sexta-feira, 29 de julho de 2011

Das lágrimas



Há momentos  que é  impossível conter as lágrimas...
Muitas vezes segurei.
Para parecer forte.
Por vergonha.
Por medo.
Por achar que seria incompreendido.
Lágrimas pelas pessoas que morrem.
Uma morte não natural.
Uma morte não planejada.
Uma morte não como conseqüência das nossas escolhas.
Mas a morte que vem do outro.
Do outro que não aceita o outro.
Do outro que oprime o outro.
Do outro que descrimina o outro.
Lágrimas que brotam da alma.
Todas as vezes que as seguro, fico pior.
Fico pior porque lá dentro, no fundo, meu eu é sufocado, afogado.
Vou deixar as lágrimas correrem.
Vou deixá-las banhar meu corpo.
Vou permitir que elas cheguem ao chão.
Talvez ao chegar à terra um milagre aconteça.
Um milagre que faz brotar vida.
Talvez nasça uma planta.
Uma planta diferente.
Uma planta que brote frutos.
Frutos nem ácidos nem doces.
Mas frutos salgados.
Frutos que sejam do gosto de minhas lágrimas.
E que só durem enquanto eu puder regar a planta com elas.
E quando eu não puder mais regá-las, então outro milagre vai acontecer.
Ou o paraíso surgirá.
Ou a morte me levará.

3 comentários:

  1. Parabéns pelos seus textos, és um poeta nato. Quem ao ler, não se identifica?.seja por uma palavra, frase, pensamento, enfim.... Continue assim! Ana Paula

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  2. Vc é um poeta Joel.
    Isso é Dom!
    Lindo demais... parece que lê a alma, sei lá... inesplicável.
    Parabéns.
    (me passa teu msn)tacianosobral@hotmail.com. Valeu!

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  3. Eu senti uma melancolia muito profunda aqui nesse texto, senti bastante desispero, isso sempre me encantou, achei lindo, achei muito lindo.

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