

Não vou deitar triste. Deito feliz. Só que ao encostar a cabeça estarei pensando “E agora como eu posso te esquecer? Se o seu cheiro ainda está no travesseiro?”

sábado, 14 de agosto de 2010

Uma amiga que sofre



Susto!

A primeira reação que tive quando uma amiga ligou agora a pouco para mim foi de susto. Pelo telefone ela chorava desesperada, dizia que precisava de mim. A primeira coisa que pensei foi na possibilidade de seu pai, já um tanto idoso, ter falecido. Saí de casa apressado. Não disse nada a minha irmã que estava vendo TV.

Quando a vi ela foi me pedindo um dinheiro emprestado. Logo pensei que tinha me pregado uma peça fazendo eu sair de casa depois da meia-noite para me pedir grana. Mas ela não parava de chorar. Dizia que era o fim. Só depois me explicou o motivo de sua angústia.

Desde que nos conhecemos ela sempre fez questão de ressaltar o seu relacionamento de anos. Ainda que, muitas vezes, em tom de brincadeira em nossas conversas, ela falava que não ficaria comigo porque não iria destruir seu relacionamento com o grande amor de sua vida. Ela compartilhava comigo os momentos íntimos que passavam, os projetos para construir uma família, os sonhos que ambos, aparentemente, tinham em comum.

Pois o fim de tudo isso veio pouco depois de chegarmos de Guarabira de um comício de nossos candidatos a governador, senador e deputado estadual. Depois de tantos anos juntos, de planos em fase de andamento, ele pede transferência de seu trabalho para uma cidade distante. A leitura imediata que minha amiga fez foi que isso significa o término de seis anos e quatro meses de experiências afetivas compartilhadas.

Eu fui procurar com ela um moto taxe que a levasse a uma cidade próxima com o intuito de conversar, pela última vez, com seu amor, mas não encontramos ninguém. Ela chorava, chorava, chorava. Lastimava-se da vida. Nem parecia a amiga que tantas vezes me fez sorrir com o seu jeito carinhoso e brincalhão que me tratava.

Eu não tinha palavras para dar conselhos. Em momento assim o melhor a fazer é escutar o desabafo da pessoa que sofre. Qualquer palavra não é capaz de diminuir a dor lancinante de quem sofre por amor.

Por que as pessoas sofrem tanto por amor? Seria tão bom se pudéssemos prever o que aconteceria conosco e com a pessoa que a gente ama depois de um tempo. Mas infelizmente o amor que se prevê não é tão bom, tão gostoso. O bom desse sentimento, às vezes, agridoce, é a surpresa. Pode durar pouco tempo, um tempo médio ou um tempo longo. É como se fosse um jogo de azar. Podemos perder feio. Mas podemos ganhar muito. Depende da sorte que tivermos.

Uma coisa ela falou com sensatez. Vão ficar em suas lembranças os momentos bons vividos. E concordei com ela. Afinal de contas, não é porque um relacionamento chega ao fim que a outra pessoa merece ser banida da memória.

Quanto o tempo o coração leva prá saber que o sinônimo de amar é sofrer...


PS: Durante essa semana essa é a terceira amiga que desabafa comigo problemas sentimentais. Não sou especialista nem exemplo nessa esfera da vida humana. Pelo contrário. Terminei um relacionamento há pouco tempo. Será que minha lenda pessoal está ligada a essas experiências com as outras pessoas?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um dia frio...




Nunca senti tanto frio como tenho sentido ultimamente em minha cidade. Tenho lembranças de períodos chuvosos por aqui. Mas de uma temperatura tão baixa acho que nunca experimentei como agora. Tem batido uma saudade do calor. Saudade de quando eu ficava em casa sem camisa, com shorts curto, quase pelado. Agora sempre estou de calça em casa. Às vezes, uso até meias nos pés.


Mesmo com saudade do calor eu gosto desse tempo. Sinto-me fragilizado. Fico mais sentimental. Sinto ausência de alguém que pudesse ver uma comédia romântica comigo na sala da minha casa, comendo pipoca ou bebendo algo que pudesse esquentar.


De repente vem a minha mente a música Ritmo da Chuva. Lembro de uma vizinha, quando eu era criança, que escutava essa canção sempre. Nesse dia frio e dia chuvoso aqui em Alagoinha ela veio como uma oração. Comecei a cantar e a colocar trechos dela no Twitter.


A cada gota que cai eu vejo meu amor. Um amor que ainda não existe. Que talvez nem tenha nascido. Mesmo assim eu vislumbro um sentimento correspondido na dança da chuva.


