segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Vou-me embora pra Gliese





Se Manuel Bandeira escrevesse hoje Vou-me embora pra Pasárgada, talvez o seu poema mais famoso, ele não ia para Parságada. Penso eu, que o poeta nordestino, nesses dias de globalização intensa, seria leitor ávido, não apenas da literatura, mas também da ciência. Eu acredito que ele trocaria o nome Pársagada para Gliese 581g. Mas um nome assim é muito feito. Ele, certamente, excluiria o 581g e deixaria apenas Gliese. Um nome bonito, né? Quem sabe não coloco esse nome na minha filha...

Recentemente, os cientistas descobriram um planeta muito parecido com a Mãe Terra. Batizaram de Gliese 581g, mas que eu, como não sou astrônomo, vou chamar apenas de Gliese. Depois de onze anos de observação, avistaram esse planeta. Gliese orbita numa região de zona habitável do sistema estelar. Nessa região, a quantidade de calor é suficiente para a existência de água em estado líquido em sua superfície. Assim, a possibilidade de existir alguma forma de vida é muito provável.

Quando eu era criança, eu costumava olhar para o céu. Eu adorava ver o movimento das nuvens. Ficava visualizando figuras de animas na imensidão do céu. Isso durante o dia. À noite, olhava as estrelas. Deslumbrado com a infinidade delas, eu metia a contar. Dias depois, nascia uma verruga em mim por ter contado as estrelas. Mas eu morria de medo dos ETs. Qualquer objeto voador desconhecido que surgisse no céu, as pessoas de tanto assistir os filmes norte-americanos, diziam ser um disco voador. O mais incrível era as estórias que me contavam. Fulano tava indo pro roçado, de repente um clarão surgiu no céu; quando olhou pra trás era um disco voador; correu tanto que consegui escapar. Lembro de várias pessoas que contaram ter tido uma experiência semelhante. Claro, essas estórias metia medo em mim e nas demais crianças vizinhas. Quando eu assistia a um filme sobre extraterrestre, eu me assombrava durante o sono. Mas isso passou...

Hoje quem mais me mete medo são os próprios seres humanos. Nem os demônios, nem o papa-figo, nem o bicho-papão, nem Comadre Folozinha e os ETs me assustam mais. As pessoas me assustam. Um valor tão importante, como a confiança, está indo embora nas relações interpessoais. A hipocrisia, a falsidade, a mentira, a competição desenfreada tem, infelizmente, caracterizado a maioria dos homens e mulheres nos dias hodiernos.


Disse Albert Einstein: Tempo difícil esse em que estamos, onde é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito. Em pleno século XXI, depois de tantas conquistas e avanços no campo da ciência, das artes, da tecnologia, contraditoriamente, essa frase se encaixa perfeitamente. Nas universidades discute-se muito a noção de alteridade, de valorizar e respeitar o outro, mas fora de seus muros a realidade é bem diferente. Minorias são execradas, humilhadas, xingadas e até, o mais triste de tudo, mortas por sua orientação sexual não heternormativa, pela religião que contraria os valores das religiões oficiais, pelo estilo de vida que vive, pelas idéias que defendem. No Brasil, esse país tido como cordial, pacífico, a cada dois dias uma pessoa é morta por ser gay, travesti ou transexual.

Quem diria que depois de tanto conhecimento acumulado ao longo da história, guerras motivadas por fins econômicos ainda existiram... Se nesse momento, os conflitos bélicos são reduzidos e bem localizados, por outro lado milhares de pessoas morrem de fome, apesar da produção de alimentos ser suficiente para alimentar, com folga e com bastante sobra, toda a população mundial.

O meio-ambiente é destruído, cotidianamente, em nome de um progresso que só favorece a uma minoria em detrimento da maioria excluída, empobrecida. Os valores mais importantes são medidos pela riqueza e pelo status que as pessoas possuem na sociedade. O rótulo é mais evidenciado e aceitado do que o conteúdo...


Vou-me embora pra Gliese. O planeta será destruído pelos seres humanos mesmo. Antes que isso aconteça, quero está bem longe daqui. Talvez lá, em Gliese, os habitantes estejam vivendo no Éden, em harmonia com todas as formas de vida existentes, sem conflitos, sem preconceitos, sem desigualdades, sem os males daqui da terra.


