segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Coração Pirata



O meu coração pirata toma tudo pela frente, mas a alma adivinha o preço que cobram da gente e fica sozinha...

Ontem não fui à missa. Eu tinha chegado de Araçagi no início da tarde. Estava cansado. Fiquei um tempo na net, em seguida fui dormir. Acordei na hora da celebração eucarística. Aproveitei e liguei o rádio na Constelação FM de Guarabira e fiquei ouvindo a missa da Catedral de Nossa Senhora da Luz.

Levo a vida como eu quero, estou sempre com a razão, eu jamais me desespero, sou dono do meu coração

Meu cunhado fez umas pizzas para o jantar. Por sinal estavam muito saborosas. Ligo para um amigo. Marcamos de nos encontrar na praça central. Começamos a conversar sobre nossas vidas, sobre nossas experiências, sobre nossas paqueras, sobre nossos sentimentos...

Ah! O espelho me disse você não mudou...

De repente, começamos a perceber diferenças sutis entre nós. Diferenças que se acentuaram em minha vida desde novembro do ano passado. Parece que minha preferência de ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo está, mais uma vez, se concretizando em minha existência.

Sou amante do sucesso nele eu mando, nunca peço, eu compro o que a infância sonhou.
Se errar, eu não confesso, eu sei bem quem eu sou e nunca me dou!

Falamos de amor. De amores. Passados. Presentes. E possibilidade de futuros relacionamentos. Eu sempre levo a pior nessas coisas. Sempre me envolvo afetivamente com quem não deveria, com que não corresponde ao sentimento que nutro.

Quando a paixão não dá certo não há porque me culpar eu não me permito chorar
já não vai adiantar e recomeço do zero sem reclamar

Conversamos sobre 2010. Como eu já disse aqui, a ano findo na última sexta-feira foi maravilhoso para mim. Em todos os sentidos. Meu amigo é do tipo que pode se envolver com a pessoa mais bonita, mais gostosa, mais tudo que se pode imaginar, contudo não se envolve com nada além de sexo. Eu não! Sexo não me satisfaz. Quero ir além. Quero vivenciar aquilo que só as pessoas apaixonadas vivenciam.

Quando a paixão não dá certo não há porque me culpar eu não me permito chorar
já não vai adiantar e recomeço do nada sem reclamar

Ele falou que eu era estranho (risos). Não entendia o porquê de meu desejo de amar e de amar até quem não me corresponde (mais risos). Eu disse que era assim e pronto. Já tentei mudar, mas até então sem sucesso. Entretanto, desde o fim do ano passado, comecei a viver a vida de outro modo.

As pessoas se convencem de que a sorte me ajudou. Plantei cada semente
que o meu coração desejou, Ah! O espelho me disse você não mudou...

A vida é feita de mudanças. Todo mundo sabe que esse lugar-comum é verdadeiro. Pois então, tenho tornado ele mais verdadeiro do que nunca em minha vida. Não sei até que ponto irei chegar. Mas estou gostando de tudo isso. Conversa vai, conversa vem, lembro de Coração Pirata de Roupa Nova.

Faço porque quero, estou sempre com a razão, eu jamais me desespero, sou dono do meu coração. Ah! O espelho me disse você não mudou!

Claro que meu coração nunca foi pirata. Pelo contrário, sempre foi raptado, roubado, seqüestrado! Mas depois das últimas experiências afetivas, repensei um monte de coisa, inclusive em relação a meu aspecto idiota sentimental. De repente, comecei a cantar a música. Eu disse que essa música eu pretendia cantar durante todo esse ano novo. Não sei se vou conseguir. Vou tentar. Cansei de cantar dizem que o amor faz a gente sofrer sem meu grande amor não poderei viver (...) Se o amor traz sofrimento vou sofrer até o fim minha vida será um tormento... de Marisa Monte.

Só não sei se estarei chegando em 31 de dezembro cantando com toda a convicção que Quando a paixão não dá certo não há porque me culpar eu não me permito chorar já não vai adiantar e recomeço do zero sem reclamar. Quando a paixão não dá certo não há porque me culpar eu não me permito chorar já não vai adiantar e recomeço do nada sem reclamar...

Me culpei tanto, chorei tanto, reclamei amiúde... Recomeçar do nada sem reclamar? Nunca antes na história de minha vida. Mas hoje é diferente. Pelo menos é o que eu acho. Só acho, porque certeza que é bom...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ricardo Coutinho chega ao poder como o primeiro governador com origem nos movimentos sociais

Eu e o então prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, na festa de 100 anos da paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Alagoinha-PB, 08 de dezembro de 2009.
 “O que antes foi regado em múltiplos sonhos, hoje transborda numa mesma realidade: o povo chegou ao poder. A sociedade que ajudamos a construir e projetar ao longo das últimas décadas ganha, a partir deste momento, o formato concreto do que ousamos pensar e agir em conjunto, em instantes de euforia ou descrenças, com o ardor dos descontentes e esperançosos”, trecho do discurso de Ricardo ontem na cerimônia de posse. A Paraíba, com certeza, a partir de ontem, rompeu com um passado oligárquico, com práticas políticas arcaicas, com modelos de administrar atrasados para entrar em uma nova era de políticas públicas voltadas para a coletividade e de um governo que administre pelo bem comum. Achei esse texto no site PBAgora. Muito interessante ele.
 Ricardo Coutinho chega ao poder como o primeiro governador com origem nos movimentos sociais

Em 121 anos de República, Ricardo Vieira Coutinho é o primeiro governador eleito da Paraíba que tem origem na luta sindical, nos movimentos sociais. Sua trajetória é marcada por uma seqüência de conquistas nos mais diversos segmentos da sociedade paraibana. Filho de pai agricultor e mãe costureira, Ricardo não é herdeiro político de algum grupo oligárquico. E a Paraíba teve e tem várias oligarquias. Ricardo chegou ao mais alto cargo do Estado por seus méritos, sua conduta desde o tempo dos movimentos estudantis, e em defesa dos trabalhadores e dos interesses das classes menos favorecidas. Assim agiu em toda sua trajetória de líder sindical, vereador de João Pessoa por duas vezes, deputado estadual por dois mandatos e prefeito da capital de seu Estado eleito para duas gestões.

Com este perfil o governador eleito, diplomado e que tomou posse neste 1º de janeiro de 2011 gerou grande expectativa em toda a Paraíba, e, com base em suas administrações na prefeitura de João Pessoa, certamente fará um governo produtivo, contribuindo com o desenvolvimento econômico, social e cultural da Paraíba.