Falo com um amigo de uma paquera que descobri recentemente. Mas a idade é um fator que complica qualquer relação passional que possa nascer, pelo menos no momento presente. A resposta dele é que o amor não tem idade e nem sexo. Não precisa dizer que concordo com essa afirmação. Tá na minha cara e na minha vida.


A chuva continua cair. O frio intensifica-se. Penso que seria legal ter essa paquera aqui comigo, nos meus braços, no meu colo. Estou com uma vontade danada de mandar um sms ou ligar para ela. Mas estou no meu trabalho.


Por incrível que pareça a mulher que trabalha comigo começa a cantar Ritmo da Chuva. Ela nem imagina o que escrevo. Mas dizem, e eu acredito, que existe uma linguagem universal que todas as pessoas entendem. Em dia frio e chuvoso, acredito, ela se manifesta melhor. É a linguagem do amor. Por isso, ela canta essa música mesmo sem saber que passei a manhã todinha ouvindo-a e que estou com ela no pensamento e nas minhas emoções.

Chuva traz o meu benzinho, pois preciso de carinho...

Um dia frio. Um bom lugar para ler um livro. Um bom clima para amar.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Alguma coisa sobre o perdão


A reportagem especial da Veja desta semana é sobre o perdão. Assinada pela jornalista Ana Claudia Fonseca e com reportagem de Júlia Carvalho, O poder do Perdão, é uma leitura agradável e bem documentada. Em oito páginas, a revista diferencia o perdão religioso do perdão laico. Detendo-se, em especial, no último.


Falar em perdão é muito difícil. Na religião cristã, padres, pastores, religiosos (as) em geral, ressaltam o perdão como uma grande virtude. Jesus mesmo disse que devíamos perdoar nossos inimigos setenta vezes sete o número de vezes que for necessário. Na prática, isso não ocorre. Quando alguém nos fere, nos agride, seja em palavras, gestos ou fisicamente, a primeira reação que temos é de revidar. Isso faz parte do instinto natural do ser humano. Quando eu era evangélico, o pastor da Igreja que eu fazia parte, explicava que não era pecado reagir quando formos atacados, ou seja, em legítima defesa. Lá era ressaltado sempre o perdão de Deus a nossos pecados. Mas o perdão que pressupõe o reconhecimento da culpa, um arrependimento sincero e uma disposição para apagar os ressentimentos, pouco ou nada era ressaltado. São essas as três características que a reportagem coloca como o perdão laico, aquele que é próprio da pessoa humana, sem nenhuma interferência religiosa.


O perdão é visto, pela reportagem, como uma via de mão dupla nas faces da vida contemporânea – ente marido e mulher, entre colegas de trabalho, entre nações, entre empresas e consumidores. Mas nem sempre foi assim. Essa idéia de perdão é recente na história ocidental. O filósofo David Konstan assinala que até o Iluminismo, no século XVIII, o perdão só existia com a intermediação divina. Em várias sociedades, por exemplo, os erros humanos eram atribuídos ao capricho dos deuses, como na Grécia antiga.


O sentido moderno de perdão, separado, portanto, da religiosidade, surgiu com Kant. Ele insistia na autonomia moral do homem em relação a Deus, possibilitando um entendimento secular de perdão entre as pessoas, na qual o remorso e a mudança interior do agressor deveria ser julgada pela pessoa ofendida e não mais por Deus, vendo o agressor como merecedor do perdão. O texto continua afirmando que a pessoa que se arrepende de seus erros não faz isso por ser virtuoso, mas porque a natureza humana é capaz de mudar.


Outro filósofo, Charles Griswold, estabelece três passos básicos para obter perdão. Assumir a responsabilidade pelo erro, repudiar claramente o erro, mostrando que não se pretende repeti-lo e, por último, exprimir arrependimento pela dor causada ao próximo.


Um aspecto importante destacado na matéria é o benefício que o perdão traz para a saúde dos envolvidos. Não é necessário fazer uma pesquisa científica para se comprovar isso. Se olharmos ao nosso redor e observamos as pessoas mais infelizes, mais angustiadas, que já não possuem mais a força vital da existência, a história de vida delas está associada a fatos pretérito que lhes causaram mal e a não liberação de perdão. A psicóloga Ana Maria Rossi disse que quem não perdoa não se liberta da raiva e revive o erro o tempo todo, o que acaba se tornando uma poderosa fonte de stress. Um estudo da Universidade Harvard revelou que o risco de sofrer problemas cardíacos é duas vezes mais alto em pessoas que guardam rancor de maneira prolongada.