O que me deixou triste foi saber que uma viagem a Gliese num dos ônibus espaciais da NASA levaria 766 000 anos, quatro vezes o tempo que o Homo sapiens habita na terra. Quando isso for possível eu já não estarei mais com vida.


Mas, pensando bem, é melhor deixar Gliese lá. A distância de 20 anos-luz da terra ou 190 trilhões de quilômetros é boa. Boa pra Gliese, que continuará em paz, sem a presença humana que levaria toda a sorte de desgraça pra lá; boa pra mim que vou ter esse lugar um tanto utópico pra sonhar, pra divagar nos momentos de solidão e de desânimo. É bom saber que existe um local diferente da podridão da terra, mesmo que eu tenha a certeza que nunca conseguirei alcançá-lo.


Vou-me embora pra Gliese! Vem junto???

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

... a vida tão simples é boa



Escrevo este texto com atraso. Eu deveria ter feito isso sábado. Mas devido a minha tensão e envolvimento com a campanha eleitoral e com as comemorações posteriores, não fiz. Mas, como diz um lugar-comum bastante conhecido de todos, nunca é tarde.



Eu tenho um grande amigo em Pirpirituba. Um irmão. Alguém que eu posso contar em vários momentos de minha vida. Temos vários aspectos comuns em nossas personalidades. Como eu estava bastante apreensivo e ansioso com as eleições de domingo passado, eu decidi ir para a cidade dele, conversar um pouco, beber algo, quebrar um pouco a minha rotina.


Assim que saí de lá, percebi que eu tinha feito à coisa certa. Eu estava feliz. Menos tenso. Mais esperançoso com a vida. Com a certeza de que são os amigos que ajudam a trazer beleza e poesia a nossa vida. Uma vida tão aquém daquela ideal, para pessoas sonhadoras como eu, mas que sem as amizades ela seria mais triste, como uma flor murcha, como uma árvore morta.


Fomos a um barzinho bem legal. Um outro amigo comum estava conosco, uma vez que eu o tinha encontrado, por acaso, na rodoviária de Guarabira. Depois ele foi embora. Ficamos sozinhos. Entre uma cerveja e outra, colocamos os papos em dia. Expusemos umas mágoas guardadas por outras pessoas. Conversamos sobre política, sobre a vida, sobre a família, sobre planos futuros, sobre o amor. O amor nunca sai de minhas conversas, de meus textos, de minhas músicas e nem de meus livros. Está sempre presente em minha vida. Quando penso que ele se foi, de repente ele bate na porta do meu coração e de meu pensamento, me fazendo crer que minha identidade está relacionada a ele.


Mas voltando ao assunto. Em seguida, fomos à casa de uma amiga dele, que conheci na Cidade da Luz, muito simpática, muito agradável, muito especial também. Lá fui apresentado a mãe e a avó dela. Confesso que me senti meio por fora, estranho. Mas logo que começamos a conversar, não só me senti como se estivesse entre familiares, como rememorei lembranças de minha infância, sonhos e desejos de menino, gostos e sabores tão distantes voltaram naquela tarde inesquecível.


A vida no campo foi algo que uniu nossas almas. Aquelas duas senhoras conversavam sobre experiências vividas durante o tempo que moraram na zona rural. Experiências que eu, apesar de sempre ter morado na cidade, compartilhei durante meus fins de semana e férias no sítio de meus avôs paternos.


Percebi um saudosismo por parte delas. Senti a mesma coisa também. Eu sempre comento sobre minha infância. Tempo bom. Eu era feliz e não sabia. Não tinha as preocupações que tenho hoje. Tirar notas boas na escola e passar de ano, somente essas duas coisas eram as minhas obrigações. Eu brincava muito nos quintais e becos dos vizinhos. Quando ia para o sítio, subia nas mangueiras, nos cajueiros, nos pés de açafrão, seriguela. Adorava passear no roçado, sentir o cheio dos pés de milho e de feijão nascentes. Tomar banho de barragem era uma das melhores coisas que eu fazia lá. Comia os frutos e as raízes plantadas naquele pequeno paraíso. Dormia cedo. Não tinha energia elétrica. Acordava assim que o galo cantava. E todo o programa do dia anterior se repetia. Mas era tão bom...


