segunda-feira, 18 de abril de 2011

O direito dele ser ele


Ele quer apenas ser ele mesmo. Nada mais nada menos do que isso. Ter o direito de ser quem é.

Seus pensamentos nos últimos dias viajam pelo espaço. No espaço tudo é possível.  No espaço não existem fronteiras delimitando o certo e o errado.

De repente uma queda. Ele cai do espaço. Quando menos espera volta ao mundo real, mundo que o atormenta, que o estigmatiza, que o fere constantemente. Um mundo que o impede dele ser quem é ele é de fato.


Tenta voltar pro espaço. Não consegue. Depois de ter pousado só resta à esperança de em outro momento voltar a esse lugar utópico, que o possibilita um intervalo de felicidade diante das situações lancinantes do mundo fático.

Já que perdeu seu lugar no espaço onírico, ele se volta para o espaço virtual. On-line ele fica mais a vontade. Mesmo sabendo que esse mundo é o reflexo do mundo real, ele encontra pessoas iguais em carências, dificuldades e sofrimentos. Isso forma uma rede de solidariedade e apoio fundamental para enfrentar a vida como ela é.

Roubar é crime! Subtrair coisa alheia leva a cadeia. Mas será que ninguém percebe que existe outro roubo pior do que o que está descrito no Código Penal?

O roubo da identidade é imensuravelmente pior do que o roubo de algum objeto concreto.

Ele é roubado diariamente. Em casa, na rua, na faculdade. São palavras, interditos, normas que roubam todas as possibilidades dele ser quem é.

O roubo da subjetividade deveria ser punível com a pena máxima.

Mas como punir aqueles que são responsáveis pela criação das mesmas normas que elege uma classe de pessoas como detentoras de direito e exclui outra parcela por ter determinadas características diferente da maioria? Ora, são eles mesmos os principais protagonistas dessa engenharia nociva que tenta igualar as pessoas quando a diferença é a marca da existência humana.


Ele só deseja ser ele mesmo. Por que é tão difícil aceitar um comportamento que em nada vai afetar a vida de outrem?


Fica off-line. As inquietações interiores impedem dele navegar a vontade. Tenta voltar a dormir, mas sua mente está tão perturbada que isso se torna impossível.

Ele só deseja viver plenamente suas possibilidades humanas. Apenas isso. Mas não querem deixá-lo viver do jeito que ele é. Roubam constantemente sua identidade. Ele recupera num dia, no outro acontece à mesma coisa.

Ele só deseja ser quem é...

2 comentários:

  1. Parabéns pelo blog!Adoroo
    passo aqui tds os dias,é vício rs

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  2. Fazia um tempo que não lia seu blog. Mas quando volto, sempre leio o que não li antes, de modo que sempre leio tudo que você escreve, Joel.

    Seu blog continua muito bom. Através deste espaço virtual você deixa transparecer certos conflitos seus que muitas vezes não percebemos no convívio da universidade, embora ultimamente você tenha se demonstrado mais estressado, e até mais rebelde, mais "transgressor" como você mesmo fala...

    Torço pra que as coisas melhorem em todos os sentidos. É como você disse uma vez: esse é o lado bom das coisas ruins...
    Abraços.
    Continue escrevendo, Joel.
    Sempre na espera de mais postagens...

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