sábado, 13 de março de 2010

Ele no fim da tarde de sábado

Ele está angustiado.

Ligou a TV. Colocou Queer as Folk. Fazia tempo que tinha comprado, obviamente que na pirataria, a série, mas não tinha tido tempo de terminar a Quarta Temporada toda. Agora à tarde, depois de começar a ler A Cabana, e assim que o crepúsculo se iniciara, decidiu assiste a série.

Seus pensamentos, contudo, impedem sua concentração nos eventos vivenciados pelos personagens no último capítulo da Quarta Temporada. Cada paisagem, cada encontro, cada comemoração, cada paquera e beijo que são mostrados na tela, ele se imagina experimentando com a sua Outra Parte.
Está deitado no tapete da sala, muda de posição a todo instante, os dois travesseiros que estão sob sua cabeça não são capazes de facilitar a sua atenção no que vê na TV. Só pensa na sua Outra Parte. Ela está distante. Ele está incompleto.

É sábado. Agora a noite ele foi convidado para ir à casa de um amigo, que estuda em outra cidade e que só vê raramente, para comer uma pizza. Vai levar uma Coca-Cola como bebida. Ele prefere vinho, mas não vai ser possível beber hoje. Ainda que tenha esse programinha para esta noite, ele daria tudo para está com a sua Outra Parte.

O que será que Ela está fazendo agora? Pergunta-se. O que Ela fará hoje à noite? Com quem vai sair? Aonde deve ir? Será que vai ficar até tarde na rua ou dormir cedo? Essas interrogações lhe deixa mais angustiado. Sente uma ponta de ciúme. Sua Outra Parte está longe.

Ele pega o celular. Manda um SMS. Faz meia hora que, enquanto assisto uma série, meu pensamento é tomado por você. [...] EU TE AMO CADA VEZ MAIS. Não sei como explicar, mas sou LOUCO por VOCE! Essa é a mensagem que ele envia para o celular de sua Outra Parte.

Vai para o PC. Entra na Net na esperança Dela está on line. Entra primeiro no Orkut. Não está. Abre o MSN. Também não está. Ele fica triste. Mas acredita que, em breve, a vontade que está o consumindo por dentro, será realizada.

Prepara-se para sair de casa e tentar ocupar sua mente com as banalidades do cotidiano medíocre que vive.

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