O tempo foi pouco para ouvir e falar das vivências passadas. Eu queria passar um tempo maior. Contudo, a distância de minha cidade me fez sair mais cedo. Antes disso foi servido a mim e a meu amigo uma taça de vinho. Despedi-me feliz por ter conhecido aquelas duas senhoras.


Eu disse a meu amigo que estava muito feliz. Valeu a pena ter ido a Pirpirituba naquela tarde de sábado. Meu objetivo foi alcançado. Minhas expectativas foram superadas. Uma tarde tão singela me propiciou um dos melhores momentos de minha vida. Renovou em mim a certeza de que para sermos felizes não é necessária muita coisa, muita badalação, muita novidade. Para ser feliz bastar curtir, com pessoas amigas e amorosas, as coisas simples da vida. Lembrei de Era Uma Vez, uma novela que passou quando eu era pirralho. A música de abertura dizia:

Pra gente ser feliz
Tem que cultivar
As nossas amizades
Os amigos de verdade
Pra gente ser feliz
Tem que mergulhar
Na própria fantasia
Na nossa liberdade

O milagre da existência ocorre cotidianamente. Muitas vezes não percebemos isso. Contudo, como diz Paulo Coelho, “As coisas simples são as mais extraordinárias, e só um sábio consegue vê-las”. Não sou sábio mas, às vezes, consigo captar alguns instantes divinos que a vida propicia.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Os girassóis anunciam novos tempos para a Paraíba...


Hoje é segunda-feira. Um dia depois de a Paraíba dar uma demonstração de que é guerreira, valente, de que quer mudar. A vitória de Ricardo Coutinho sobre José Maranhão revelou o quanto o meu estado deseja crescer, se desenvolver, dar um grande salto.

Foi emocionante ontem. Eu tinha certeza que o jogo tinha virado. Mas quando vi os números da boca de urna do IBOPE, confesso, me desanimei. Por um instante, minhas esperanças tinham ido embora. Eu não acreditei nas duas pesquisas divulgadas no sábado à noite, mas a do domingo, feita com os eleitores nas ruas, no dia da votação, me fez recuar. Quando começou a apuração, tremi nas bases.

Entreguei os pontos. Algumas pessoas ligaram pra mim, me animando, outras vieram aqui em casa, falando que não era bem assim, que os votos de João Pessoa e de Campina Grande não tinham sido computados ainda. “Mas veja a boca de urna!”, eu, bastante nervoso e emocionado, dizia...

Senhor me perdoa, às vezes, eu não sei o que falo!

Escuto conversas da vitória expressiva em João Pessoa e em Campina Grande. Mas nada de somar com a votação do restante do estado... De repente, tudo muda... Oh, alegria, oh felicidade... Maranhão começa sua descida. Ricardo começa a crescer. Como um orgasmo que explode e deixa as pessoas, por um momento no paraíso, eu me ergui, gritei, exultei.

Ricardo ultrapassa Maranhão. Por pouco, a vitória não se deu no primeiro turno. Quanta emoção! Nunca vi algo assim na Paraíba. As últimas eleições foram bem disputadas, com resultados apertados. Mas essa foi disputadíssima e com resultados apertadíssimos.

Davi venceu Golias no primeiro turno. Vai vencer também no segundo. A esmagadora maioria dos prefeitos, deputados e lideranças paraibanas foram cooptadas pelo atual governador. Existem provas disso. O Diário Oficial está cheio de nomeações posteriores as adesões recebidas pelo governador candidato. Mas o povo foi mais forte!

Oh, Paraíba amada... Dias melhores virão para você... Eu confio! Eu tenho fé. Eu tenho esperança. Perdoa-me por ter duvidado, ainda que por alguns minutos, de tua garra, de tua coragem, de tua vontade de mudar e de crescer. Sou ser humano, cometo, assim, erros.

