segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Diante do horizonte






Sentei-me diante do horizonte. A grama estava um pouco úmida. Mas o contato com a natureza me fortalece, me faz bem. O sol estava ameno. Fiquei analisando as mangueiras cheias de frutos, o canto dos pássaros, mais adiante observo um tatu indo pra uma moita. A natureza tão calma, tão bela, tão sagrada. 

Miro o horizonte. Quando eu era pequeno eu pensava ser possível tocar nas nuvens se eu fosse lá naquelas serras distantes. Eu imaginava que as nuvens tocavam no chão. Eu queria tocar nas nuvens. Eu queria ir pro céu. Eu queria saber como era dentro das nuvens, se a gente podia andar por cima delas, se existia algum lugar onde a água da chuva ficava guardada. Era um desejo infantil.

Minha visão está no horizonte. Penso nas coisas da minha infância. Penso nas coisas da minha vida adulta. Preocupações profissionais, familiares, afetivas tomam a minha mente enquanto miro lá adiante. Faço uma reflexão de meus últimos dias, meses, anos. Tanta coisa mudou em mim, na minha cidade, no meu estado, no meu país e no mundo. 

O horizonte sempre me deu uma sensação de esperança. Lá além do horizonte deve ter um lugar bonito pra viver em paz. Minha vida está aquém do que eu quero, do planejei quando criança, quando adolescente. Uma sensação de falta, de ausência, de vazio. Alguém disse que o homem tem um vazio do tamanho de Deus. Será que é esse vazio que experimento? Acredito que não. Cheguei a ventilar essa hipótese. Mas cheguei à conclusão de que investir no preenchimento desse pretenso vazio divino era fugir dos problemas concretos que enfrento.

O horizonte está lá. Seria boa uma casa aqui em cima. A cidade lá em baixo. Todas as manhãs acordar vendo o sol nascer, vendo a esperança renascer no horizonte. São pensamentos vários e plurais que enxameiam a minha cabeça. Migrar. Ando pensado em fazer um êxodo. Ir pro sudeste. Soube de uma oportunidade para 2012. Fiquei tentado a aceitar. O Rio de Janeiro nunca foi meu sonho. Mas sonhos são dinâmicos. Mudam sempre como muda o curso da vida.

Tento fazer um desenho na tela imaginária que tracei no horizonte. Uma flor. Uma casinha. Uns pássaros. Eu sempre desenhei essas coisas em meus cadernos. Agora desenho no horizonte.

Preciso deixar minha contemplação do horizonte. Não posso ficar muito tempo aqui. O sol começa a dá sinais do seu ocaso. Daqui a pouco a noite chega. Foi bom ter feito um mergulho diante do horizonte. Não posso escrever tudo que pensei, repensei e refletir nesse momento.

Abro os braços diante do horizonte. Agradeço a Deus, a vida, ao universo por ser quem sou, mesmo que não totalmente satisfeito com as minhas identidades. Vou partir. Vou ali. Deixo o horizonte, mas ele não deixa a minha mente. Um dia vou além dele.

2 comentários:

  1. "Agradeço a Deus, a vida, ao universo por ser quem sou, mesmo que não totalmente satisfeito com as minhas identidades." Que lindo isso, sinta-se acompanhado, amei seu texto, é real a nossa necessidade de ir além do horizonte! bjos, fica com Deus

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  2. "Agradeço a Deus, a vida, ao universo por ser quem sou, mesmo que não totalmente satisfeito com as minhas identidades."

    É impressionante a maturidade e a sinceridade com que você fala da sua vida e das coisas que acontecem com você.
    Quando você fala de você, faz com que a gente se veja um pouco nas suas palvras. É por essa e outras postagens que li que a partir de agora começarei a acompanhar seu blog.
    Parabéns e continue escrevendo assim.

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