História comprova panorama

De fato, desde a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, praticamente a Paraíba tem sido governada por cidadãos com origem no oligarquismo. De acordo com o historiador e escritor José Octávio de Arruda Mello, em ‘História da Paraíba’, “na Paraíba, a República dos coronéis conheceu três etapas correspondentes às oligarquias que a controlaram”, revela o cientista político. A primeira oligarquia foi com Venâncio Neiva, primeiro presidente republicano do Estado e foi curta, de 1889 a 1891. A segunda, com o presidente Álvaro Machado, se prolongou por vinte anos (1892 a 1912). Coube a Epitácio Pessoa, que foi presidente da República, a liderança da terceira oligarquia, com ação em torno de 1915 até 1930.

Nesses 121 anos de República a maioria dos homens que governaram a Paraíba tinha ou tem o curso de Direito. No passado, quase todos jovens de classe média e alta iam fazer curso superior na Faculdade de Direito do Recife. Mas, também administraram o nosso estado empresários, general de Exército, coronel, monsenhor, médico, professor, juiz, desembargador, dentre outros. Ricardo Coutinho é formado em Farmácia e filho de um casal humilde.

Ao examinarmos a lista dos presidentes/governadores da Paraíba veremos que grande parte deles tem origem em famílias ricas ou bem influenciadas que ao longo de várias gerações se revezam no poder. O desembargador José Peregrino de Araújo foi governador de 1900 a 1904. Álvaro Machado voltou ao governo em 1904. O Monselhor Walfredo Leal, governou de 1905 a 1908. João Lopes Machado, médico sanitarista e irmão de Álvaro Machado, foi governador de 1908 a 1912. João Pereira de Castro Pinto dirigiu o estado de 1912 a 1915. O coronel Antonio da Silva Pessoa, irmão de Epitácio Pessoa, governou de julho de 1915 a julho de 1916. Solon Barbosa de Lucena era presidente da Assembléia Legislativa quando assumiu o governo de julho a outubro de 1916.

O general e médico Francisco Camilo de Holanda foi o governador da Paraíba entre 1916 e 1924. O período de 1924 a 1928 coube a João Suassuna, nascido em Catolé do Rocha e pai do mestre Ariano Suassuna. Suassuna foi assassinado tempos depois, no Rio de Janeiro, quando era deputado federal.

Sobrinho do ex-presidente da República Epitácio Pessoa, o presidente João Pessoa governou de 22 outubro 1928 a 26 de julho de 1930, data em que foi assassinado pelo advogado João Dantas, no Recife. João Pessoa nasceu em Umbuzeiro e era advogado. Natural de Mamanguape, o professor Álvaro Pereira de Carvalho era o vice de João Pessoa e assumiu o governo por três meses. José Américo, na primeira vez, governou por quase dois meses, depois de Álvaro. O engenheiro e geógrafo Antenor de França Navarro dirigiu a Paraíba de 1930 a 1932.

De 1932 a 1934 dirigiu o estado o interventor Gratuliano da Costa Brito. Teve em seu secretariado o então segundo tenente do Exército Ernesto Geisel, que viria a ser um dos presidentes da ditadura militar. José Marques da Silva Mariz, de tradicional família de políticos do Sertão paraibano, governou de dezembro de 1934 a janeiro de 1935.

O advogado campinense Argemiro de Figueiredo foi o interventor do estado de 1935 a 1940. Dentre suas ações fundou a Rádio Tabajara e construiu o atual prédio do Liceu Paraibano. Nascido em Pombal, Ruy Carneiro, formado em Direito, filho de advogado e pequeno pecuarista, governou a Paraíba de agosto de 1940 a julho de 1945. Natural de Alagoa Nova, Samuel Vital Duarte, advogado, governou de julho de 45 a novembro do mesmo ano.

Por dois meses, Severino Montenegro também foi governador. De fevereiro de 46 a setembro do mesmo ano o estado foi governado por Odon Bezerra Cavalcanti, outro nome de tradicional família. De agosto de 46 a março de 47, José Gomes da Silva assumiu o governo. Natural de Alagoa Grande o advogado e professor Oswaldo Trigueiro de Albuquerque Melo dirigiu o estado entre março de 1947 e janeiro de 1951.

O escritor e advogado José Américo de Almeida, nascido em Areia, assumiu de novo o governo em 1951 e teve como substituto presidente da AL João Fernandes de Lima. Natural de Pilar, Flávio Ribeiro Coutinho governou de 1956 a 1958.

De 58 a 60 governou o estado Pedro Moreno Gondim, bacharel em Direito e filho natural de Alagoa Nova. No período de 60 a 61, o governador foi José Fernandes de Lima, de Mamanguape. Pedro Gondim voltou ao comando do estado de janeiro de 1961 a janeiro de 1966. Nascido em Brejo do Cruz, João Agripino, advogado e filho de fazendeiro e chefe político governou a Paraíba de 1966 a 1971. Ernani Sátyro, nascido em Patos e outro descendente de políticos, governou o estado de 71 a 75.

O cajazeirense Ivan Bichara Sobreira, escritor e advogado foi governador de 1975 a 1978. Seu vice, Dorgival Terceiro Neto, nascido em Taperoá, governou de agosto de 78 a março de 79. Assume o governo de 79 a 82, Tarcísio de Miranda Burity, professor e jurista. Seu vice, Clóvis Bezerra Cavalcanti administra de maio de 1982 a março de 1983. O governo de Wilson Braga foi no período de março de 1983 a maio de 1986. Na seqüência, passaram pelo Palácio da Redenção, Rivando Bezera Cavalcanti e Milton Bezerra Cabral.

Burity volta ao governo, com eleição direta, em março de 1987 e conclui seu mandato em março de 1991. O poeta e advogado nascido em Guarabira, Ronaldo Cunha Lima governa a Paraíba de 15 de março 1991 a 2 de abril de 1994. O vice, Cícero Lucena, empresário, nascido em São José de Piranhas, governou até 1º de janeiro de 1995.

Descendente de tradicional família de políticos no Sertão, Antonio Mariz é eleito governador e dirigiu o estado de 1º de janeiro de 1995 a 16 de setembro do mesmo ano, data em que faleceu, na Granja Santana, residência oficial do governador. O vice José Targino Maranhão assumiu e governou até 1999. Eleito governador junto com Roberto Paulino, Maranhão continuou a administrar o estado. Paulino assumiu até dezembro de 2002 e foi candidato a governador, quando perdeu a eleição para Cássio Cunha Lima que governou de 2003 a 2006.

Em 2002 Maranhão foi eleito senador da República. Cássio disputou a eleição para governador em 2006 com Maranhão e foi o vencedor. Governou até 17 de março de 2009, quando foi cassado. Maranhão assumiu e concluiu seu terceiro mandato neste 31 de dezembro de 2010. Assumirá neste 1º de janeiro de 2011, Ricardo Coutinho para governar neste primeiro mandato até 31 de dezembro de 2014. Ao longo dos 121 anos de República a Paraíba teve cerca de 90 governos, entre titulares e substitutos, sendo que sete cidadãos governaram por mais de uma vez. Até agora coube a Maranhão o maior tempo no cargo de governador.