Hoje o dia está tão lindo. Os girassóis começam a fazer da Paraíba um grande jardim de esperança e amor! Viva!

sábado, 25 de setembro de 2010

Vento...



Ah, Vento, como é bom sentir o teu abraço...

Está em contato contigo e com a natureza revigora minhas forças... Exorciza meus demônios... Meus medos esvaecem... Minhas angústias e mágoas são suspensas...

Lá vai uma folha seca. Um dia ela foi verde, bem verde. Cumpriu sua função junta àquela árvore. Terminou seus dias. Teve que desligar-se de sua mãe. Caiu. Mas você, Vento, a levantou do chão, a fez subir novamente, talvez a última vez que está em acima das coisas terrenas, mas agora ela não ficará mais em um só local, verá a enorme quantidade de folhas existentes, bonitas, verdes, amarelas, roxas, mas que um dia terá o mesmo destino seu. Em breve ela deixará de ser folha. Sua decomposição, contudo, junto ao solo, fará nascerem outras folhas. Assim ela não morrerá. Viverá eternamente!

Ah Vento! Leva-me contigo. Preciso ver o que está além dos meus olhos podem ver... Preciso me desprender de meu mundo. Sinto-me saturado. Talvez meus dias, aqui, no mundo que vivo, tenham chegados ao término.

Necessito conhecer outros mundos. Outras pessoas. Talvez, seja preciso eu morrer para que eu possa renascer. Renascer das cinzas, como a Fênix da mitologia.

Leva-me Vento... Leva-me sem direção certa... Leva-me para um lugar em que posso ser eu mesmo, sem máscaras, sem disfarces...

domingo, 5 de setembro de 2010

Um colega quer morrer




Hoje no Orkut eu vi a resposta de um conhecido a um recado que eu enviei, sem querer, para todos do grupo de Alagoinha. Mas a resposta não tinha nenhuma ligação com o conteúdo enviado. Ele dizia assim: “Joel, to desesperado, depois que ... (sua esposa que não vou colocar o nome aqui) me deixou eu só penso em morrer”. Levei um choque. Eu não sabia que sua esposa o tinha deixado. Mas o pior era o desejo premente de morte que tomava conta dele. Fui até o seu perfil. Havia uma frase pedindo a morte também. Alguém respondeu dizendo que estava orando pra Deus não ouvir aquela blasfêmia.


Convivi durante um bom tempo com esse casal. Éramos evangélicos da mesma Igreja. Desde o começo do relacionamento de ambos, contudo, divergências e confusões faziam parte do cotidiano deles. Já presenciei várias vezes cenas nada agradáveis. Chocantes. Tiveram uma filha. Como o mercado de trabalho em Alagoinha, como na maioria das cidades interioranas do Brasil, é escasso, eles foram para o Rio de Janeiro. A última vez que me comuniquei com o esposo foi respondendo um recado no Orkut. Ele falava que Deus me amava, que não entendia o motivo de, conhecendo a verdade, eu ter deixado a verdade e ido pro erro. Ou seja, eu ter deixado a Igreja Evangélica e ter ido fazer parte da Igreja Católica. Eu disse que estava feliz e pronto. É o que sempre respondo quando as pessoas protestantes vem questionar minha conversão ao catolicismo. Mas não quero falar sobre religião agora.


Voltando ao assunto. Já escrevei, repetidas vezes aqui, sobre amor, sobre relacionamento, sobre minhas experiências, sobre experiências de amigos, filmes e músicas com temática afetiva. Mas, é o assunto que discorro com mais facilidade. Talvez porque eu seja um eterno apaixonado, ainda que ferido por dentro, mas nunca perco a esperança e a crença no amor. Conversei recentemente com um amigo pelo Facebook e eu lhe disse que estava com algumas feridas para serem cicatrizadas, mas estava bem, uma vez que a experiência da dor é inerente a vida humana. Na experiência da dor podemos ter duas reações a ela. Podemos deixar que ela nos domine e desistir de tudo, preferindo o caminho fácil, mas sem volta, da morte. Podemos também enfrentá-la de frente, resistindo, ainda que ela seja lancinante na alma, mas depois de tudo consumado a alegria surge varrendo toda a experiência anterior.