Não perdoar só prejudica a pessoa ressentida.


A revista Veja chegou a minhas mãos na quarta-feira pela manhã assim que cheguei da faculdade. Relutei em ler. Passei por uma experiência nada agradável nesses dias últimos. Mas nada é por acaso. Na mesma semana que vivi essa experiência a reportagem de capa da revista que assino é sobre perdão. Pensei em ler ontem pela manhã e escrever um texto a respeito depois. Mesmo assim esperei. Ontem à noite, de repente, veio um desejo incontrolável de resolver a situação que estava me deixou ofendido e magoado. Mandei um e-mail. Recebi a resposta. Fiquei em paz, tranqüilo, renovado interiormente. Só depois do programa Direção Espiritual com Padre Fábio de Melo na Canção Nova é que fui ler a revista. Sem medo. Sem ressentimento. Antes de ler a última frase da reportagem eu já havia, há pouco tempo, experimentado a sensação de liberdade que se apodera de quem perdoa e está disposto a começar uma nova história.


Perdoar, antes de ser um gesto de amor ao próximo, é um gesto de amor próprio.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ele no fim




Ele pensa, pensa, pensa...

Deseja, faz tempo, o momento de poder conversar. De dizer tudo que está sentido. De desabar suas mágoas. Já conversou com um amigo muito dileto. São cúmplices em muitas coisas. Parecidos em muitos aspectos. Um entende o outro. A dor de um não é alheia a dor do outro. Ultimamente, eles se falaram ao celular. Ele deseja coragem, força para poder conversar com sua Outra Parte sobre os caminhos sinuosos do relacionamento.

Faz dias. Semanas até. Ele não ver mais como continuar. Não quer ser tratado como príncipe. Muito menos como plebeu. Quer ser tratado apenas como devem ser tratadas as pessoas que participam de um relacionamento. Deseja, tão somente, reciprocidade de sentimentos, de atitudes.

Chegou a chorar.

Mas o dia chegou. Na semana anterior, ele tinha enviado um e-mail. Queria poder externar toda a sua dor. Mas acabou, devido o afeto forte que nutre pela Outra, fazendo o contrário.

Antes de começarem a teclar pelo MSN, ele estava um bom tempo no Twitter. Jogou um pouco de estado emocional por lá. Disse, inclusive, está em buscar de um novo amor. Somente um novo amor pode fazer esquecer um amor antigo. Ele sabe disso. Teve experiência pessoal.

A conversa começa. A Outra coloca de forma direta a conclusão. Não explica muito os motivos. Então ele entra. Desabafa. Vocifera pela janela do MSN suas mágoas. Está emocionado. Lagrimas vertem de seus olhos. Não desejava esse fim. Admite que vai demorar um bom tempo para esquecer o seu amor. Mas deixa sua Outra Parte livre. Livre para fazer o que ela já vinha fazendo. Só que agora sem o peso de ter um namoro.

Despede-se. Chora mais um pouco. Deita na cama. Enrola-se. Sente uma dor no peito. Pensa, pensa, pensa... Tudo poderia ter sido diferente. Mas ninguém é dono de ninguém. De repente o seu celular toca. Sua agora ex Outra Parte está ligando. Pra quê? Ele não atende. E disse pra si mesmo que não vai atender ligações dela tão cedo. Ouvir a voz de quem um dia fez tantas declarações amorosas, planos para um futuro juntos, ajuda a aumentar as feridas que estão na sua alma.

Mal consegue dormir. Desperta logo cedo. Não está bem. Liga o rádio. Uma música que pede uma chance para amar está tocando. Terá sido um pesadelo? Ele olha pro celular. Ver a ligação não atendida. Era uma hora e trinta e sete minutos. Sente o peso da realidade.

Reza. Toma um banho frio. Como um ritual. Tudo para mostrar que a vida segue em frente. Que novos horizontes podem surgir. E ele está disposto a encarar essa nova realidade que se descortina.

Foram cinco meses de namoro. Pra uns, pouco tempo. Pra outros, um tempo logo. Pra ele, um tempo suficiente para amar e ser amado!

sábado, 24 de julho de 2010

O amor permanece!




Esta semana me perguntaram, pelo Formspring, se eu prefiro não amar, ou se arrepender depois de ter amado. Uma pergunta interessante. Muita gente responde de forma lacônica pelo Forms. Eu cultivei o costume de algumas perguntas responder em forma de um comentário ou de um pequeno texto. Com essa não foi diferente.