Perdura até os dias atuais a existência de várias famílias se alternando no poder, nos municípios, nas regiões e no Governo do Estado. No passado, praticamente todos os jovens se tornavam bacharéis pela Faculdade de Direito, em Recife. Daí, o grande número de presidentes/governadores com esta formação. O primeiro presidente a partir da Proclamação da República foi Venâncio Neiva (1889 a 1891) era juiz de direito. Álvaro Lopes Machado era major do Exército e governou a Paraíba de 1892 a 1896. Criou o jornal A União.

Ricardo Coutinho - O governador Ricardo Vieira Coutinho, que vai governar a Paraíba de 2011 a 2014, nasceu em João Pessoa, aos 18 de novembro de 1960, na maternidade Frei Martinho, localizada no bairro de Jaguaribe. Na infância e juventude Ricardo morou em Bananeiras, Serraria e Caiçara. Foi vereador de João Pessoa de 1993 a 1999, deputado estadual de 1999 a 2004 e prefeito da capital por dois mandatos. Foi eleito pela 1ª vez em 2004 e reeleito em 2008. Renunciou à prefeitura de João Pessoa em 31 de março de 2010, durante o período de seu segundo mandato, para disputar o governo da Paraíba. Ricardo foi eleito no segundo turno para o cargo de governador com hum milhão setenta e nove mil, cento e sessenta e quatro votos, o equivalente a 53,70% dos votos válidos.

Blog do Josélio Carneiro

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Adeus 2010!

Mais um ano chega ao fim. Esse foi um ano singular em minha vida. Não que os outros não tenham sido também. Mas 2010 assinalou uma nova fase na minha existência. Consolidou mudanças significativas iniciadas em 2008. Cresci bastante. Não em estatura (risos); ainda continuo com 1,73 metros. Cada instante do ano que se vai foi muito valioso para mim.

Coloquei cinco metas a ser alcançadas . Fui exitoso em quatro. A outra com um tempo vou conseguir conquistar; é uma questão de esperar um pouco, de tentar controlar minha ansiedade e lutar porque no tempo certo, já que como disse Salomão existe tempo para todas as coisas abaixo do céu, vou cantar vitória.

O curso de Direito não era o bicho que eu imaginava. Meu medo ao fazer o vestibular da UEPB no ano passado era não gostar do curso, não me adaptar a leituras de códigos, leis e etc, essa visão que as pessoas que vem de outra gradução de humanas possui. Mas para minha surpresa o curso se revelou um mundo de possibilidades jamais imaginadas por mim e me deixou enamorado já nos primeiros dias.

Tive um relacionamento. Nem precisa eu comentar sobre ele. Aqui nesse blog cansei de postar minha caminhada durante os cinco meses que estive namorando. Foi bom. Foi pedagógico para mim. Não me arrependo de nada. Se fosse necessário eu faria tudo outra vez. Hoje somos amigos. Conversamos sempre. Temos sentimentos recíprocos de afeto.

Fiz amizades importantes. Conheci pessoas de ambos os sexos que me fizeram sorrir, amar, divertir. Conheci pessoas que espero compartilhar muitos momentos juntos, enquanto Deus estiver renovando o dom da vida em mim. Pessoas que posso contar em várias situações. Talvez a conquista dessas amizades seja o principal legado desse ano para minha existência.

As eleições de Dilma Rousself e Ricardo Coutinho para presidenta da República e governador da Paraíba, respectivamente, foram vitórias importantes que comemorei bastante. Dilma vai ser a primeira presidenta do Brasil. A missão de continuar o governo mais bem avaliado da história brasileira está em suas mãos. Não tenho dúvidas que ela não só fará isso como irá atender outras demandas para que o Brasil seja uma potência mundial e jogue a miséria, ainda existente na vida de milhões de brasileiros, no lixo da história. 

A eleição de Ricardo aqui na Paraíba foi mais emocionante. Contra todas as pesquisas de intenção de votos ele chega no primeiro turno superando o atual governador. A vitória no segundo turno foi favas contadas, já que existe a crença, até hoje comprovada, de que quem ganha no primeiro vence o segundo turno. Pela primeira vez um homem do povo, vindo de movimentos populares, sem linhagem política vai ocupar o Palácio da Redenção! A vitória de Ricardo foi um brado de esperança de um estado que está entre os mais atrasados desse país, porque até hoje seus governantes não tiveram projetos estruturantes para a Paraíba. A partir de amanhã, eu tenho certeza, que uma nova história será escrita por aqui, que um novo jeito de governar será implatado, que um novo tempo vai raiar!

2010 vai deixar saudades. Mas o que me deixa mais contente é a esperança de que 2011 seja melhor, que consolide minhas conquistas, que abra novas perspectivas para mim, para minha família, para meus amigos, para minha cidade, meu estado e meu Brasil.  Por tudo isso, nessas horas finais desse ano velho eu quero cantar, louvar e agradecer a Deus pelas lágrimas que demarrei, pelas vitórias, pelas amizades construídas, pelo crescimento pessoal... Enfim, ao som de Diante do Trono, Senhor eu Te agradeço!!!

sábado, 11 de dezembro de 2010

A consciência da morte enquanto impulso da vida



A morte é a única certeza que temos. Todo mundo está entre a vida e a morte o tempo todo. Não é verdade que só corre risco de vida quem está internado em uma UTI. Qualquer ser-vivo, do recém nascido ao ancião que beira o centenário, do mais saudável ao paciente terminal de um câncer, está diariamente vivendo na iminência de morrer.

Quando eu era criança, o medo da morte me apavorava constantemente. Eu tinha medo de morrer. Tinha medo de algum vizinho meu morrer. Eu acreditava, naquele tempo, em almas penadas, em espíritos que voltavam do mundo dos mortos para perturbar as pessoas vivas. Lembro de um enterro de um parente. Eu era muito novo. A imagem de um caixão azul sendo perfurado (os caixões dos pobres antigamente eram feitos com alguns pedaços de madeira e cobertos de plástico, por isso era necessário no sepultamento furar a tampa, para que a terra pudesse fazer o seu trabalho) e das pessoas jogando terra voltava sempre a minha mente. Eu tinha horror a tudo isso. Como se não bastasse, muita gente gostava de contar casos de pessoas enterradas vivas. Meu medo aumentava. Eu tinha pesadelos sendo enterrado vivo.


Um amigo de infância morreu. Brincávamos muito. Éramos vizinhos. Não tive coragem de ir vê-lo no caixão. Lembro da insistência de minha mãe para que eu fosse me despedir. Mas não tive coragem. Um momento, eu estava ao lado da casa, vendo a multidão de pessoas que se aglutinavam para o enterro, e mãe me pegou pelo braço e me levou, contra a minha vontade, até o esquife. Saí chorando de lá. Essa lembrança é bastante vívida. Talvez seja por isso que, até hoje, não costumo ir para velórios de pessoas que morrem na aurora de suas vidas.


