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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Das lágrimas



Há momentos  que é  impossível conter as lágrimas...
Muitas vezes segurei.
Para parecer forte.
Por vergonha.
Por medo.
Por achar que seria incompreendido.
Lágrimas pelas pessoas que morrem.
Uma morte não natural.
Uma morte não planejada.
Uma morte não como conseqüência das nossas escolhas.
Mas a morte que vem do outro.
Do outro que não aceita o outro.
Do outro que oprime o outro.
Do outro que descrimina o outro.
Lágrimas que brotam da alma.
Todas as vezes que as seguro, fico pior.
Fico pior porque lá dentro, no fundo, meu eu é sufocado, afogado.
Vou deixar as lágrimas correrem.
Vou deixá-las banhar meu corpo.
Vou permitir que elas cheguem ao chão.
Talvez ao chegar à terra um milagre aconteça.
Um milagre que faz brotar vida.
Talvez nasça uma planta.
Uma planta diferente.
Uma planta que brote frutos.
Frutos nem ácidos nem doces.
Mas frutos salgados.
Frutos que sejam do gosto de minhas lágrimas.
E que só durem enquanto eu puder regar a planta com elas.
E quando eu não puder mais regá-las, então outro milagre vai acontecer.
Ou o paraíso surgirá.
Ou a morte me levará.

domingo, 19 de junho de 2011

Desejos...



O que posso dizer?
Mentir novamente?
Fingir?
Fugir?
Confesso, que a última possibilidade me assalta de vez em quando.
Nos instantes que me deito na rede,
com a janela aberta,
recebendo o vento em meu corpo,
meus pensamentos buscam várias alternativas para realizar minha fuga.
Mas não posso!
Não é possível!
Agora não!
Daqui a um mês.
Ou daqui a um ano.
Quem sabe daqui a dez anos.
Não, não, não!
Absolutamente não!
Se eu fugir, em qualquer lugar que eu vá, meus pensamentos estarão em você.
O desejo, ah o desejo!
Sempre o desejo a me prender.
Uma prisão irreal, cercada por grades de desejos...
Desejos que me causam ojeriza...
Desejos que me deixam com nojo de mim...
Desejos que me fazem animal...
Oh, Pai, afasta de mim esse cálice...
Se possível for...
Mas não é possível...
Eu fujo e volto pra ele.
Desejos, desejos, desejos...
Sinto-me mais homem, mais macho, mais humano quando os realizo.
Sou mais homem, mais macho, mais humano quando vivo isso tudo contigo...
Por onde ando, o que falo, o que vejo, o que sinto, o que cheiro, o que escuto...
Tudo, tudo, tudo me traz você.
Essa presença onipresente me impede de concretizar os meus desejos em outro corpo...
Só o teu me satisfaz.
Só o teu me realiza.
Só o teu me deixa completo.
Vou arrancar esse mal pela raiz...
Cortar de uma vez esse desejo indesejável...
Não quero mais!
Não posso mais!
Não vou mais atrás!
Mas será que longe de ti tenho vida?
Será que ao sepultar esse desejo não estarei me sepultando também?
São apenas desejos...
Desejos que ferem... que matam... e que dão vida...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Meu silêncio faz barulho

Parei...
Preciso de silêncio.
Lá fora muitas vozes, muitos sons, muito ruído.
Esses sons tiram a minha paz.
Tira-me de mim.
Preciso me encontrar.
Encontrar o Eu tão sufocado pelos discursos.
Discursos propalados nos púlpitos, na mídia, na escola, no lar.
Discursos que sufocam, ferem e matam.
Discursos que me impede de ouvir a voz do meu interior.
Aqui nesse quarto vou fazer a experiência do silêncio.
Nenhum ruído no exterior.
Tudo calmo.
Uma pausa no mundo dos sons.
Vou meditar.
Vou entrar em mim.
Vou entrar naqueles lugares escondidos que ninguém pode entrar.
Vejo o quão bagunçado se encontram esses lugares.
Mas no silêncio farei minha faxina.
De repente uma quebra.
O que é isso?
Paredões estrondam vozes ininteligíveis.
Não acredito.
Logo agora!!!
Só pode ser um sonho.
Ou melhor, um pesadelo.
De onde vem esse barulho todo?
A resposta me apavora.
Essas vozes dissonantes estavam guardadas dentro de mim.
Durante a limpeza, acabei arrombando o lacre da caixa de vozes.
Estavam todas lá.
As vozes dos discursos que tanto combato estavam dentro de mim.
Procurei o silêncio e encontrei mais barulho.
Esse barulho, contudo, começa a desaparecer.
Pouco a pouco retomo ao silêncio.
Só alguns ruídos restam.
Eles vão desaparecer.
E eu voltarei pro meu silêncio sagrado.
Voltarei pra o meu Eu.
E assim terei paz.
Oxalá!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sumir

 
 
que vontade de sumir...
de ir pra um novo horizonte...
 de esquecer as lágrimas aqui derramadas...
de sepultar os amores pretéritos...
de beber outras bebidas...
de saborear outros sabores...
de passear por outras praças, ruas, alamedas...
de tomar banho em outros mares....
de buscar outras respostas para minhas inquietações...
de ressuscitar um novo Joel...
só não quero conhecer novos amigos; quero levar os daqui comigo!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Quando me perco


Sinto, às vezes, que me perco.
Essa perda é dentro de mim mesmo.
Já não sei mais quem sou.
Fico repensando, amiúde, idéias já repensadas.
Tento fazer mudanças já operadas em mim;
sem contar nos momentos que tenho vontade de voltar atrás de decisões tomadas, após muita discussão interior.
Diante disso, me perco.
Sinto-me dentro de um labirinto andando de um lugar a outro, com idas e voltas, com encontros inesperados...
Basta, em alguns instantes, uma palavra, um gesto, uma atitude de alguém, um livro que leio, um programa de TV, para que eu reinicie o processo mental de descoberta do eu.
Em minha frente vejo muitos caminhos;
vários quero seguir;
tento me firmar em um, mas não consigo.
Há sempre algo mais interessante no outro,
há sempre algo em mim,
alguma coisa no meu caminho que me faz querer abandoná-lo.
O que fazer então?
Continuo da mesma forma até eu ter a possibilidade de seguir aquilo que desejo,
ou acho que desejo.

domingo, 27 de julho de 2008

Preciso Fugir...