Meu colega prefere responder a experiência dolorosa do fim de sua relação, que desde o começo foi fadada ao fracasso, com a morte. Não respondi a ele falando de Deus, da Bíblia, que ia orar por ele ou coisas do tipo. Ele conhece essas coisas bem melhor do que eu. Fui um pouco seco, confesso. Eu disse a ele que não pensasse na morte, que ele levantasse a cabeça porque a vida segue em frente e que a vida é muito maior do que sua ex esposa.


Eu pensar em morrer, deixar de ter prazer em viver, perder a excitação pela existência só porque um relacionamento não deu certo? Nunca! Eu sei que dói um fim de namoro, noivado e mais ainda de um casamento. Eu ainda carrego estigmas em meu corpo. Mas a vida é cheia de possibilidades para todas as pessoas, e para um cara que deve ter mais ou menos vinte e cinco anos o leque de opções é muito amplo. Se eu pudesse eu diria isso a ele.


Tenho sempre conversado com um amigo sobre essas experiências de término de namoro. Temos muita coisa em comum. Atitudes diferentes diante do fim. Ele ficou um bom tempo cabisbaixo, sem querer comer, perdeu mais o brilho. Eu sinto as flechadas dentro do meu peito, mas não me curvo diante da tragédia. Tenho seguido em frente, mirado para o infinito, sempre acreditando que lá adiante está a concretização de meus sonhos. Algumas coisas não vislumbram. Ainda. Mas é nisso que reside o mistério da fé. Acreditar naquilo que não ver crendo que, brevemente, vai se realizar.


Duas escolhas diante da dor: morrer ou resistir! Resistir é mais difícil, exige muito, mas é a melhor opção. Só temos uma vida nessa terra. É preciso aproveitar, portanto, o máximo enquanto estamos nesse mundo.


Colega queria te dizer mais uma coisa: o fim pode ser um novo começo! Pense nisso.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A primeira vez dele



Parece que foi ontem...

Ele sente isso. Não entende, contudo, o motivo da lembrança ter voltado agora. Faz tanto tempo. Ultimamente, volta e meia, acontecimentos antigos voltam com força em seus pensamentos.

Estava trabalhando em um evento da universidade que estuda. Era monitor. Andava de um lado a outro dos corredores observando os grupos de trabalhos, as apresentações, verificando se andavam precisando de alguma coisa. De repente os olhares se cruzam. Sentiu um choque. Uma novidade para ele. Nunca havia sentido isso.

Na sala da coordenação estavam servindo lanches para os monitores. Ao vê-lo tomando um copo de refrigerante, a outra aproveita a oportunidade e pede um pouco.

Depois do evento encontram-se pelo Orkut. Naquele tempo, a rede social não era tão banalizada como é hoje. Mas os contatos são poucos.

Um ano depois tudo seria diferente...

Final de 2006. Mais uma vez um evento na faculdade. Era de outro curso. Mas ele sempre foi curioso por todo tipo de conhecimento ligado às humanidades. Até hoje é.

Dessa vez se conhecem de fato. Surge uma intimidade entre ambos. Voltam a se encontrar pelo Orkut, já que a outra tinha excluído o perfil. As conversas se intensificam. No MSN a conversa passa da política para uma disposição de vivenciar algo novo, diferente, ousado.

Mais uma vez se encontram na faculdade. Era durante a tarde. Uma tarde bonita, diga-se de passagem. Depois de irem a uma lanchonete, ele fala sobre um açude que existe em um sítio bem depois da faculdade. O convite é logo compreendido. Juntamente com duas colegas, vão para esse local.

Sentam-se na grama ao chegar. Ficam olhando a paisagem à frente, o açude médio, crianças que tomam banho. A vegetação verde ao redor. Era tempo de cajus. A outra nunca tinha chupado um. Prova pela primeira vez, já que ele gostava muito da fruta.

Ambos saem para ver o que tem ao redor. Sobem uma pequena serra. Sentam-se embaixo de uma mangueira. O coração dele palpita diante da possibilidade do que vai acontecer. Ele, à época, era tímido pra caramba. Nem sabia beijar direito. Mas só se aprende fazendo.

