terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eu finado

Hoje tinha tudo pra ser mais um dia de finados normal na minha vida. Acordei cedo, vi alguns telejornais, naveguei horas na net, vendo minhas redes sociais, sites e blogs políticos. Aqui em casa estávamos esperando amigos de Santa Rita que, anualmente, nesse período, aparecem por aqui.

Hoje tinha tudo pra ser mais um dia de finados normal se não fosse o fato de uma pessoa presente aqui em casa propor tomar uma cerveja. Estranhei o fato. Mas beleza, fomos a um supermercado e compramos algumas latinhas e uma garrafa de ice. Bebemos. Almoçamos. Fomos descansar.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de eu ter começado a escutar Chiclete com Banana, pensando no Carnaval, pensando na festa que vai ter em Campina Grande no próximo dia 21, pensando em beijar na boca, fazer amor e tantas outras coisas que as pessoas fazem em momentos de festa ao som da banda baiana. Baixei várias músicas pelo 4shared e fiz minha farrinha, solitário, em minha casa.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de depois de ter baixado as músicas de Chiclete, de ter acessado e comentado fotos, status e links no Facebook eu ter deitado na sala de minha casa e não no meu quarto. Mas até aí, sem problema. Mas eu só consigo dormir a tarde se for com som ligado. Como o computador fica próximo de onde eu iria descansar, coloquei um monte de músicas de Marisa Monte pra ficar rolando, enquanto eu viajava em meus sonhos.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de durante o sono, em meus sonhos, as músicas terem entrado em contato com meus desejos mais profundos, mais reprimidos, meus medos mais intensos em perfeita harmonia e me ter feito sonhar com pessoas e momentos que eu deveria ter deletado de minha vida.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de em um dos sonhos  alguns demônios, que eu jurava ter exorcizado dentro de mim, terem voltados com toda a força malévola em minha minha vida. E foi essa ressurreição inesperada de mortos, de medos, de sentimentos frustrados e desejos não totalmente realizados que me fizeram perder a serenidade e me deixaram literalmente de luto neste dia de finados.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de nessa tarde, durante os sonhos, eu ter tido a comprovação de que estava em uma bola de sabão. Desde uns dias atrás, minhas estruturas começaram a tremer um pouco diante de confronto direto com pessoas que exerceram sobre minha vida, sobre meus sentimentos, um domínio imperial. Mas pensei não ser nada demais. Mas nos sonhos dessa tarde... Acordei com a ligação de um amigo do EJC pra me pedir umas opiniões. Tentei voltar ao sono, mas sem sucesso. De repente lembrei-me dos sonhos, ainda ao som de Marisa Monte, dessa vez cantando “a dor da paixão não tem explicação, como definir o que só sei sentir, é mister sofrer para se saber o que no peito o coração não quer dizer”. Um deles me abalou complemente. Deixou-me, como algumas pessoas falam, chocado. Fez minha bola de sabão estourar. E tudo voltou a ser como antes... Pelo menos é o que sinto agora.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de meu lado romântico, sentimental, afetivo que eu reputava ter desaparecido ou pelo menos enfraquecido, ter vindo à tona com tudo. Eu estava nos últimos meses mais contido, mais moderado nesse sentido. Até tinha esquecido esse traço de minha personalidade que tanto me fez bem quanto mal.

Hoje tinha tudo pra ser um dia finados normal se não fosse o fato de eu ter morrido com tudo isso, virado um defunto, necessitado de que alguém acenda uma vela, reze e vele por mim. Quero descansar em paz. Quero me livrar logo desse purgatório. Quero poder ir ao paraíso, ver os anjos, me encontrar com Deus.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de mais um trecho da canção Ontem ao Luar de Marisa Monte explicar sinteticamente meu estado e fechar essas divagações de um idiota sentimental.

Se tu queres mais
Saber a fonte dos meus ais
Põe o ouvido aqui na rósea flor do coração
Ouve a inquietação da merencória pulsação
Busca saber qual a razão
Porque ele vive assim tão triste a suspirar
A palpitar em desesperação
Na teima de amar um insensível coração
Que a ninguém dirá no peito ingrato em que ele está
Mas que ao sepulcro fatalmente o levará

Intercedam por mim!

Um comentário:

  1. Eita, Joel.
    Se houvesse algum religioso, cientista ou psicólogo que conseguisse resolver essas coisas...
    Mas é assim mesmo. Faz parte da condição humana.
    Mas relaxa, já que você virou defunto, faça seu velório, enterre tudo isso junto e aproveita pra renascer renovado.
    ...
    Amor, dor, idealização, fuga, morte, pessimismo... Tá parecendo os autores do Romantismo.
    Gostei do texto. Mais uma vez valeu a pena ter visitado seu blog.
    hehehe

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