Fugir.
Pra onde?
Não sei!
Só sei que quero fugir.
Quero romper esses muros que estão a minha frente.
Mas eles não me protegem? Sim. Também.
Só que me sufocam muito mais do que me defendem, me roubam de mim, me fazem ser o que não sou.
Sou estrangeiro em meu próprio círculo social.
Sofro até, em alguns instantes, xenofobia.
Como é ruim ser assim.
Como é péssimo não ser compreendido.
Como é horrível não ser o que você é.
Como é desagradável você acreditar numa coisa e não poder falar porque vai ser punido simbolicamente por isso.
Quero fugir.
Pra onde?
Ainda não sei.
Só sei que aqui não posso ficar.
Vejo pessoas ao meu redor que se submetem a regras sociais que as sufocam, as transforma em outras, aparentam ser o que não são.
Muita gente é assim.
A maioria, eu digo.
Gente que não faz o que pode lhe fazer feliz porquê tem medo de quebrar a falsa segurança que os muros lhe dá.
Me cansei de ouvir confissões assim.
Ser o que é tem um preço a ser pago.
Muitos morrerram.
Outros foram exilados.
Presos...
Por que é tão difícil aceitar o outro como ele é?
Ás vezes, é mais difícil ainda a gente se aceitar como a gente é.
Quero fugir.
Pra onde?
Tô descobrindo.
Tô me descobrindo.
Aqui não dá pra ficar.
Assim não posso ficar.
Vem comigo?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sentei no meio da estrada


Sentei no meio da estrada.
Cansei.
Vou renovar minhas forças para seguir em frente.
Se eu não parar vou explodir, então será meu fim, e isso não quero tão cedo.
Parar é necessário na vida.
Descansar um instante, ainda que fugaz, é fundamental para minha/nossa caminhada.
Pensar o quanto minha/nossa busca tem sido produtiva ou não.
Rever alguns caminhos projetados, que podem não ter uma saída boa.
Sentei no meio estrada.
Enquanto fazia um diagnóstico interior, vi pessoas caminharem rápido, outras que sentaram e ali estacioram para sempre, uns alcançaram o que queriam, outros não tiveram sucesso.
Sentei no meio da estrada.
Tenho apenas 21 anos.
Mesmo assim, até os jovens se cansam.
Até nós precisamos rever a nossa pequena trajetória.
Tou sentado no meio da estrada.
Tou esperando coragem para ir atrás do que quero, de quem eu quero.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

...procura

Sabe, às vezes dá uma vontade de fugir, de correr por aí, sem destino, a procura de um destino,

sem amor, a procura de um amor,

sem desejo, a procura de um desejo,

sem fé, em busca de uma fé,

sem esperança, na ansiedade de encontrá-la,

sem ninguém, mas com a vontade de no meio campinho achar alguém pra tirar a pedra que tem no meio do caminho,

sem propósito, contudo quero chegar a um fim,

sem fama, todavia o desejo de ser notado buscarei nessa procura...






sábado, 13 de outubro de 2007

Uma poema para Deus

Com Deus sempre estarei
Voando nas alturas
Mesmo sem forças não cairei
Pois Ele me levará
Em Suas Asas seguras.

Com Deus sempre vencerei
Mesmo com a perda
Porque Ele me fez
Mais que vencedor.

Com Deus a tristeza
Não tirará a beleza
Nem o desânimo a beleza
Da alegria que virá.

Com Deus a dor
Não passará de um prova
Se realmente O amo
Como Ele me amou.

Com Deus a noite
Não cessará a esperança
Que virá
Com um novo amanhecer.

Com Deus meus sonhos
Serão alcançados
Porque Ele me dará
Forças para lutar por eles.

Com Deus a solidão
Não me deixará angustiado
Muito pelo contrário
Será uma oportunidade
De ter experiências com Ele!

sábado, 29 de setembro de 2007

Prisão





Estou preso a um regime

Que me coage a ser alguém

Diferente do que sou.

Sou humano, sem dúvida!

Mas isso basta para saber

Quem sou eu?!

Tenho sonhos, sentimentos, desejos...

Tudo isso me forma ou deforma!

Se existir é ser eu não existo!



PS: Esse poema foi publicado no meu outro blog em 14 de Abril desse ano. Está ainda no site Usina das Palavras. Fiz ele durante uma aula na faculdade. Não estava me sentindo bem quando ele veio em minha mente.

sábado, 1 de setembro de 2007

Noite

A noite me encanta.
Ela é cheia de mistérios.
Quando olho a natureza escura fico deslumbrado.
Muitas pessoas tem medo da noite.
Acham que tudo de mal
Acontece nela.
Mas, se esquecem que é
Durante a noite
Que os casais se amam,
Se devoram,
Demostram a paixão que sentem.

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