Com um tempo comecei a gostar de enterros (Mas outro dia eu conto sobre esse lobby macabro que cultivei no fim da minha infância e início da minha adolescência). Mas o medo de morrer, de ser enterrado vivo, de ir para o inferno era constante em mim. Tive hepatite do tipo A. Lembro de ficar, durante meu período de doente, perguntando a minha mãe seu eu iria morrer. Graças a Deus isso, ainda, não aconteceu.


O medo da morte me aproximou dos evangélicos pentecostais. O discurso deles de que quem aceitava Jesus ia para o céu me dava um alívio. Meu medo da morte era, em grande medida, o medo do inferno. O discurso de um Deus irado, sempre pronto pra castigar os erros das pessoas e mandá-las para o inferno foi presente, durante muito tempo, em minha vida. Hoje não acredito em muita coisa que povoou minha mentalidade infantil e adolescente. Mas os evangélicos davam uma certeza enorme da entrada no paraíso celeste das pessoas que morriam convertidas. Elas seriam salvam. Eu queria ser salvo.


Terminei indo para a Assembléia de Deus ainda criança. Só que eu era pagão, ou seja, não batizado na Igreja Católica. Eu estudava o catecismo para fazer a Primeira Comunhão e iria aproveitar a ocasião para me batizar. Só a partir daí, segundo minha mãe, eu poderia virar crente. Só me converti no final de 1999 na Igreja Universal do Reino de Deus. Por incrível que pareça, nessa minha primeira fase evangélica e depois na Igreja do Betel Brasileiro, meu medo da morte sumiu.


Mesmo tendo rompido com a ideologia protestante, não tenho mais medo de morrer. Tenho medo da forma de morrer. O tipo de morte que terei me assusta. Será que vai ser demorada? Acidente automobilístico? Assassinato? Infarto? Alguma doença rara? Isso me assusta. Mas não fico atemorizado diante da vida pós-morte. Sou tranqüilo a esse respeito. A propósito, o eterno Raul e o bem vivo Paulo Coelho no “Canto para a minha morte”, falam


Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...


Mas escrevi tudo isso porque essa semana terminei de ler “O Diário de um Mago”, de Paulo Coelho. Como muita gente sabe, o autor de “O Alquimista” é o meu escritor dileto. O livro descreve a sua experiência pelo caminho de Santiago de Compostela. Ele foi como peregrino católico e como membro de uma Tradição bastante ligada à magia. Assim, durante o Caminho, várias experiências foram feitas, com a orientação de seu guia, Petrus, e uma delas está relacionada à experiência de ser enterrado vivo. Meu maior medo infantil.


Algumas palavras do seu guia me deixaram bastante reflexivo e passei a ter uma visão mais positiva dos seres humanos. Vamos lá.


“O homem é o único ser na natureza que tem consciência de que vai morrer. Por isto, e apenas por isto, tenho profundo respeito pela raça humana, e acredito que seu futuro será muito melhor do que seu presente. Mesmo sabendo que seus dias estão contados e tudo irá se acabar quando menos espera, ele faz da vida humana luta digna de um ser eterno. O que as pessoas chamam de vaidade – deixar obras, filhos, fazer com que seu nome não seja esquecido – eu considero a máxima expressão da dignidade humana.”


Nem preciso comentar, né? Está tão claro. Esse trecho prendeu de imediato a minha atenção. Reli várias vezes. Mas tem outro parágrafo que continua a sua linha de pensamento.


“Acontece que criatura frágil, ele sempre tenta ocultar de si mesmo a grande certeza da Morte. Não vê que ela é que o motiva a fazer as melhores coisas de sua vida. Tem medo do passo no escuro, do grande terror do desconhecido, e sua única maneira de vencer este medo é esquecer que seus dias estão contados. Não percebe que, com a consciência da Morte, seria capaz de ousar nas suas conquistas diárias – porque não tem nada a perder, já que a Morte é inevitável.”


A partir desse trecho eu percebi o quanto a consciência da morte é um estímulo para viver a vida. E viver bem! Com dignidade. Com paixão. Com disse o poeta “viver e não ter a vergonha de ser feliz”.


Assim sendo, a consciência da morte impele ou deveria impelir as pessoas a ousar mais, serem menos temerosas de errar, de levar um fora, de perder... Essa madrugada, em conversa com um amigo pelo MSN, eu me lembrei da música “Epitáfio” dos Titãs. Sempre imagino, quando a escuto, um homem diante de sua lápide vendo o filme da sua vida e percebendo o quanto ela deveria ter sido mais prazerosa, mais alegre se ele tivesse amado mais, chorado mais, ter visto o sol nascer, ter arriscado mais, ter feito o que ele queria fazer...


A parte que mais gosto em “Epitáfio” é quando ele diz que deveria ter se importado menos com problemas pequenos e ter morrido de amor. Eu fico pensado: “será que esse cara amou algumas vezes e nunca ousou ir adiante com seus sentimentos com medo de não ser correspondido?”. Ah, companheiro, espero chegar aos meus dias finais, fazer uma reflexão sobre a minha existência e dizer: “Vivi a vida intensamente, combati o bom combate, lutei pelos meus ideais, amei, fui atrás de meus sonhos e os que não realizei não foi por falta de tentativas, nem tudo eu pude realizar, mas pelo menos eu tentei.”


Portanto, diante da efemeridade da existência as pessoas deveriam correr atrás da realização de seus desejos. Chegará um dia que isso não será mais possível. É melhor se arrepender do que fez do que se arrepender do que não se fez. Para terminar essas minhas elucubrações, faço uso das palavras de Petrus em mais uma trecho de “O Diário de um Mago”: “A morte é nossa grande companheira, porque é ela que dá o verdadeiro sentido às nossas vidas.”

domingo, 21 de novembro de 2010

Minhas paixões de criança



As crianças também amam? Não sei o que os especialistas no assunto pensam a respeito, mas pela minha própria experiência garanto que sim.


Todo mundo que me conhece, que me ler, que me segue no Twitter, que me tem no Facebook ou Orkut sabe que tenho uma personalidade exageradamente romântica. O que essas pessoas não sabem é que carrego esse problema desde quando era criança, desde quando o mundo dos desenhos animados se confundia com a realidade concreta.


Não consigo lembrar qual foi o ano da primeira garota que gostei. Minha memória não é precisa nesse sentido, mas consigo lembrar de todas que gostei. Meninas da minha idade, meninas mais velhas, professora do ensino infantil e até apresentadoras da TV.


Meu primeiro beijo foi com a filha de um colega de trabalho de meu pai. Não foi uma única vez que nos beijamos. Mas um dia eu tava com vergonha porque nossos pais estavam próximos, então decidi ir pra casa. Pra que fui fazer isso. Ela veio atrás de mim e enquanto eu pulava a cerca fugindo dela, fui atacado com um cabo de vassoura. Não lembro se chorei. Lembro que doeu pra caramba. Se fosse nos dias hodiernos eu iria a Justiça processá-la baseado na Lei Maria da Penha. Mas a Maria da Penha não é uma Lei de proteção das mulheres?, pode alguém perguntar. Sim, contudo, tenho aprendido no curso de Direito que no meu caso eu poderia usar a analogia.