Quase não tenho falado mais de amor, seja no Twitter, no Facebook, no Orkut ou nesse blog. A única frase que remete a esse sentimento tão humano e ao mesmo tempo tão divino é um trecho da música Noite e Dia de Jorge e Mateus que está no meu subnick de meu segundo MSN.

Quando o sentimento é forte, intenso e, sobretudo, correspondido na minha vida, costumo expressar por todas as formas possíveis e, em particular, nas redes sociais que faço parte. Quando estou sofrendo também faço a mesma coisa. Quando estou mais ou menos prefiro ficar quieto. É como estou.

Mas a pergunta que me foi feita pelo Formspring me deixou pensativo. Antes, uma amiga tinha me perguntado o que eu escreveria para ela. Como sei que ela anda um pouco apaixonada, escrevi algo sobre o amor. De certa forma escrevi pra mim também ao respondê-la. Eis a resposta:

[...] antes de amar qualquer pessoa, ame a si mesma!

Pense que o amor a outra pessoa, geralmente, é passageiro. Não existe amor eterno. O amor é eterno enquanto dura. Na vida muitas pessoas passam e mechem com nosso coração. Algumas com impacto mais forte, outras menos...

De todo jeito você vai amar muitos caras ainda. Ame cada um como se fosse a última vez. Depois que acabar não se arrependa, pense nos momentos bons que você viveu junto dele. Pense na troca de carinhos, nos beijos, no sms apaixonados, nos tweets que trocaram, nos depoimentos do Orkut...

Mas nunca se esqueça: o amor nunca morre! Muda de endereço, mas permanece para sempre...

Ela gostou do que escrevi (risos).

A resposta que eu dei quando me perguntaram se eu prefiro não amar ou depois me arrepender de ter amado foi à seguinte:

Eu prefiro me arrepender depois de ter amado. Mesmo que o amor não dure para sempre, os momentos bons, os beijos, os abraços, as carícias trocadas... Tudo isso foi bom e ficará pra sempre guardado. Foi um momento que fui feliz. Um instante mágico. Sabe aquele sorriso... Hum... As pegadas... Claro que eu preferia que fosse eterno, mas foi eterno enquanto durou... Como bom chicleteiro eu canto "não vou chorar, nem vou me arrepender, foi eterno enquanto durou, foi sincero nosso amor, mas chegou ao fim".

Eu jamais iria cantar como Adriana Calcanhoto "Rasgue as minhas cartas e não me procure mais, assim será melhor meu bem! O retrato que eu te dei se ainda tens Não sei! Mas se tiver devolva-me!”

Pra tu ter idéia, eu tenho e-mails guardados desde dezembro de 2006... e-mails amorosos. RS

As duas respostas são parecidas. Confesso, contudo, que a última resposta fugiu um pouco da pergunta. Mas é assim que vejo o amor, que vejo um relacionamento. Não adianta, depois que acabou um namoro, a gente ficar se maldizendo, falando mal da outra pessoa. Tudo que as duas pessoas viveram juntos foi bom, foi gostoso, foi mágico e não deve ser esquecido.

Algumas pessoas, sempre após a ruptura de relacionamento, costumam falar que não acreditam mais no amor. Eu tenho um amigo que já me disse várias vezes isso. Muita gente coloca a culpa de seus erros, dos desacertos do relacionamento no amor. Não é assim. O amor não tem culpa de nada. Houve amor enquanto durou o namoro, o noivado e/ou casamento. Ou aqueles momentos de cumplicidade, de desejo intenso, de sorrisos trocados, de conversas intermináveis... não foram bons?

Eu acredito no amor. Esse é um sentimento eterno. Talvez um relacionamento não dure o tempo que foi planejado, sonhado, desejado durante o momento em que o sentimento entre as duas pessoas era forte. Mas existiu. E continuará a existir. Outras pessoas estarão dispostas a amar. Outras pessoas aparecerão na vida da gente e o amor vai ser intenso novamente. Claro que não vai ser igual ao o anterior. Cada amor é único. Não existe um amor igual ao outro, porque o amor faz parte das pessoas e não existe uma pessoa igual à outra.

