sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A primeira vez dele



Parece que foi ontem...

Ele sente isso. Não entende, contudo, o motivo da lembrança ter voltado agora. Faz tanto tempo. Ultimamente, volta e meia, acontecimentos antigos voltam com força em seus pensamentos.

Estava trabalhando em um evento da universidade que estuda. Era monitor. Andava de um lado a outro dos corredores observando os grupos de trabalhos, as apresentações, verificando se andavam precisando de alguma coisa. De repente os olhares se cruzam. Sentiu um choque. Uma novidade para ele. Nunca havia sentido isso.

Na sala da coordenação estavam servindo lanches para os monitores. Ao vê-lo tomando um copo de refrigerante, a outra aproveita a oportunidade e pede um pouco.

Depois do evento encontram-se pelo Orkut. Naquele tempo, a rede social não era tão banalizada como é hoje. Mas os contatos são poucos.

Um ano depois tudo seria diferente...

Final de 2006. Mais uma vez um evento na faculdade. Era de outro curso. Mas ele sempre foi curioso por todo tipo de conhecimento ligado às humanidades. Até hoje é.

Dessa vez se conhecem de fato. Surge uma intimidade entre ambos. Voltam a se encontrar pelo Orkut, já que a outra tinha excluído o perfil. As conversas se intensificam. No MSN a conversa passa da política para uma disposição de vivenciar algo novo, diferente, ousado.

Mais uma vez se encontram na faculdade. Era durante a tarde. Uma tarde bonita, diga-se de passagem. Depois de irem a uma lanchonete, ele fala sobre um açude que existe em um sítio bem depois da faculdade. O convite é logo compreendido. Juntamente com duas colegas, vão para esse local.

Sentam-se na grama ao chegar. Ficam olhando a paisagem à frente, o açude médio, crianças que tomam banho. A vegetação verde ao redor. Era tempo de cajus. A outra nunca tinha chupado um. Prova pela primeira vez, já que ele gostava muito da fruta.

Ambos saem para ver o que tem ao redor. Sobem uma pequena serra. Sentam-se embaixo de uma mangueira. O coração dele palpita diante da possibilidade do que vai acontecer. Ele, à época, era tímido pra caramba. Nem sabia beijar direito. Mas só se aprende fazendo.

O beijo acontece. Ele sente uma paz envolver seu ser. Sente a maciez dos lábios dela. Que beijo gostoso, lembra saudoso.

Ficam um tempo entre conversas e troca de carícias. Perdem a hora. As colegas vão à busca, já que tanto ele quanto ela moravam em cidades diferentes e corriam o risco de perder seus transportes.

Voltam de mãos dadas. Volta e meia rola um beijinho. Despedem-se. Ele volta pra casa radiante, feliz, sentindo algo que nunca havia sentido em toda a sua vida. Pela primeira vez, nasce dentro dele um sentimento que não acreditava existir. A partir de então, passou não só a acreditar como a defender o amor em todas as suas cores.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Voltar ao passado



De Volta para o Futuro era uma série animada que eu adorava quando criança. A possibilidade de voltar ao passado me encantava ao mesmo tempo em que me assustava. Cada viagem que Marty McFly e o Doutor Brown e companhia faziam enchia meus olhos e minha mente infantil de fantasias e possibilidades de que essa faculdade me fosse possível um dia.


Recentemente ao ler Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban vejo uma cena em que a possibilidade de voltar ao passado não é só real como é possível também interferir em algo para conseguir um objetivo. E dar certo o plano de Harry e Hermione para conseguir com que Sírius fuja de Hogwarts antes de ser, injustamente, condenado.

 
Eu queria voltar ao passado! Na minha última postagem, minha dileta amiga Greice disse, ao comentá-la, que "O passado é um fio, você puxa e ele vem à tona...". Concordo! Uma música, um aroma, uma paisagem é capaz de me fazer retornar, através da memória, há um tempo consumado. Isso acontece amiúde comigo. Existe um tipo de sabonete que toda vez que uso é impossível impedir lembranças bastante vivas, mesmo que de anos atrás, retornar a minha mente.

Mas não é esse tipo de retorno ao tempo consumado que desejo. Queria voltar do mesmo modo que Marty McFly e Doutor Brown em De Volta para o Futuro. Melhor ainda. Queria voltar como voltou Harry e Hermione que fizeram à experiência para interferir no tempo pretérito, conscientes, bem planejada e que no final deu certo.

 
É um tanto quanto uma heresia de minha parte desejar isso. Como cristão isso contraria meus princípios. São Paulo uma vez disse que se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas antigas passaram, eis que tudo se fez novo. Mas não posso esconder o anseio que sinto quando penso a propósito.