Outra menina que eu tive um caso era carioca. Não lembro do nome dela. Era sobrinha de uma vizinha nossa. Veio do Rio de Janeiro passar uma temporada na casa da tia, junto com a mãe. Crianças têm uma facilidade pra fazer amizades, né? De novo no local de trabalho do meu pai. Num instante que nossos pais não prestavam atenção, eu a chamo para um canto e peço um beijo a ela. Gostei. Pedi outro e mais alguns outros. Fiquei apaixonado. Quando ela foi embora, eu sonhava todas as noites com seu retorno. Hoje estou com vinte e três anos e isso não ocorreu.


Outra paixão infantil foi a filha de uns amigos de meus pais que moravam em Cuitegi, cidade próxima à minha. De vez em quando íamos a casa deles e eles vinham à nossa. Eu a achava linda. Sua cor de canela. Uns cabelos bonitos, lisos, pretos. Era doido pra vê-la sempre. Uma vez, ela veio com seus pais e suas irmãs lá pra casa. Foram, durante a tarde, no local de trabalho do pai, sempre lá que acontecia essas coisas. Enquanto nossos pais conversavam distante de nós, fomos nos dirigindo para um lugar atrás da estação de tratamento de água. Lá ela me pediu em namoro. Certamente eu deva ter ficado corado, porque na hora me senti cheio de vergonha e de timidez. Eu disse que meus pais não deixavam. Mas no fundo eu queria namorá-la. Nos beijamos uma vez. Dessa vez não foi eu que tomei a iniciativa. Ela pediu outro beijo, neguei porque vi que nossos pais estavam se aproximando. Ela insistiu. Eu fui me afastando e sem ver acabei batendo com a testa na quina de uma parede. Saiu tanto sangue nesse mundo. Até hoje tenho uma pequena cicatriz na minha testa, está sumindo, mas dar pra ver ainda. Depois desse evento não nos vimos mais. Os pais foram morar em outro estado. A última notícia que tive foi que ela estava morando com um traficante. Se eu tivesse aceitado aquele pedido de namoro...


Havia uma professora na escolinha que eu estudava que me encantava. Ela era nova. Não me ensinava, mas sempre estava por perto. Sempre eu sonhava com ela em minhas noites infantis. Anos depois nos encontramos numa Igreja evangélica. Era estava noiva e casou. Mas nesse tempo eu já não gostava dela.


Minha outra paixão surgiu na segunda série. Uma coleguinha. Essa paixão durou até algumas séries posteriores. Mas eu fui crescendo e aquela desinibição que eu tinha quando era menor foi desaparecendo. Nunca me declarei pra ela. Sempre brincávamos na escola, na praça da cidade, no pátio da casa dela, nos ônibus da prefeitura. Eu sempre desejando chegar um momento de beijá-la. Uma vez eu disse a uns colegas da escola isso. Eles passaram a ameaçar a contá-la que eu gostava dela. Para que isso não me ocorresse era obrigado a dar uma mesada a eles. Isso durou um bom tempo. Meu pai sempre me perguntava por que eu pedia tanto dinheiro, eu dizia que era pra pagar os picolés fiados que eu comprava em frente à escola. Pois é, eu já fui extorquido. Mas o tempo passou, fui descobrindo outras meninas. Nos separamos de série, nos encontramos novamente no ensino médio. Pouco depois ela casou. Hoje está divorciada e com uma filha. Será que amores de infância podem voltar?


Tive duas outras paixões durante a infância. Eu estava à beira da adolescência. Estudava o Catecismo para fazer a Primeira Eucaristia. As duas estudavam comigo. Uma morava num Engenho. Estudava em Guarabira. Sempre passava, junto com a irmã e um peão, cada um num cavalo bonito. Eu ficava todos os dias em frente de casa para vê-la passar na ida pra escola e na volta pro Engenho. Aguardava com ansiedade o sábado do Catecismo. Nem precisa dizer que eu sonhava com ela, né? Nesse tempo eu tinha me tornado muito tímido, por isso nunca rolou nada. Tempos depois o Engenho do pai faliu. Tiveram que vender e foram morar fora. Nunca soube notícias dela.


A outra morava na cidade mesmo. Sua rua não era muito distante da minha. Essa paixão durou mais tempo. Todas as vezes que eu saía da escola eu passava em frente da casa dela. O pior é que um monte de outros garotos era afim dela também. Meu melhor amigo de infância era um. Na formatura da quarta-série, eu e meu amigo disputamos o convite para ela ser a madrinha na festa. Uma vez eu e ele, na minha bicicleta, ficamos indo e voltando sem coragem de chamá-la. Numa dessas voltas, acabamos caindo em frente de sua casa. Ela saiu junto com a avó. Foi aí que ambos fizemos, ao mesmo tempo, o convite. Resultado: nem eu nem ele tivemos o prazer de tê-la como madrinha. Mas a paixão não morreu. Eu ia sempre com ele, durante a tarde, observá-la em um beco que dava para seu quintal. Algum tempo depois ela foi morar em outra cidade. Soube, alguns anos atrás, que tinha casado. Da última vez que a vi estava gorda, sem a beleza que havia me encantado nos meus dez e onze anos.


Eu nem falei que também fui apaixonado por Xuxa e Angélica. Então, eu sonhava com elas. Eu ficava com um ciúme danado quando assistia filmes que elas beijavam outros atores. Eu sempre me imaginava fazendo filmes com elas, beijando-as, salvando-as de algum perigo mortal.


O interessante é que minha história de vida, de meus afetos, sofreu uma involução. Nos primeiros oito anos de vida, eu quando era afim de uma menina ia atrás. Fui crescendo e isso em vez de aumentar foi diminuindo. Cheguei à adolescência muito tímido. Só uma vez ocorreu uma exceção, mas outro dia relato aqui. No meu tempo de evangélico tive três paixões, mas nunca tive de coragem de contar a elas. Eu me achava feio, fora de moda e, portanto, sem chances perto delas. Claro que não gostei das três concomitantemente. A última menina, já no fim de minha ilusão amorosa, contei a ela, mas nada aconteceu. Fui me retraindo ainda mais. Cheguei à casa dos vinte anos todo fechado. Entrei no curso de História e só no quinto ano fui me soltar, mas aí é outra história que não dar pra contar agora. Nesse ano, minha timidez está indo embora. Já namorei. Há dois dias teve uma festa de confraternização devido o Congresso Jurídico que ocorreu na UEPB. Lá, pela primeira vez, tomei a iniciativa de beijar uma menina, sem que ela antes tivesse dado em cima de mim. Pela primeira vez desde que a timidez se tornou um traço marcante de minha personalidade, porque, como escrevi acima, nos meus primeiros anos de vida a coisa era diferente...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ele não se decide




Estava sem saber o que dizer, sem saber o que pensar, sem saber como agir diante do fato de ter sido obrigado a reconhecer que sentimentos julgados inexistentes em sua vida estarem tão presentes quanto o desejo de conhecer uma nova pessoa. Além disso, teve que reconhecer um erro que nunca tinha passado em sua cabeça ter cometido.