O beijo acontece. Ele sente uma paz envolver seu ser. Sente a maciez dos lábios dela. Que beijo gostoso, lembra saudoso.

Ficam um tempo entre conversas e troca de carícias. Perdem a hora. As colegas vão à busca, já que tanto ele quanto ela moravam em cidades diferentes e corriam o risco de perder seus transportes.

Voltam de mãos dadas. Volta e meia rola um beijinho. Despedem-se. Ele volta pra casa radiante, feliz, sentindo algo que nunca havia sentido em toda a sua vida. Pela primeira vez, nasce dentro dele um sentimento que não acreditava existir. A partir de então, passou não só a acreditar como a defender o amor em todas as suas cores.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Voltar ao passado



De Volta para o Futuro era uma série animada que eu adorava quando criança. A possibilidade de voltar ao passado me encantava ao mesmo tempo em que me assustava. Cada viagem que Marty McFly e o Doutor Brown e companhia faziam enchia meus olhos e minha mente infantil de fantasias e possibilidades de que essa faculdade me fosse possível um dia.


Recentemente ao ler Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban vejo uma cena em que a possibilidade de voltar ao passado não é só real como é possível também interferir em algo para conseguir um objetivo. E dar certo o plano de Harry e Hermione para conseguir com que Sírius fuja de Hogwarts antes de ser, injustamente, condenado.

 
Eu queria voltar ao passado! Na minha última postagem, minha dileta amiga Greice disse, ao comentá-la, que "O passado é um fio, você puxa e ele vem à tona...". Concordo! Uma música, um aroma, uma paisagem é capaz de me fazer retornar, através da memória, há um tempo consumado. Isso acontece amiúde comigo. Existe um tipo de sabonete que toda vez que uso é impossível impedir lembranças bastante vivas, mesmo que de anos atrás, retornar a minha mente.

Mas não é esse tipo de retorno ao tempo consumado que desejo. Queria voltar do mesmo modo que Marty McFly e Doutor Brown em De Volta para o Futuro. Melhor ainda. Queria voltar como voltou Harry e Hermione que fizeram à experiência para interferir no tempo pretérito, conscientes, bem planejada e que no final deu certo.

 
É um tanto quanto uma heresia de minha parte desejar isso. Como cristão isso contraria meus princípios. São Paulo uma vez disse que se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas antigas passaram, eis que tudo se fez novo. Mas não posso esconder o anseio que sinto quando penso a propósito.

 
Mas o passado não existe. O futuro também não existe. Só o presente é real, é concreto, é possível de mudar, de interferir, de aprumar o que está torto. E é nesse tempo que devo redimir minhas culpas de ontem e construir meu mundo de amanhã. Mesmo que persista a angústia de erros anteriores, tenho que me esforçar para não repeti-los hoje e fazer alguma coisa para sarar as feridas que fiz. Só o hoje existe. Só ele me pertence. Apesar de saber disso eu desejaria, ainda que uma única vez na vida, voltar uns segundos e não tomar uma atitude que hoje, depois de dois anos e alguns meses, me deixa com remorso e profundamente arrependido.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Um amigo, duas reações





E agora, o que eu vou fazer?
Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus?
E as lágrimas não secaram com o sol que fez?

Minha segunda-feira termina vendo um vídeo do Youtube enviado por um amigo muito especial no meu Orkut. Foi um dia abençoado. Cheio. Feliz.

Eu tinha acabado a pouco tempo de teclar, pelo MSN, com esse amigou que enviou o vídeo. Ele é do tipo que me fez bem quando a gente se encontra, quando ligo pro celular dele, quando a gente conversa pela Net. Nesse fim de segunda-feira, ele foi uma peça fundamental para meu estado de espírito.