 
Mas o passado não existe. O futuro também não existe. Só o presente é real, é concreto, é possível de mudar, de interferir, de aprumar o que está torto. E é nesse tempo que devo redimir minhas culpas de ontem e construir meu mundo de amanhã. Mesmo que persista a angústia de erros anteriores, tenho que me esforçar para não repeti-los hoje e fazer alguma coisa para sarar as feridas que fiz. Só o hoje existe. Só ele me pertence. Apesar de saber disso eu desejaria, ainda que uma única vez na vida, voltar uns segundos e não tomar uma atitude que hoje, depois de dois anos e alguns meses, me deixa com remorso e profundamente arrependido.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Um amigo, duas reações





E agora, o que eu vou fazer?
Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus?
E as lágrimas não secaram com o sol que fez?

Minha segunda-feira termina vendo um vídeo do Youtube enviado por um amigo muito especial no meu Orkut. Foi um dia abençoado. Cheio. Feliz.

Eu tinha acabado a pouco tempo de teclar, pelo MSN, com esse amigou que enviou o vídeo. Ele é do tipo que me fez bem quando a gente se encontra, quando ligo pro celular dele, quando a gente conversa pela Net. Nesse fim de segunda-feira, ele foi uma peça fundamental para meu estado de espírito.

Eu estava lendo O Aleph, o livro mais recente de Paulo Coelho. Volta e meia, interrompo a leitura para tomar café, água, comer pão, falar ao celular, ir ao banheiro, marcar um encontro com uma pessoa que fazia tempo eu desejava. De onze e pouco da noite, entro no MSN. Eu queria muito conversar com um colega. Desde domingo à noite, todas as vezes que fico on line, é pra tentar teclar com ele. Mas ele nunca está. Nessa noite sinto que ele vai está. Tenho a conversa toda projetada em minha mente. Não é nada demais. Queria só dizer como tenho passado desde sexta-feira. Mas assim que fico disponível não tenho coragem de iniciar uma conversa. Nem ele pretende falar comigo.

Puxo uma conversa com esse amigo já mencionado. Eu emprestei O Alquimista, um livro que já li algumas vezes e que pretendo ler outras. Fiquei com medo dele não gostar da leitura. Domingo à tarde, ele me disse que tava lendo algumas páginas por dia, uma vez que tinha dois livros para ler também. Contudo, agora a noite, ele me disse ter terminado o livro e ter adorado também. Nossa, como isso me deixou feliz.

Começamos a conversar sobre o livro. Minha alegria aumenta. Eu já estava meio sensibilizado com a leitura de O Aleph e com o encontro que tenho marcado para ocorrer esses dias vindouros, mas fico mais radiante ainda. Entrei no MSN para conversar com um colega, esse era meu objetivo, mas não consigo. Converso com esse amigo que eu nem esperava encontrar online e ele termina “substituindo” o desejo não alcançado.

Escrevo tudo isso no meu Twitter. Fico off-line. Saio da rede social mais balada do momento. Quando vou fechar meu Orkut, vejo o vídeo que ele me mandou. É da música "N" de Nando Reis. Desconhecia a canção. Espero o vídeo carregar e volto a ler O Aleph.

Depois começo a ver e ouvir o vídeo. Gosto nos primeiros instantes.

A letra, as imagens, contudo, me faz lembrar do relacionamento há poucos dias terminado. A imagem da minha ex Outra Parte vem à tona em cada estrofe da canção. Penso nela como se eu estivesse nos dias seguintes depois que a gente ficou pela primeira vez.

Confesso que ainda gosto dela. Hoje estamos amigos. Sou feliz com isso. Contudo, essa música abriu uma fenda que eu pensava está fechada. Reacendeu, ainda que em pequena proporção, um sentimento que já não alimentava mais.

Veja como são as coisas. No começo, esse amigou me deixou radiante de felicidade. Depois, mesmo sabendo que o propósito do vídeo é uma forma de demonstrar nossa amizade e a saudade que sentimos mutuamente, já que o refrão diz “espero que o tempo passe, espero que a semana acabe para que possa te ver de novo...”, o efeito produzido em mim foi outro.

Não vou deitar triste. Deito feliz. Só que ao encostar a cabeça estarei pensando “E agora como eu posso te esquecer? Se o seu cheiro ainda está no travesseiro?”

sábado, 14 de agosto de 2010

Uma amiga que sofre



Susto!

A primeira reação que tive quando uma amiga ligou agora a pouco para mim foi de susto. Pelo telefone ela chorava desesperada, dizia que precisava de mim. A primeira coisa que pensei foi na possibilidade de seu pai, já um tanto idoso, ter falecido. Saí de casa apressado. Não disse nada a minha irmã que estava vendo TV.

Quando a vi ela foi me pedindo um dinheiro emprestado. Logo pensei que tinha me pregado uma peça fazendo eu sair de casa depois da meia-noite para me pedir grana. Mas ela não parava de chorar. Dizia que era o fim. Só depois me explicou o motivo de sua angústia.