A conversa com sua amiga da faculdade abriu fendas em sua alma, arranhou a moldura de seu coração, atacou a solidez de seus afetos. Foi como uma teofania. Ela foi como um anjo revelando o que estava escondido dentro dele, sufocando-o, enganando-o sem ele perceber.

Durante todo o caminho para casa, enquanto olhava a paisagem, o verde, as nuvens azuis, alguns animais que pastavam e algumas pessoas que cuidavam de seus roçados, ele pensava o quanto a vida, em determinados instantes e aspectos da sua vida, parece ser injustiça, incoerente, insensata, inexorável.

Muitos de seus amigos de infância, de adolescência, colegas do ensino fundamental e médio já estavam casados, outros divorciados, muitos com filhos, fizeram o que ele sempre teve vontade de fazer e não fez ainda, seja por medo de dar errado, seja por medo de encarar uma cidade grande, desconhecida, estranha, sendo ele mesmo desconhecido e estranho diante de uma multidão frenética, saíram de casa e ser tornaram homens e mulheres donos de suas vidas.

Ao pensar na conversa com sua amiga, ao lembrar dos antigos amigos e colegas, ele caiu em si e viu o quanto era imaturo, criança. Culpa a vida, mas no fundo ele sabe que o único culpado de tudo não está como deseja é ele mesmo. Ele com suas dúvidas existenciais, com seus conflitos de identidade, com seus monstros que tanto o assusta ao mesmo tempo que os alimentam, com seu receio de romper com a lógica que tanto critica, que tanto ojeriza, detesta, mas parece, às vezes, que ela faz parte do jardim de sua vida ao lado dos girassóis, das rosas, das margaridas e, portanto, recebe os mesmos cuidados para se desenvolver que as flores do bem.

Ligou o chuveiro. Deixou que a água banhasse aquele corpo, aparentemente, sem marcas, mas por dentro todo estigmatizado de afetos incompletos, recolhidos, guardados sob o manto do medo. Não agüentou muito tempo em pé. Sentou no chão do banheiro. Aumentou a velocidade do chuveiro. Ritualizou aquele instante. Transformou um banho normal em um batismo de sua vida, como rito para entrar na comunidade espiritual das pessoas amadas, realizadas, completas e sólidas em seus desejos e sentimentos.

A represa de sua alma estourou. As lágrimas jorraram abundantemente de seus olhos, misturando-se com a água, tornando aquele instante mais sagrado ainda.

Depois de alguns minutos levantou-se. Mirou sua imagem refletida no espelho. Os olhos vermelhos, o cabelo desalinhado, a cara de quem tinha chorado tanto o assustou. Pensou na experiência do banho. A sua tentativa de sacralizar tudo aquilo, entretanto, caiu por terra quando o celular anunciou a chegada de um SMS. Sorriu e teve raiva quando viu de quem era. É ambígua a reação dele diante da personagem que enviou a mensagem de texto. Assim como é ambígua a tentativa de esquecê-la concomitantemente ao anseio de conquistá-la.

Saiu do banheiro como uma pessoa normal. Nem parecia que era o mesmo que tinha entrado, que tinha chorado, que tinha ressignificado o seu banho para torná-lo um rito de passagem rumo a uma nova fase de sua vida.

Ele é uma criança ainda. Não sabe o que quer. Fica em cima do muro diante das escolhas necessárias para a sua realização pessoal. Mas um dia ele terá que decidir qual caminho seguir. Ninguém pode entrar no céu desejando está no inferno.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eu finado

Hoje tinha tudo pra ser mais um dia de finados normal na minha vida. Acordei cedo, vi alguns telejornais, naveguei horas na net, vendo minhas redes sociais, sites e blogs políticos. Aqui em casa estávamos esperando amigos de Santa Rita que, anualmente, nesse período, aparecem por aqui.

Hoje tinha tudo pra ser mais um dia de finados normal se não fosse o fato de uma pessoa presente aqui em casa propor tomar uma cerveja. Estranhei o fato. Mas beleza, fomos a um supermercado e compramos algumas latinhas e uma garrafa de ice. Bebemos. Almoçamos. Fomos descansar.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de eu ter começado a escutar Chiclete com Banana, pensando no Carnaval, pensando na festa que vai ter em Campina Grande no próximo dia 21, pensando em beijar na boca, fazer amor e tantas outras coisas que as pessoas fazem em momentos de festa ao som da banda baiana. Baixei várias músicas pelo 4shared e fiz minha farrinha, solitário, em minha casa.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de depois de ter baixado as músicas de Chiclete, de ter acessado e comentado fotos, status e links no Facebook eu ter deitado na sala de minha casa e não no meu quarto. Mas até aí, sem problema. Mas eu só consigo dormir a tarde se for com som ligado. Como o computador fica próximo de onde eu iria descansar, coloquei um monte de músicas de Marisa Monte pra ficar rolando, enquanto eu viajava em meus sonhos.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de durante o sono, em meus sonhos, as músicas terem entrado em contato com meus desejos mais profundos, mais reprimidos, meus medos mais intensos em perfeita harmonia e me ter feito sonhar com pessoas e momentos que eu deveria ter deletado de minha vida.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de em um dos sonhos  alguns demônios, que eu jurava ter exorcizado dentro de mim, terem voltados com toda a força malévola em minha minha vida. E foi essa ressurreição inesperada de mortos, de medos, de sentimentos frustrados e desejos não totalmente realizados que me fizeram perder a serenidade e me deixaram literalmente de luto neste dia de finados.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de nessa tarde, durante os sonhos, eu ter tido a comprovação de que estava em uma bola de sabão. Desde uns dias atrás, minhas estruturas começaram a tremer um pouco diante de confronto direto com pessoas que exerceram sobre minha vida, sobre meus sentimentos, um domínio imperial. Mas pensei não ser nada demais. Mas nos sonhos dessa tarde... Acordei com a ligação de um amigo do EJC pra me pedir umas opiniões. Tentei voltar ao sono, mas sem sucesso. De repente lembrei-me dos sonhos, ainda ao som de Marisa Monte, dessa vez cantando “a dor da paixão não tem explicação, como definir o que só sei sentir, é mister sofrer para se saber o que no peito o coração não quer dizer”. Um deles me abalou complemente. Deixou-me, como algumas pessoas falam, chocado. Fez minha bola de sabão estourar. E tudo voltou a ser como antes... Pelo menos é o que sinto agora.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de meu lado romântico, sentimental, afetivo que eu reputava ter desaparecido ou pelo menos enfraquecido, ter vindo à tona com tudo. Eu estava nos últimos meses mais contido, mais moderado nesse sentido. Até tinha esquecido esse traço de minha personalidade que tanto me fez bem quanto mal.