Eu estava lendo O Aleph, o livro mais recente de Paulo Coelho. Volta e meia, interrompo a leitura para tomar café, água, comer pão, falar ao celular, ir ao banheiro, marcar um encontro com uma pessoa que fazia tempo eu desejava. De onze e pouco da noite, entro no MSN. Eu queria muito conversar com um colega. Desde domingo à noite, todas as vezes que fico on line, é pra tentar teclar com ele. Mas ele nunca está. Nessa noite sinto que ele vai está. Tenho a conversa toda projetada em minha mente. Não é nada demais. Queria só dizer como tenho passado desde sexta-feira. Mas assim que fico disponível não tenho coragem de iniciar uma conversa. Nem ele pretende falar comigo.

Puxo uma conversa com esse amigo já mencionado. Eu emprestei O Alquimista, um livro que já li algumas vezes e que pretendo ler outras. Fiquei com medo dele não gostar da leitura. Domingo à tarde, ele me disse que tava lendo algumas páginas por dia, uma vez que tinha dois livros para ler também. Contudo, agora a noite, ele me disse ter terminado o livro e ter adorado também. Nossa, como isso me deixou feliz.

Começamos a conversar sobre o livro. Minha alegria aumenta. Eu já estava meio sensibilizado com a leitura de O Aleph e com o encontro que tenho marcado para ocorrer esses dias vindouros, mas fico mais radiante ainda. Entrei no MSN para conversar com um colega, esse era meu objetivo, mas não consigo. Converso com esse amigo que eu nem esperava encontrar online e ele termina “substituindo” o desejo não alcançado.

Escrevo tudo isso no meu Twitter. Fico off-line. Saio da rede social mais balada do momento. Quando vou fechar meu Orkut, vejo o vídeo que ele me mandou. É da música "N" de Nando Reis. Desconhecia a canção. Espero o vídeo carregar e volto a ler O Aleph.

Depois começo a ver e ouvir o vídeo. Gosto nos primeiros instantes.

A letra, as imagens, contudo, me faz lembrar do relacionamento há poucos dias terminado. A imagem da minha ex Outra Parte vem à tona em cada estrofe da canção. Penso nela como se eu estivesse nos dias seguintes depois que a gente ficou pela primeira vez.

Confesso que ainda gosto dela. Hoje estamos amigos. Sou feliz com isso. Contudo, essa música abriu uma fenda que eu pensava está fechada. Reacendeu, ainda que em pequena proporção, um sentimento que já não alimentava mais.

Veja como são as coisas. No começo, esse amigou me deixou radiante de felicidade. Depois, mesmo sabendo que o propósito do vídeo é uma forma de demonstrar nossa amizade e a saudade que sentimos mutuamente, já que o refrão diz “espero que o tempo passe, espero que a semana acabe para que possa te ver de novo...”, o efeito produzido em mim foi outro.

Não vou deitar triste. Deito feliz. Só que ao encostar a cabeça estarei pensando “E agora como eu posso te esquecer? Se o seu cheiro ainda está no travesseiro?”

sábado, 14 de agosto de 2010

Uma amiga que sofre



Susto!

A primeira reação que tive quando uma amiga ligou agora a pouco para mim foi de susto. Pelo telefone ela chorava desesperada, dizia que precisava de mim. A primeira coisa que pensei foi na possibilidade de seu pai, já um tanto idoso, ter falecido. Saí de casa apressado. Não disse nada a minha irmã que estava vendo TV.

Quando a vi ela foi me pedindo um dinheiro emprestado. Logo pensei que tinha me pregado uma peça fazendo eu sair de casa depois da meia-noite para me pedir grana. Mas ela não parava de chorar. Dizia que era o fim. Só depois me explicou o motivo de sua angústia.

Desde que nos conhecemos ela sempre fez questão de ressaltar o seu relacionamento de anos. Ainda que, muitas vezes, em tom de brincadeira em nossas conversas, ela falava que não ficaria comigo porque não iria destruir seu relacionamento com o grande amor de sua vida. Ela compartilhava comigo os momentos íntimos que passavam, os projetos para construir uma família, os sonhos que ambos, aparentemente, tinham em comum.

Pois o fim de tudo isso veio pouco depois de chegarmos de Guarabira de um comício de nossos candidatos a governador, senador e deputado estadual. Depois de tantos anos juntos, de planos em fase de andamento, ele pede transferência de seu trabalho para uma cidade distante. A leitura imediata que minha amiga fez foi que isso significa o término de seis anos e quatro meses de experiências afetivas compartilhadas.

