sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Amor com cerveja


Todos os anos, no começo ou no fim, ou seja, nos primeiros dias de janeiro ou nos últimos de dezembro, eu juntamente com um colega vou ao sítio de um amigo comum que conhecemos no ensino médio. É sempre nos domingos. Dia sagrado pra nós. Lá conversamos sobre nossas vidas, brincamos, almoçamos e bebemos.

Dessa vez fomos no último dia 16. De bicicleta. Nossa! Fazia tempo que eu não me cansava tanto. Certamente porque tenho pedalado pouco. Mas chegamos cedo. Sentamos debaixo de uma mangueira, correndo o risco de uma manga, a qualquer instante, cair sobre nós, uma vez que o pé estava carregado de frutos.

Começamos a conversar. Eu e esses dois amigos. Primeiro falamos sobre política. Eu adoro conversar a esse respeito. Fábio disse que não está muito satisfeito com o governo estadual, porque Ricardo Coutinho está sendo muito duro, muito rígido nesses primeiros dias. Eu entrei na defesa. Falei que o estado está quebrado e somente com medidas fortes a Paraíba sairá da merda que se encontra. Léo ora concordava, ora discordava, já que ele tinha votado em Maranhão. Continuei debatendo com Fábio eu disse com toda certeza que no ano vindouro, quando voltarmos lá, a Paraíba já estará melhor.

Mudamos pra política nacional. Fábio é muito religioso, muito católico, eu também sou, mas não tão tapado quanto ele. Descobri que Léo agora é ateu. Achei o máximo. Ele falou com tanta ênfase a respeito da não crença em Deus que me surpreendeu. Foi aí que Fábio disse que não vai com a cara de Dilma, que  já não gostava e agora, depois que ela tirou o crucifixo com Nosso Senhor Jesus Cristo da parede, do seu gabinete  tem raiva mais ainda. Nesse ponto, Léo entrou. Defendeu Dilma, disse que foi uma decisão correta, que o Estado é laico e outras coisas. Eu também entrei da defesa da presidente. Falei que votei em Dilma porque achava e acho-a preparada, competente, com uma história linda de luta pela democracia brasileira e porque vai fazer um bom governo.

A conversa adentra pela questão do aborto, do casamento gay e pela legalização das drogas. Eu e Léo  somos totalmente favoráveis a essas causas e Fábio contra. Seus argumentos são sempre religiosos. Porque na bíblia diz isso e não aquilo, porque homem casar com homem e mulher casar com mulher é pecado, porque o aborto é o assassinato de uma vida indefesa, porque as drogas destroem as pessoas etc, etc, etc. A cada argumento dele nós refutávamos.

Finalmente a conversa entra para o assunto que mais gosto de conversar, de ler, de debater, de escrever. O amor. Os sentimentos. Os relacionamentos. Eu e Léo estamos solteiros. Fábio parece que para se diferenciar em tudo de nós dois, está namorando. Mas um namoro esquisito. Ele namora uma garota adolescente. Mas gosta de outra. O resto do dia a conversa girou sobre o namoro dele. Eu afirmava que o namoro dele não vai durar muito tempo. Ele dizia que quer casar com ela e tal. No fim falou dessa outra menina. Que tinha ficado com ela na festa de emancipação política da cidade e mais outros dias, que tinha gostado dela, que é uma menina de “futuro” (leiam-se posses, rs).

Depois do almoço fomos pra um bar próximo ao sítio. Começamos a beber cervejas. Bem geladinhas. Do jeito que o diabo gosta. Como estava fazendo muito calor, cada gole nos deixavam, em especial a mim já que fui o que mais bebi, extasiados. Peço um cigarro. A única marca que tinha lá era a pior de todas, mesmo  assim comecei a fumar. Conhecemos um vigia que nos falou do trabalho dele, das dificuldades, de bebidas. Depois que ele saiu, voltamos ao namoro de Fábio. Como no bar não tinha nenhum som ligado, eu coloco as músicas de Garota Safada que estão no meu celular. Ele conta que está apaixonado, mas de vez em quando fala da outra garota. Ele só não está namorando ela porque são de religiões diferentes. Ela evangélica, com opinião formada a respeito da Igreja Católica, ele católico fervoroso.