Hoje tinha tudo pra ser um dia finados normal se não fosse o fato de eu ter morrido com tudo isso, virado um defunto, necessitado de que alguém acenda uma vela, reze e vele por mim. Quero descansar em paz. Quero me livrar logo desse purgatório. Quero poder ir ao paraíso, ver os anjos, me encontrar com Deus.

Hoje tinha tudo pra ser um dia de finados normal se não fosse o fato de mais um trecho da canção Ontem ao Luar de Marisa Monte explicar sinteticamente meu estado e fechar essas divagações de um idiota sentimental.

Se tu queres mais
Saber a fonte dos meus ais
Põe o ouvido aqui na rósea flor do coração
Ouve a inquietação da merencória pulsação
Busca saber qual a razão
Porque ele vive assim tão triste a suspirar
A palpitar em desesperação
Na teima de amar um insensível coração
Que a ninguém dirá no peito ingrato em que ele está
Mas que ao sepulcro fatalmente o levará

Intercedam por mim!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Vou-me embora pra Gliese





Se Manuel Bandeira escrevesse hoje Vou-me embora pra Pasárgada, talvez o seu poema mais famoso, ele não ia para Parságada. Penso eu, que o poeta nordestino, nesses dias de globalização intensa, seria leitor ávido, não apenas da literatura, mas também da ciência. Eu acredito que ele trocaria o nome Pársagada para Gliese 581g. Mas um nome assim é muito feito. Ele, certamente, excluiria o 581g e deixaria apenas Gliese. Um nome bonito, né? Quem sabe não coloco esse nome na minha filha...

Recentemente, os cientistas descobriram um planeta muito parecido com a Mãe Terra. Batizaram de Gliese 581g, mas que eu, como não sou astrônomo, vou chamar apenas de Gliese. Depois de onze anos de observação, avistaram esse planeta. Gliese orbita numa região de zona habitável do sistema estelar. Nessa região, a quantidade de calor é suficiente para a existência de água em estado líquido em sua superfície. Assim, a possibilidade de existir alguma forma de vida é muito provável.

Quando eu era criança, eu costumava olhar para o céu. Eu adorava ver o movimento das nuvens. Ficava visualizando figuras de animas na imensidão do céu. Isso durante o dia. À noite, olhava as estrelas. Deslumbrado com a infinidade delas, eu metia a contar. Dias depois, nascia uma verruga em mim por ter contado as estrelas. Mas eu morria de medo dos ETs. Qualquer objeto voador desconhecido que surgisse no céu, as pessoas de tanto assistir os filmes norte-americanos, diziam ser um disco voador. O mais incrível era as estórias que me contavam. Fulano tava indo pro roçado, de repente um clarão surgiu no céu; quando olhou pra trás era um disco voador; correu tanto que consegui escapar. Lembro de várias pessoas que contaram ter tido uma experiência semelhante. Claro, essas estórias metia medo em mim e nas demais crianças vizinhas. Quando eu assistia a um filme sobre extraterrestre, eu me assombrava durante o sono. Mas isso passou...

Hoje quem mais me mete medo são os próprios seres humanos. Nem os demônios, nem o papa-figo, nem o bicho-papão, nem Comadre Folozinha e os ETs me assustam mais. As pessoas me assustam. Um valor tão importante, como a confiança, está indo embora nas relações interpessoais. A hipocrisia, a falsidade, a mentira, a competição desenfreada tem, infelizmente, caracterizado a maioria dos homens e mulheres nos dias hodiernos.


Disse Albert Einstein: Tempo difícil esse em que estamos, onde é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito. Em pleno século XXI, depois de tantas conquistas e avanços no campo da ciência, das artes, da tecnologia, contraditoriamente, essa frase se encaixa perfeitamente. Nas universidades discute-se muito a noção de alteridade, de valorizar e respeitar o outro, mas fora de seus muros a realidade é bem diferente. Minorias são execradas, humilhadas, xingadas e até, o mais triste de tudo, mortas por sua orientação sexual não heternormativa, pela religião que contraria os valores das religiões oficiais, pelo estilo de vida que vive, pelas idéias que defendem. No Brasil, esse país tido como cordial, pacífico, a cada dois dias uma pessoa é morta por ser gay, travesti ou transexual.

Quem diria que depois de tanto conhecimento acumulado ao longo da história, guerras motivadas por fins econômicos ainda existiram... Se nesse momento, os conflitos bélicos são reduzidos e bem localizados, por outro lado milhares de pessoas morrem de fome, apesar da produção de alimentos ser suficiente para alimentar, com folga e com bastante sobra, toda a população mundial.

O meio-ambiente é destruído, cotidianamente, em nome de um progresso que só favorece a uma minoria em detrimento da maioria excluída, empobrecida. Os valores mais importantes são medidos pela riqueza e pelo status que as pessoas possuem na sociedade. O rótulo é mais evidenciado e aceitado do que o conteúdo...


Vou-me embora pra Gliese. O planeta será destruído pelos seres humanos mesmo. Antes que isso aconteça, quero está bem longe daqui. Talvez lá, em Gliese, os habitantes estejam vivendo no Éden, em harmonia com todas as formas de vida existentes, sem conflitos, sem preconceitos, sem desigualdades, sem os males daqui da terra.


O que me deixou triste foi saber que uma viagem a Gliese num dos ônibus espaciais da NASA levaria 766 000 anos, quatro vezes o tempo que o Homo sapiens habita na terra. Quando isso for possível eu já não estarei mais com vida.


Mas, pensando bem, é melhor deixar Gliese lá. A distância de 20 anos-luz da terra ou 190 trilhões de quilômetros é boa. Boa pra Gliese, que continuará em paz, sem a presença humana que levaria toda a sorte de desgraça pra lá; boa pra mim que vou ter esse lugar um tanto utópico pra sonhar, pra divagar nos momentos de solidão e de desânimo. É bom saber que existe um local diferente da podridão da terra, mesmo que eu tenha a certeza que nunca conseguirei alcançá-lo.


Vou-me embora pra Gliese! Vem junto???

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

... a vida tão simples é boa



Escrevo este texto com atraso. Eu deveria ter feito isso sábado. Mas devido a minha tensão e envolvimento com a campanha eleitoral e com as comemorações posteriores, não fiz. Mas, como diz um lugar-comum bastante conhecido de todos, nunca é tarde.