Desde que nos conhecemos ela sempre fez questão de ressaltar o seu relacionamento de anos. Ainda que, muitas vezes, em tom de brincadeira em nossas conversas, ela falava que não ficaria comigo porque não iria destruir seu relacionamento com o grande amor de sua vida. Ela compartilhava comigo os momentos íntimos que passavam, os projetos para construir uma família, os sonhos que ambos, aparentemente, tinham em comum.

Pois o fim de tudo isso veio pouco depois de chegarmos de Guarabira de um comício de nossos candidatos a governador, senador e deputado estadual. Depois de tantos anos juntos, de planos em fase de andamento, ele pede transferência de seu trabalho para uma cidade distante. A leitura imediata que minha amiga fez foi que isso significa o término de seis anos e quatro meses de experiências afetivas compartilhadas.

Eu fui procurar com ela um moto taxe que a levasse a uma cidade próxima com o intuito de conversar, pela última vez, com seu amor, mas não encontramos ninguém. Ela chorava, chorava, chorava. Lastimava-se da vida. Nem parecia a amiga que tantas vezes me fez sorrir com o seu jeito carinhoso e brincalhão que me tratava.

Eu não tinha palavras para dar conselhos. Em momento assim o melhor a fazer é escutar o desabafo da pessoa que sofre. Qualquer palavra não é capaz de diminuir a dor lancinante de quem sofre por amor.

Por que as pessoas sofrem tanto por amor? Seria tão bom se pudéssemos prever o que aconteceria conosco e com a pessoa que a gente ama depois de um tempo. Mas infelizmente o amor que se prevê não é tão bom, tão gostoso. O bom desse sentimento, às vezes, agridoce, é a surpresa. Pode durar pouco tempo, um tempo médio ou um tempo longo. É como se fosse um jogo de azar. Podemos perder feio. Mas podemos ganhar muito. Depende da sorte que tivermos.

Uma coisa ela falou com sensatez. Vão ficar em suas lembranças os momentos bons vividos. E concordei com ela. Afinal de contas, não é porque um relacionamento chega ao fim que a outra pessoa merece ser banida da memória.

Quanto o tempo o coração leva prá saber que o sinônimo de amar é sofrer...


PS: Durante essa semana essa é a terceira amiga que desabafa comigo problemas sentimentais. Não sou especialista nem exemplo nessa esfera da vida humana. Pelo contrário. Terminei um relacionamento há pouco tempo. Será que minha lenda pessoal está ligada a essas experiências com as outras pessoas?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um dia frio...




Nunca senti tanto frio como tenho sentido ultimamente em minha cidade. Tenho lembranças de períodos chuvosos por aqui. Mas de uma temperatura tão baixa acho que nunca experimentei como agora. Tem batido uma saudade do calor. Saudade de quando eu ficava em casa sem camisa, com shorts curto, quase pelado. Agora sempre estou de calça em casa. Às vezes, uso até meias nos pés.


Mesmo com saudade do calor eu gosto desse tempo. Sinto-me fragilizado. Fico mais sentimental. Sinto ausência de alguém que pudesse ver uma comédia romântica comigo na sala da minha casa, comendo pipoca ou bebendo algo que pudesse esquentar.


De repente vem a minha mente a música Ritmo da Chuva. Lembro de uma vizinha, quando eu era criança, que escutava essa canção sempre. Nesse dia frio e dia chuvoso aqui em Alagoinha ela veio como uma oração. Comecei a cantar e a colocar trechos dela no Twitter.


A cada gota que cai eu vejo meu amor. Um amor que ainda não existe. Que talvez nem tenha nascido. Mesmo assim eu vislumbro um sentimento correspondido na dança da chuva.


Falo com um amigo de uma paquera que descobri recentemente. Mas a idade é um fator que complica qualquer relação passional que possa nascer, pelo menos no momento presente. A resposta dele é que o amor não tem idade e nem sexo. Não precisa dizer que concordo com essa afirmação. Tá na minha cara e na minha vida.


A chuva continua cair. O frio intensifica-se. Penso que seria legal ter essa paquera aqui comigo, nos meus braços, no meu colo. Estou com uma vontade danada de mandar um sms ou ligar para ela. Mas estou no meu trabalho.


Por incrível que pareça a mulher que trabalha comigo começa a cantar Ritmo da Chuva. Ela nem imagina o que escrevo. Mas dizem, e eu acredito, que existe uma linguagem universal que todas as pessoas entendem. Em dia frio e chuvoso, acredito, ela se manifesta melhor. É a linguagem do amor. Por isso, ela canta essa música mesmo sem saber que passei a manhã todinha ouvindo-a e que estou com ela no pensamento e nas minhas emoções.

Chuva traz o meu benzinho, pois preciso de carinho...

Um dia frio. Um bom lugar para ler um livro. Um bom clima para amar.

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