Eu fui procurar com ela um moto taxe que a levasse a uma cidade próxima com o intuito de conversar, pela última vez, com seu amor, mas não encontramos ninguém. Ela chorava, chorava, chorava. Lastimava-se da vida. Nem parecia a amiga que tantas vezes me fez sorrir com o seu jeito carinhoso e brincalhão que me tratava.

Eu não tinha palavras para dar conselhos. Em momento assim o melhor a fazer é escutar o desabafo da pessoa que sofre. Qualquer palavra não é capaz de diminuir a dor lancinante de quem sofre por amor.

Por que as pessoas sofrem tanto por amor? Seria tão bom se pudéssemos prever o que aconteceria conosco e com a pessoa que a gente ama depois de um tempo. Mas infelizmente o amor que se prevê não é tão bom, tão gostoso. O bom desse sentimento, às vezes, agridoce, é a surpresa. Pode durar pouco tempo, um tempo médio ou um tempo longo. É como se fosse um jogo de azar. Podemos perder feio. Mas podemos ganhar muito. Depende da sorte que tivermos.

Uma coisa ela falou com sensatez. Vão ficar em suas lembranças os momentos bons vividos. E concordei com ela. Afinal de contas, não é porque um relacionamento chega ao fim que a outra pessoa merece ser banida da memória.

Quanto o tempo o coração leva prá saber que o sinônimo de amar é sofrer...


PS: Durante essa semana essa é a terceira amiga que desabafa comigo problemas sentimentais. Não sou especialista nem exemplo nessa esfera da vida humana. Pelo contrário. Terminei um relacionamento há pouco tempo. Será que minha lenda pessoal está ligada a essas experiências com as outras pessoas?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um dia frio...




Nunca senti tanto frio como tenho sentido ultimamente em minha cidade. Tenho lembranças de períodos chuvosos por aqui. Mas de uma temperatura tão baixa acho que nunca experimentei como agora. Tem batido uma saudade do calor. Saudade de quando eu ficava em casa sem camisa, com shorts curto, quase pelado. Agora sempre estou de calça em casa. Às vezes, uso até meias nos pés.


Mesmo com saudade do calor eu gosto desse tempo. Sinto-me fragilizado. Fico mais sentimental. Sinto ausência de alguém que pudesse ver uma comédia romântica comigo na sala da minha casa, comendo pipoca ou bebendo algo que pudesse esquentar.


De repente vem a minha mente a música Ritmo da Chuva. Lembro de uma vizinha, quando eu era criança, que escutava essa canção sempre. Nesse dia frio e dia chuvoso aqui em Alagoinha ela veio como uma oração. Comecei a cantar e a colocar trechos dela no Twitter.


A cada gota que cai eu vejo meu amor. Um amor que ainda não existe. Que talvez nem tenha nascido. Mesmo assim eu vislumbro um sentimento correspondido na dança da chuva.


Falo com um amigo de uma paquera que descobri recentemente. Mas a idade é um fator que complica qualquer relação passional que possa nascer, pelo menos no momento presente. A resposta dele é que o amor não tem idade e nem sexo. Não precisa dizer que concordo com essa afirmação. Tá na minha cara e na minha vida.


A chuva continua cair. O frio intensifica-se. Penso que seria legal ter essa paquera aqui comigo, nos meus braços, no meu colo. Estou com uma vontade danada de mandar um sms ou ligar para ela. Mas estou no meu trabalho.


Por incrível que pareça a mulher que trabalha comigo começa a cantar Ritmo da Chuva. Ela nem imagina o que escrevo. Mas dizem, e eu acredito, que existe uma linguagem universal que todas as pessoas entendem. Em dia frio e chuvoso, acredito, ela se manifesta melhor. É a linguagem do amor. Por isso, ela canta essa música mesmo sem saber que passei a manhã todinha ouvindo-a e que estou com ela no pensamento e nas minhas emoções.

Chuva traz o meu benzinho, pois preciso de carinho...

Um dia frio. Um bom lugar para ler um livro. Um bom clima para amar.

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