Eu tenho um grande amigo em Pirpirituba. Um irmão. Alguém que eu posso contar em vários momentos de minha vida. Temos vários aspectos comuns em nossas personalidades. Como eu estava bastante apreensivo e ansioso com as eleições de domingo passado, eu decidi ir para a cidade dele, conversar um pouco, beber algo, quebrar um pouco a minha rotina.


Assim que saí de lá, percebi que eu tinha feito à coisa certa. Eu estava feliz. Menos tenso. Mais esperançoso com a vida. Com a certeza de que são os amigos que ajudam a trazer beleza e poesia a nossa vida. Uma vida tão aquém daquela ideal, para pessoas sonhadoras como eu, mas que sem as amizades ela seria mais triste, como uma flor murcha, como uma árvore morta.


Fomos a um barzinho bem legal. Um outro amigo comum estava conosco, uma vez que eu o tinha encontrado, por acaso, na rodoviária de Guarabira. Depois ele foi embora. Ficamos sozinhos. Entre uma cerveja e outra, colocamos os papos em dia. Expusemos umas mágoas guardadas por outras pessoas. Conversamos sobre política, sobre a vida, sobre a família, sobre planos futuros, sobre o amor. O amor nunca sai de minhas conversas, de meus textos, de minhas músicas e nem de meus livros. Está sempre presente em minha vida. Quando penso que ele se foi, de repente ele bate na porta do meu coração e de meu pensamento, me fazendo crer que minha identidade está relacionada a ele.


Mas voltando ao assunto. Em seguida, fomos à casa de uma amiga dele, que conheci na Cidade da Luz, muito simpática, muito agradável, muito especial também. Lá fui apresentado a mãe e a avó dela. Confesso que me senti meio por fora, estranho. Mas logo que começamos a conversar, não só me senti como se estivesse entre familiares, como rememorei lembranças de minha infância, sonhos e desejos de menino, gostos e sabores tão distantes voltaram naquela tarde inesquecível.


A vida no campo foi algo que uniu nossas almas. Aquelas duas senhoras conversavam sobre experiências vividas durante o tempo que moraram na zona rural. Experiências que eu, apesar de sempre ter morado na cidade, compartilhei durante meus fins de semana e férias no sítio de meus avôs paternos.


Percebi um saudosismo por parte delas. Senti a mesma coisa também. Eu sempre comento sobre minha infância. Tempo bom. Eu era feliz e não sabia. Não tinha as preocupações que tenho hoje. Tirar notas boas na escola e passar de ano, somente essas duas coisas eram as minhas obrigações. Eu brincava muito nos quintais e becos dos vizinhos. Quando ia para o sítio, subia nas mangueiras, nos cajueiros, nos pés de açafrão, seriguela. Adorava passear no roçado, sentir o cheio dos pés de milho e de feijão nascentes. Tomar banho de barragem era uma das melhores coisas que eu fazia lá. Comia os frutos e as raízes plantadas naquele pequeno paraíso. Dormia cedo. Não tinha energia elétrica. Acordava assim que o galo cantava. E todo o programa do dia anterior se repetia. Mas era tão bom...


O tempo foi pouco para ouvir e falar das vivências passadas. Eu queria passar um tempo maior. Contudo, a distância de minha cidade me fez sair mais cedo. Antes disso foi servido a mim e a meu amigo uma taça de vinho. Despedi-me feliz por ter conhecido aquelas duas senhoras.


Eu disse a meu amigo que estava muito feliz. Valeu a pena ter ido a Pirpirituba naquela tarde de sábado. Meu objetivo foi alcançado. Minhas expectativas foram superadas. Uma tarde tão singela me propiciou um dos melhores momentos de minha vida. Renovou em mim a certeza de que para sermos felizes não é necessária muita coisa, muita badalação, muita novidade. Para ser feliz bastar curtir, com pessoas amigas e amorosas, as coisas simples da vida. Lembrei de Era Uma Vez, uma novela que passou quando eu era pirralho. A música de abertura dizia:

Pra gente ser feliz
Tem que cultivar
As nossas amizades
Os amigos de verdade
Pra gente ser feliz
Tem que mergulhar
Na própria fantasia
Na nossa liberdade

O milagre da existência ocorre cotidianamente. Muitas vezes não percebemos isso. Contudo, como diz Paulo Coelho, “As coisas simples são as mais extraordinárias, e só um sábio consegue vê-las”. Não sou sábio mas, às vezes, consigo captar alguns instantes divinos que a vida propicia.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Os girassóis anunciam novos tempos para a Paraíba...


Hoje é segunda-feira. Um dia depois de a Paraíba dar uma demonstração de que é guerreira, valente, de que quer mudar. A vitória de Ricardo Coutinho sobre José Maranhão revelou o quanto o meu estado deseja crescer, se desenvolver, dar um grande salto.

Foi emocionante ontem. Eu tinha certeza que o jogo tinha virado. Mas quando vi os números da boca de urna do IBOPE, confesso, me desanimei. Por um instante, minhas esperanças tinham ido embora. Eu não acreditei nas duas pesquisas divulgadas no sábado à noite, mas a do domingo, feita com os eleitores nas ruas, no dia da votação, me fez recuar. Quando começou a apuração, tremi nas bases.

Entreguei os pontos. Algumas pessoas ligaram pra mim, me animando, outras vieram aqui em casa, falando que não era bem assim, que os votos de João Pessoa e de Campina Grande não tinham sido computados ainda. “Mas veja a boca de urna!”, eu, bastante nervoso e emocionado, dizia...

Senhor me perdoa, às vezes, eu não sei o que falo!

Escuto conversas da vitória expressiva em João Pessoa e em Campina Grande. Mas nada de somar com a votação do restante do estado... De repente, tudo muda... Oh, alegria, oh felicidade... Maranhão começa sua descida. Ricardo começa a crescer. Como um orgasmo que explode e deixa as pessoas, por um momento no paraíso, eu me ergui, gritei, exultei.

Ricardo ultrapassa Maranhão. Por pouco, a vitória não se deu no primeiro turno. Quanta emoção! Nunca vi algo assim na Paraíba. As últimas eleições foram bem disputadas, com resultados apertados. Mas essa foi disputadíssima e com resultados apertadíssimos.

Davi venceu Golias no primeiro turno. Vai vencer também no segundo. A esmagadora maioria dos prefeitos, deputados e lideranças paraibanas foram cooptadas pelo atual governador. Existem provas disso. O Diário Oficial está cheio de nomeações posteriores as adesões recebidas pelo governador candidato. Mas o povo foi mais forte!

Oh, Paraíba amada... Dias melhores virão para você... Eu confio! Eu tenho fé. Eu tenho esperança. Perdoa-me por ter duvidado, ainda que por alguns minutos, de tua garra, de tua coragem, de tua vontade de mudar e de crescer. Sou ser humano, cometo, assim, erros.

Hoje o dia está tão lindo. Os girassóis começam a fazer da Paraíba um grande jardim de esperança e amor! Viva!

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