domingo, 8 de maio de 2011

Deja vú ao contrário



Acordei um pouco tarde hoje. Dia das mães. Domingo. Aproveitei para dormir um pouco mais. Ultimamente, meu sono tem sido insuficiente. Tenho deitado tarde. Acordado cedo, bem cedo.

Agora meu sono não é ininterrupto. Sempre acordo durante a madrugada. E quando chega a manhã, via de regra, fico mais acordado deitado do que dormindo.

Alguns sonhos foram um tanto quanto impactantes. Um deles, um amigo virtual morria. Lembro da angústia e da dor que eu senti com esse fato. Talvez, eu deva mandar um tweet ou sms pra ele. Farei isso mais tarde. Tenho poucos amigos como ele. O desejo de mudar as coisas, de mudar o mundo, nos une. A fé cristã é outra coisa em comum.

Mas o que me trouxe ao computador não foram meus sonhos. Uma coisa estranha senti assim que acordei. Paisagens geográficas e sentimentais visitaram a minha memória logo que despertei.

Hoje faz sol. Um sol forte. Nos últimos dias, tem chovido bastante nessa região. Contudo, o dia, não obstante, ser de sol, está bem ameno. Um clima gostoso.

Penso que foi esse clima a causa de minha nostalgia. Sensações que lutei durante muito tempo para esquecê-las ou abafá-las voltaram. Vez ou outra tenho a sensação de viver de novo alguns instantes marcantes de minha vida.

Não sei até que ponto isso é bom. Talvez seja até ruim. Rememorar capítulos encerrados traz à tona sentimentos escondidos. Obviamente, é impossível esquecer momentos relevantes para nós. Tantos os ruins quanto os bons, a gente nunca apaga de vez da memória. Depois de um tempo, o impacto da lembrança se arrefece mais. Agora esquecer, jamais.

A sensação que eu tenho é que tudo aconteceu ontem. Minto. Que tudo começou ontem e que hoje estou vivendo o dia seguinte da grande descoberta. Nunca me senti assim. Muitas vezes, lembranças pretéritas me machucava, me trazia angústia, me fazia sofrer. Hoje não. É algo bom.

Estou vivendo uma continuidade por cima de uma ruptura. É contraditória essa sensação, eu sei. A imagem que se apresenta diante de mim é de uma ponte partida. O pedaço destruído foi levado pelas águas de um rio há muito tempo. Mas, é aí que nasce a confusão, eu consigo atravessar até o outro lado numa boa. Parece que existe uma linha imaginária que me possibilita a travessia de ida e vinda.

O toque, o beijo, o carinho está logo ali. Bem próximo de mim. Parece que saí para fazer algo e que voltarei para a minha cama, para o meu quarto, para a satisfação de todos os meus desejos. Existe alguém lá, me esperando. O mesmo alguém que está debaixo de uma pequena árvore, diante de rio, olhando pra mim, sorrindo. O mesmo alguém que acabou de tomar banho, me convidando a se aproximar mais. Tudo ocorre concomitantemente.

Estranho, tudo muito estranho. Tudo isso que vivo, que sinto, parece ilusão, parece não existir. Talvez nem exista mesmo. Talvez nesse fim de manhã eu esteja dormindo ainda e nem me dei conta disso. Talvez eu seja um sonâmbulo.

Meu celular acabou de tocar. Minha irmã me chama para o almoço. Despertei dessa realidade aparente. Mas, a sensação do passado presente continua.

2 comentários:

  1. Maravilhoso texto! Indubitavelmente, me fez refletir sobre essas sensações "estranhas" que sempre acontecem comigo também.

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