O amor permanece. O amor dura para sempre, só muda de endereço.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Voto em Ricardo Coutinho

A campanha eleitoral começou. Ainda está tímida. Poucas ações dos principais candidatos ao governo da Paraíba foram feitas até hoje. Aguardei muito esse período começar. Tenho certeza que, dependendo do resultado das eleições, o meu querido estado pode dá um salto em desenvolvimento ou continuar no marasmo que se encontra.

Voto em Ricardo Coutinho. Todo mundo sabe disso. Quem faz parte do meu Orkut, Twitter ou Facebook já viu minhas demonstrações favoráveis ao candidato do Girassol.

A Paraíba está estagnada. O atual governador governa com práticas antigas. Ele recebeu muitas adesões. Em compensação os adesistas ganharam diretamente ou indiretamente cargos na atual gestão. Milhares de cabos eleitorais, eleitores, parentes de políticos foram nomeados. Fico me perguntando como vai ficar a situação dessas pessoas após o término do pleito eleitoral. Eu acho muito difícil a governabilidade da Paraíba com a folha de pagamento abarrotada.

Ricardo Coutinho tem as melhores propostas. É sério. É comprometido com a ética e a seriedade na administração pública. Deu provas disso durante as duas gestões que esteve à frente da Prefeitura de João Pessoa. Muito criticado porque não é de distribuir dinheiro a seus seguidores. Prefere como diz o ditado, ensinar a pescar a distribuir o peixe. Criou o Empreender JP que comprova isso. Construiu várias salas de aula, praças, hospitais. Capacitou os servidores. Implantou o Orçamento Participativo, tornando a gestão municipal democrática.

Ricardo tem projetos para a Paraíba. Quer governar pensando no futuro, nas próximas gerações. Acredito que uma Paraíba mais justa, mais solidária, mais democrática, mais desenvolvida é possível a partir do projeto de Ricardo Coutinho. Por isso voto 40!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Linda

Nossa, como eu gosto de você!

Lembro-me do dia que eu te vi. Eu estava sozinho naquela reunião. De repente vejo você chegando com aquela sua amiga. Que meninas lindas, penso! Sobretudo você, claro.

De repente, imagino o que fazer para falar com você. Já sei. O seu padre é amigo meu. Então, pra poder falar com você, pergunto como anda seu sacerdote, hehe.

Que sorriso lindo é o teu! Um sorriso inocente. Encantador. Fascinante.

Uma semana depois, te vejo em Campina Grande. Fico sem saber como chegar até você. Mas termino chegando, hehe.

Ah eu quero tirar uma foto contigo, posso? Claro! Você nem sabe que eu mostrei a foto na minha câmera a muitas pessoas. Eu falava, olha como a gente forma um casal bonito, hehe. E todo mundo concordou, viu?

Viva a internet! Não sei o que seria de mim sem a Net, sem o Orkut, sem o MSN. A gente começa a conversar por esses meios virtuais. Pouco a pouco vou sentindo algo por você. Será a paixão?

Mas descubro que você tem namorado. Fico meio triste. Mas o que quero é que você seja feliz. Sempre pergunto como anda seu namoro. Reparo que quase todas às vezes você me responde sem muito ânimo. Mesmo assim, meu desejo é que você esteja bem.

Depois conheço outra pessoa. Começo a gostar dela. Mas não sou, no começo, correspondido. Só depois de muito tempo, consigo fisgá-la, hehe.

Você termina seu namoro. Agora. Logo agora... Poderia ter terminado antes... Quem sabe eu e você...

Começo a namorar. Mas também penso em você. Quando a gente se encontra, quando a gente se fala, tenho uma vontade imensa de te beijar, de ter acariciar, de te falar, “estou aqui, não tenha medo”...

Mas não quero te enganar; nem quero enganar a minha Outra Parte. Mas eu te amo! Te amo de um jeito especial. Te amo e quero que você encontre um namorado pra te fazer feliz, pra te fazer carinho, pra te dá o abraço que de vez em quando você me pede pelo MSN e eu pela distância que nos separa fico impossibilitado de dar.

Temos um amigo comum que sabe disso. Ele sabe que já conversei com você sobre ficar. Ele sabe que tenho vontade ficar contigo. Sabe também que só não fiquei porque eu te gosto tanto que não quero te machucar, por isso, ainda, não busquei um beijo teu nos meus lábios...

Sabe, todas as vezes que escuto “Cuida de Mim” com Tomate, eu me lembro de ti. Parece que estou te vendo, parece que estou contigo na praia, a gente dançando ao som dessa música, a gente olhando o mar, a gente se beijando...

Ainda bem que você não ler meu blog!

Seja feliz!

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