Enquanto conversávamos os litros de cervejas estavam secando e outros vinham encher nossos copos. Como é bom falar sobre o amor tomando cerveja. Pense! Eu e Léo tentamos convencer ele a relegar a religião e namorar mesmo assim, já que observamos que essa menina tem mais futuro que a adolescente que ele namora. Mas a desgraça é que ela quer que ele deixe a religião dele e se converta à dela. E do mesmo jeito ele. Não quer deixar de ser católico e não quer que ela fique na Igreja Evangélica.

Peço outro cigarro. Saio pra fumar. Fico vendo a paisagem um tanto seca da região e pensando nos meus sentimentos, nos meus amores passados, mas que de vez em quando voltam para atormentar meu coração. Volto pro bar. Continuamos a beber, contudo já estava ficando tarde e tínhamos que voltar pra cidade.  Pagamos a conta. Despedimos-nos de Léo e da família dele. Seguimos, eu e Fábio pra cidade. Durante o percurso a mesma conversa. Namora com uma, mas é a outra que meche com ele.

Quando chego à cidade ligo pra um amigo perguntando se um companheiro de Guarabira já tinha chegado, porque tínhamos acertado de ir pra um barzinho naquele fim de tarde. Mas ele não veio. Esse meu amigo me chama pra tomar uma cervejinha na casa de uma colega dele. Como eu já estava meio, digamos, leve com as cervejas que tinha bebido, decidi ir. Chegando lá começamos a conversar, a beber, a falar de nossas vidas.

De repente uma colega que estava conosco pede pra ouvir José Augusto. Não existe coisa melhor e pior do que beber escutando músicas que falam de amor, de sentimentos, de paixões. As músicas continuavam enquanto bebíamos. De repente quando começa a tocar Sonho por Sonho parece que algumas coisas que estavam reprimidas dentro de nós explodem e começamos a chamar uns palavrões. Nunca imaginei que você quisesse de mim uma noite só de prazer uma transa apenas...Nada a ver, certo? Mas os impropérios eram dirigidos a nossos corações, a nossos afetos feridos. Eu, assim que as outras pessoas saíram do local, desabafei, joguei pra fora um monte de palavras não ditas, portanto, malditas, que eu queria falar, vociferar, esbravejar pra todo mundo. Quem ouviu foi meu amigo que fez o convite. Tudo que você me falou entrou no meu coração, loucura cheia de sedução, mudou a minha vida...

A música ia tocando. Eu estava com uma vontade imensa de chorar, mas me contive. Não dá prá esquecer a emoção que eu senti por você por tudo que não pode ser eu te quero...Eu não tenho tempo a perder com a solidão na hora em que você me quiser eu vou!... Expus algumas coisas de minha vida a meu amigo. Pediram pra repetir a música. Acho que tocou umas três vezes. Entre desabafos, choro interior, cervejas eu cantava também atropelando a letra. Beijo por beijo, sonho por sonho, carinho por amor, paixão por paixão... Depois, me despedi. Saí de lá mais leve. Com os demônios exorcizados. O dia anterior, como escrevi antes, foi um sábado anormal.

Enfim, não existe nada melhor do que amar, falar de amor, chorar por amor, desabafar do amor, do que acompanhado de um copo de cerveja.



Um comentário:

  1. Joel, adorei o texto! Você tem uma capacidade e um facilidade incrível para "contar histórias"... Me senti como se tivesse ido para esse passeio juntamente com você! hehe P.S: Para ser mais sincero, eu espero que a parte dos "cigarros" tenha sido meramente um artifíio poético! No Smoke!!! rs

    ResponderExcluir

Você poderá gostar também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...