domingo, 14 de outubro de 2007

Recentemente li “A cidade das feras” de Isabel Allende ,4ª Edição, Tradução de Mario Pontes, Bertrand Brasil, 2002. Foi o primeiro que li da sobrinha do presidente Salvador Allende, derrubado e assassinado em 1973 por Pinochet. Não vou resumir o livro, no google pode-se achar. Quero colocar uma fala interessante de um xamã, nele fica demonstrado sua visão a respeito dos homens brancos.

-Os nahab são hoje como os mortos, a alma lhes fugiu do peito – disse Walimai. – Os nahab não sabem de nada, não sabem pescar um peixe com uma lança, nem acertar um dardo em um macaco, nem tampouco subir em uma árvore. Não andam, como nós, vestidos de ar e luz, mas de roupas hediondas. Não se banham no rio, não conhecem as regras de decência ou cortesia, não dividem sua casa, sua comida, seus filhos e suas mulheres. Tem os ossos moles e basta uma pequena paulada para lhes partir o crânio. Matam animais e não os comem, largando-os no chão para que apodreçam. Por onde passam deixam um rastro de lixo e veneno, inclusive na água. Os nahab são tão loucos que pretendem levar as pedras do chão, a areia dos rios, as árvores da floresta. Alguns querem a terra. Dizemos que não podem carregar a selva nas costas, como uma anta morta, mas não nos escutam. Falam de seus deuses mas não querem ouvir falar dos nossos. São insaciáveis como os jacarés. [...] p 154.

Acredito que essa fala fictícia leva-nos a pensar sobre o nosso modo de viver e como nos comportamos em relação ao outro, ao diferente, a alteridade. Li algumas coisas sobre cultura, mas observei que não existe cultura superior a outra. Não há povo superior a outro, mais avançado, o que existe são povos que buscam alternativas diversas para atender suas necessidades. Por que dizer que somos civilizados se o planeta está sendo destruído por nossa causa? Em nome do progresso, da civilização, derrubamos matas, poluimos rios e lagos, fazemos guerras e armas de destruição em massa... Os povos que vivem como há milhares de anos nos possibilita (re)pensar nossa existência nesse mundo cada vez mais ruim de viver, a cada dia mais aquecido, onde a misériia e a fome recrudescem.

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