domingo, 7 de agosto de 2011

Aquele beijo



Aquele beijo. Ah, aquele beijo! Tantas vezes desejado. Tantas vezes reprimido. Por quê? Ora, medo, timidez, vergonha... Sei lá, mas de uma forma ou de outra nunca pensei em concretizar aquele anseio de adolescente.

Quando te vi, parei. Falei contigo me sentindo o cara. Quem estava comigo ficou olhando, me pediram depois para fazer uma apresentação. Mas não. Eu disse não. Não queria dividir a sua atenção com mais ninguém. Egoísta, eu? Todo ser humano é. Não fujo a essa característica tão singular do homo sapiens sapiens.

Você sai. Meus olhos, algum tempo depois, começam a pesquisar ao meu redor. Tanta gente. Tantos rostos diferentes. Alguns de uma beleza fora do comum. Não te vejo. Será que saiu com alguém? E se saiu será que volta pra festa? Fico triste.

Horas depois te revejo. Beijando uma boca. Ai que raiva! Que ciúme! Nesse momento voltei a ter dezessete anos. Naquele tempo você começou a namorar. E dentro de mim, lá no espaço reservado aos sentimentos, as larvas começavam a borbulhar. O vulcão da raiva quase entrou em erupção. Mas tapei. E o fogo ficou me consumindo.

Pedi mais uísque. Queria beber. Dançar, mesmo sem saber dançar. Cantar aquelas músicas chatas de forró de plástico sem letras profundas. Já sinto que meu corpo está mais leve, conseqüência das doses de álcool circulando no meu sangue.

Fumo um cigarro. Os tragos me deixam um pouco tonto. Viro os olhos. Cadê você? Sumiu de novo. Mas, para meu alívio, a figura humana que te tomava pelos braços está próxima. E isso diz que você não saiu para satisfazer algum desejo lascivo.

A bebida acaba. Saio com os amigos para comprar mais. Mas não pretendíamos voltar. Já eram umas três da manhã. Íamos beber na praça. Em frente da Igreja. Sacrilégio? Não. Talvez uma conduta vedada, mas nada que fosse macular a calçada da Matriz.

Quando estávamos saindo daquele ambiente você vinha. Diminuo o passo. Iria falar contigo. Dizer o que queria. Gaguejei, claro. Normal. Tentei enrolar. Contudo, falei. Pronto é isso. Desde o tempo que estudávamos nas primeiras séries do Ensino Fundamental. Sempre tive vontade de te beijar. Quando éramos evangélicos, por algum tempo quando desejávamos ser missionários na África, pensei que iria casar contigo.

Fiquei tão nervoso. Mas é isso que quero. E me aproximo mais. E você também. Mais perto. Os rostos a poucos centímetros. Os narizes se tocam. Os lábios se unem.

O tempo parou. Nada ouvi mais naquele instante. Nada vi. Só senti você. Só queria te beijar. E que beijo! Um beijo de se apaixonar. Mas faz tempo que não consigo nutri esse afeto por nenhuma pessoa.

Ontem te vi. Desejei tanto repetir a façanha do São João, mas eu estava retraído. Sentei na outra mesa do bar, fiquei te observando, vezemquando meus olhos iam do local que eu estava para o que você se encontrava.

Na ida pra casa eu precisava falar contigo, queria ver você de perto, bem perto. Queria sentir teu rosto, bem juntinho ao meu. Virei o menino tímido de novo. Só consegui te beijar na face. Mesmo assim, foi bom. O contato de nossas peles me fez bem.  Outro dia, talvez, quem sabe não tenho coragem e peço, como um pirralho doido por doce pede a mãe, um beijo teu.

Um comentário:

  1. Bom dia.
    Q bom q conseguiu, mesmo q ñ role mais, haverá sempre a lembrança do beijo, e q vc fez.
    Tristes os arrependimentos pelo q não deixamos acontecer, pelo q não tentamos.

    Deus te ilumine

    Bjos

    Dmariazinha

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