sábado, 14 de agosto de 2010

Uma amiga que sofre



Susto!

A primeira reação que tive quando uma amiga ligou agora a pouco para mim foi de susto. Pelo telefone ela chorava desesperada, dizia que precisava de mim. A primeira coisa que pensei foi na possibilidade de seu pai, já um tanto idoso, ter falecido. Saí de casa apressado. Não disse nada a minha irmã que estava vendo TV.

Quando a vi ela foi me pedindo um dinheiro emprestado. Logo pensei que tinha me pregado uma peça fazendo eu sair de casa depois da meia-noite para me pedir grana. Mas ela não parava de chorar. Dizia que era o fim. Só depois me explicou o motivo de sua angústia.

Desde que nos conhecemos ela sempre fez questão de ressaltar o seu relacionamento de anos. Ainda que, muitas vezes, em tom de brincadeira em nossas conversas, ela falava que não ficaria comigo porque não iria destruir seu relacionamento com o grande amor de sua vida. Ela compartilhava comigo os momentos íntimos que passavam, os projetos para construir uma família, os sonhos que ambos, aparentemente, tinham em comum.

Pois o fim de tudo isso veio pouco depois de chegarmos de Guarabira de um comício de nossos candidatos a governador, senador e deputado estadual. Depois de tantos anos juntos, de planos em fase de andamento, ele pede transferência de seu trabalho para uma cidade distante. A leitura imediata que minha amiga fez foi que isso significa o término de seis anos e quatro meses de experiências afetivas compartilhadas.

Eu fui procurar com ela um moto taxe que a levasse a uma cidade próxima com o intuito de conversar, pela última vez, com seu amor, mas não encontramos ninguém. Ela chorava, chorava, chorava. Lastimava-se da vida. Nem parecia a amiga que tantas vezes me fez sorrir com o seu jeito carinhoso e brincalhão que me tratava.

Eu não tinha palavras para dar conselhos. Em momento assim o melhor a fazer é escutar o desabafo da pessoa que sofre. Qualquer palavra não é capaz de diminuir a dor lancinante de quem sofre por amor.

Por que as pessoas sofrem tanto por amor? Seria tão bom se pudéssemos prever o que aconteceria conosco e com a pessoa que a gente ama depois de um tempo. Mas infelizmente o amor que se prevê não é tão bom, tão gostoso. O bom desse sentimento, às vezes, agridoce, é a surpresa. Pode durar pouco tempo, um tempo médio ou um tempo longo. É como se fosse um jogo de azar. Podemos perder feio. Mas podemos ganhar muito. Depende da sorte que tivermos.

Uma coisa ela falou com sensatez. Vão ficar em suas lembranças os momentos bons vividos. E concordei com ela. Afinal de contas, não é porque um relacionamento chega ao fim que a outra pessoa merece ser banida da memória.

Quanto o tempo o coração leva prá saber que o sinônimo de amar é sofrer...


PS: Durante essa semana essa é a terceira amiga que desabafa comigo problemas sentimentais. Não sou especialista nem exemplo nessa esfera da vida humana. Pelo contrário. Terminei um relacionamento há pouco tempo. Será que minha lenda pessoal está ligada a essas experiências com as outras pessoas?

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