quarta-feira, 26 de maio de 2010

O Reino de Deus é maior

-->
O Reino de Deus é maior!

Foi com essa frase que uma religiosa consolou, durante um jantar, em que eu estava presente à mesa, um amigo que passava naquele momento por um problema em sua paróquia com seu vigário. Diante de tudo o que ele tava enfrentando, o que a irmã disse serviu de consolo. Outro dia ele ligou para mim. Eu não tinha outra resposta, outro ânimo para ele, a não ser lembra-lhe que o Reino de Deus é maior do que tudo; maior do que os homens que governam a Igreja, maior do que nossos problemas, maior do que as dificuldades que enfrentamos na vida...

Recentemente eu comecei a pensar em algumas coisas em minha vida. Algumas áreas estão, aparentemente, caminhando bem. Mas só aparentemente. Tenho conversado com alguns amigos sobre algo que, particularmente, me deixa um tanto sem paz. Como disse, aparentemente, tudo parece normal, perfeito, lindo, mas tenho notado algo no ar. Já tive um dia desses, uma experiência nada agradável pensando a propósito. Não quero passar, por isso, novamente.

Assim sendo, sempre que volto a pensar sobre esse aspecto de minha existência, aliás, todos os aspectos que não estão do jeito que desejo, que sonho, que planejo, a frase que a freira disse a meu amigo me vem à mente. O Reino de Deus é maior que meus problemas. Além disso, existem muitas pessoas no mundo que sofrem constantemente, que dariam tudo para está no meu lugar, para ter a família, a formação educacional, o emprego, os amigos... que tenho. Sinto-me, às vezes, até egoísmo de minha parte quando sofro um sofrimento desnecessário, ou seja, se comparado com outros sofrimentos o que passo é de insignificante.

Portanto, tenho estado bem. Não obstante, a vida está aquém do que espero. Mas eu agradeço a Deus, agradeço ao universo, a vida que tenho, as coisas que tenho, as pessoas que convivo, tudo que faz parte do meu cotidiano eu sou grato e sou feliz por viver assim. Tenho procurado viver cada dia que surge como um novo milagre. E não tem remédio melhor para uma vida de paz.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Coisas de mim

Enquanto chove lá fora, aqui dentro, dentro de minha casa, como dentro do meu mundo, penso, reflito e também mergulho em meu ser.

Ao som de Tempo Perdido do eterno Renato Russo, começo a questionar algumas coisas, algumas certezas, alguns afetos.

Isso sempre ocorre quando chove, quando escuto uma música mais reflexiva ou, quase sempre, quando viajo e/ou ando ao acaso durante a noite.

Tenho a impressão de que nunca estou satisfeito. Sempre falta algo ou alguém para ficar melhor. Essa incompletude me acompanha há um bom tempo. Obviamente, não me sinto como no ano passado ou, para retroagir mais no tempo, como em meados de 2008. Aquele foi um período difícil pra mim. Claro que foi culpa minha. Até bem pouco tempo atrás eu me angustiava com os planos e desejos conjuntos tão sólidos de repente eu vê-los desmanchados no ar. Tive que encontrar outra pessoa para preencher o vazio deixado por aquele amor virtual ao mesmo tempo em que era tão real, tão concreto, mas que não saía da tela do computador. Mas isso é tempo perdido, não tenho mais esse tempo, nem tenho mais aquele sentimento que me fazia sonhar em todos os espaços e horários de minha vida com aquela pessoa, ainda que tenha fé que vamos, não sei quando, tomar um vinho juntos.

Estou feliz agora. Nova vida. Novo amor. Nada como um novo amor para fazer esquecer um amor antigo, dizem por ai. Cometi um equívoco agora. Novo amor sim, mas nova vida ainda não. Ainda que muitas coisas tenham ocorrido e concorrido para mudanças significativas nesses quatro primeiros meses, a infra-estrutura (para usar o conceito do velho e imortal Karl Marx) de minha existência não se modificou. Por isso, os outros aspectos do meu ser ainda não conseguiram quebrar alguns grilhões que me aprisionam.

Eu preciso é me arriscar mais, como diz a letra de Epitáfio dos Titãs. Errar mais. Certamente, é por eu ousar pouco que sempre questiono o meu viver. Mesmo que meus pensamentos sejam subversivos, minhas atitudes, não a respeito das outras pessoas, mas em relação a mim mesmo, são conservadoras. Mas como me disse um professor (amigo?) ontem, enquanto teclávamos no MSN, para subverter é necessário conhecer primeiro. E para provar isso ele citou o caso de Picasso que para fazer toda a sua obra “subversiva” segundo os padrões da Arte, conhecia todas as técnicas da Arte formal e etc. Isso me acalenta, me consola e me enche de esperança ao mesmo tempo. Estou nesse processo epistemológico do conhecimento. Depois, quando eu estiver seguro (no sentido mais amplo do termo) começarei a subverter.

Não sei por que escrevo isso. Não estou triste. Meu estado nesta quarta-feira não é de melancolia. Sei lá, é  só um motivo para postar no blog. Ou será que é uma forma de me abrir no divã da internet?

Você poderá gostar também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...